A greve nos IFs cresce em todo o país como resposta ao aprofundamento dos ataques contra os trabalhadores da educação. Servidores de diferentes universidades têm denunciado o arrocho salarial, os cortes no orçamento, a precarização das condições de trabalho e o descumprimento dos acordos firmados após a greve de 2024. A mobilização expressa a revolta acumulada da base diante da política econômica do governo e da atuação das direções sindicais que ajudaram a encerrar a última greve sem garantir as conquistas necessárias à categoria.
Enquanto a inflação corrói salários e as universidades seguem sem investimentos suficientes, os gastos com custeio real foram reduzidos em mais de 57% entre 2014 e 2025. O governo mantém o arcabouço fiscal, priorizando o pagamento da dívida e os interesses dos grandes empresários e banqueiros. A realidade vivida pelos trabalhadores demonstra que não há saída para a educação pública sem um enfrentamento direto às políticas de ajuste e austeridade.
Governo Lula contra os trabalhadores
O governo Lula mantém os ataques contra a classe trabalhadora por meio do arcabouço fiscal, dos cortes no orçamento da Educação e da manutenção da precarização dos serviços públicos. Mesmo após a greve de 2024, não houve um avanço concreto para os servidores dos IFs. A política econômica do governo segue garantindo lucros para banqueiros e empresários, enquanto trabalhadores acumulam perdas salariais e piora das condições de vida.
O governo Lula não revogou nenhum ataque implementado por Temer e Bolsonaro, e os ataques aos servidores públicos só se intensificaram. Passados 2 anos do acordo de greve assinado, cresce entre os servidores a sensação de decepção e indignação, devido ao descumprimento do acordo. Não bastando a enrolação, a possibilidade de redução da jornada retrocedeu. A Lei 15.367/2026 restringe a possibilidade de 30 horas, suprimindo o público interno.
Não existe defesa consequente da educação pública com a aplicação de uma política de ajuste fiscal contra os trabalhadores.
Direções sindicais boicotam as greves
As direções do ANDES-SN, SINASEFE e a maioria da direção da FASUBRA tiveram papel central na desmobilização da greve de 2024, apresentando acordos rebaixados e que sequer foram cumpridos pelo governo. É preciso lembrar que o acordo de greve não foi cumprido em sua integralidade também para as bases do Sinasefe e Andes-SN. Neste ano, após uma longa enrolação do governo Lula, Sinasefe e Andes sequer trabalharam para mobilizar suas bases e aderirem à greve da Fasubra, servindo, ao fim, como um colchão de proteção do governo.
Em uma reunião com reitores, em meio à forte greve de professores, técnicos e estudantes de 2024, Lula afirmou que os sindicalistas corajosos sabem o momento de encerrar a greve. Ali, Lula demonstrou que não haveria mais negociação com os trabalhadores em greve. Seguindo as ordens de Lula, as burocracias sindicais se mobilizaram para assinar um acordo com muitas promessas de discussão.
Apesar do esforço das burocracias sindicais para boicotar a greve, a base compreendeu que é necessária a mobilização dos trabalhadores. Diante da intransigência do governo e da paralisia das direções, é urgente intensificar a greve e radicalizar as ações de pressão. As recentes mobilizações no MGI, em 15 de abril, e as ações combativas no Rio Grande do Sul, em 7 de maio, devem servir de exemplo para todo o país. Só a ação direta da categoria, ocupando espaços e tensionando os centros de poder, será capaz de demover o governo de sua postura irredutível e arrancar conquistas.
É necessário fortalecer a organização independente, ampliar a pressão política e construir uma greve capaz de enfrentar o governo e as direções burocráticas que atuam para conter a luta!
A falsa polarização entre Lula e Bolsonaro não oferece solução aos trabalhadores da Educação. Bolsonaro atacou brutalmente as universidades e os serviços públicos. Lula mantém os cortes, o ajuste fiscal e o arrocho salarial. Ambos governam em favor dos interesses de empresários, de banqueiros e de setores que lucram com a destruição dos direitos sociais.
As perdas acumuladas dos trabalhadores não serão recuperadas por meio da confiança eleitoral nesses projetos políticos. Somente a mobilização independente, a organização da base e a luta coletiva podem impor derrotas aos ataques contra a Educação e os serviços públicos.
- Fortalecer a greve e organizar a base!
- É preciso transformar a insatisfação em organização!
A luta em defesa da educação pública passa pela organização dos trabalhadores que seja independente de governos e patrões. É necessária a construção de uma alternativa de combate aos ataques do governo e dos setores que sustentam o ajuste fiscal contra o povo trabalhador.
