Publicamos o seguinte material do Partido Socialista dos Trabalhadores (Peru), organização trotskista com mais de 50 anos de existência, atualmente sem filiação internacional.
José Jerí foi destituído pelo Congresso corrupto e reacionário, que nada faz para resolver os problemas do povo pobre e trabalhador do Peru. O mesmo que lhe confiou a presidência e o manteve no cargo até hoje, sem dar ouvidos às acusações de abuso sexual e de enriquecimento ilícito, nem sua responsabilidade pela repressão ocorrida em 15 de novembro de 2025.
Por que o destituíram? Porque a permanência de Jerí à frente do governo colocava em risco suas chances eleitorais.
Não era sustentável, do ponto de vista dos votos, manter um presidente que se reunia em segredo com empresários com os quais o Estado tem contratos e utilizava o Palácio do Governo para realizar festas e, ao que tudo indica, aproveitar seu poder para obter favores sexuais.
Mas também não era possível sustentar um governo que, ao tentar se identificar com o ditador salvadorenho Bukele para dar a impressão de que algo estava sendo feito contra as gangues do crime organizado, demonstrou seu completo fracasso, em meio a contínuos assassinatos de trabalhadores do transporte em Lima, Callao e outras grandes cidades e, assim, propiciar o descontentamento e a mobilização popular.
Dito de outra forma, com exceção do fujimorismo, ninguém quis carregar esse fardo chamado José Jerí, diante do dia 12 de abril.
Os dirigentes sindicais impediram que os trabalhadores derrotassem Jerí nas ruas
Os trabalhadores, as trabalhadoras e o povo pobre também não tinham interesse em carregar esse fardo.
Logo após a imposição pelo Congresso, a juventude mobilizada, acompanhada por importantes setores operários e populares, saiu às ruas para enfrentar e derrubar Jerí. A grande mobilização de 15 de novembro, duramente reprimida pelo governo, expressou essa intenção.
No entanto, as direções sindicais nacionais, principalmente a liderança da CGTP (controlada antidemocraticamente pelo Partido Comunista), negaram-se a organizar e dirigir essa luta, em nome de seus próprios cálculos eleitorais.
Uma vitória da luta operária e popular teria colocado o pacto corrupto dos partidos do Congresso na defensiva e aberto o caminho para que as reivindicações das organizações operárias e populares assumissem o primeiro plano, como ocorreu com a greve dos trabalhadores e trabalhadoras rurais após a queda de Merino, que derrubou a Lei Agrária fujimorista.
Mas não foi assim. Com isso, os partidos reformistas, que se autodenominam “de esquerda”, traíram os interesses imediatos dos setores operários e populares e, como consequência indireta, enterraram, inclusive, suas próprias possibilidades eleitorais, em função das quais venderam a luta.
Nada a esperar
Como será esse Congresso corrupto e reacionário que elegerá o próximo presidente ou presidenta do país, nós, trabalhadores e trabalhadoras e o povo pobre, não temos nada de positivo a esperar.
Será um governo igualmente corrupto, reacionário e incapaz de atender às demandas mais sentidas da classe operária e do povo, que manterá a linha repressora que Jerí impôs com os “estados de emergência” para garantir um processo eleitoral sob medida para os próprios partidos do Congresso.
Por isso, o único caminho que temos, nós, trabalhadores e o povo, é retomar nossa mobilização franca e consequente. Está claro que os dirigentes nacionais estão com a cabeça nas eleições e não na organização da luta. Por isso, é urgente debater em cada fábrica, mina, universidade e local de trabalho, a necessidade de realizar uma grande greve nacional, como as realizadas pelos trabalhadores do transporte, para exigir soluções concretas e imediatas para nossos problemas e demandas.
Não temos motivo algum para esperar do novo governo — nem do que for eleito pelo Congresso, nem do que for eleito em abril/junho — qualquer mudança ou solução.
Retomemos a mobilização operária e popular!
Assembleias de base para discutir e votar a mobilização unificada!
Prisão e confisco imediato das contas e bens de todos os corruptos, começando por Jerí!
Plano de luta e greve nacional contra a criminalidade, a impunidade policial e das Forças Armadas!
Pelo julgamento e punição dos corruptos e assassinos e em defesa do trabalho!
