É preciso construir uma alternativa operária, socialista e revolucionária!
Venha construir essa alternativa com o Altino metroviário e o MPR!
Camaradas,
Primeiramente, gostaria de reivindicar a retomada da discussão sobre as eleições, que, no meu entendimento, contribui para corrigir a forma aligeirada e confusa adotada pela direção e, dessa forma, possibilita fazer o ajuste necessário da política aprovada, sob pena de cairmos numa política abstencionista. Aproveito também para me desculpar por não ter encaminhado antes essa pequena contribuição devido à sobrecarga de trabalho e tarefas (matéria, núcleo, plenária, reunião, grupo, etc.), em que pese tenha apresentado recurso ato contínuo da reunião da direção pelo retorno da discussão, que espero possamos avançar numa elaboração coletiva que arme o MPR da melhor forma para a disputa política nas lutas e nas eleições de 2026.
Neste sentido, é muito importante lembrarmos dos estudos e das conclusões do “Seminário sobre a participação dos revolucionários nas eleições”, realizado à época no PSTU, no qual concluímos que a tradição do marxismo revolucionário é que a intervenção dos revolucionários nas eleições está pautada pela apresentação e propaganda do programa revolucionário e, para tanto, o lançamento de candidaturas próprias é a regra, ao contrário das sucessivas frentes eleitorais, que chamamos ou constituímos ao longo de anos no PSTU, que serviram para deseducar a militância numa lógica de frente permanente e de alentar a possibilidade de unir revolucionários e reformistas.
Assim, desse ponto de vista, diante do cenário eleitoral do país em que se enfrentam centralmente as duas candidaturas burguesas de Lula e Bolsonaro e da capitulação da esquerda reformista, inclusive o PSTU, para apoiar Lula, é fundamental a intervenção dos revolucionários nesse processo no sentido de chamar o conjunto dos trabalhadores e das trabalhadoras a não sucumbirem à lógica campista do reformismo e a lutarem e votarem contra as candidaturas burguesas de Lula e de Bolsonaro no 1º e no 2º turnos e a construírem uma alternativa operária, socialista e revolucionária com Altino, metroviário e o MPR.
Destaco o profundo desgaste e a crise do governo Lula, bem como o enorme descrédito de um grande setor de massas com a ultradireita, como expresso nas últimas pesquisas, feitas por diferentes institutos, que demonstram um grande setor que não se identifica com qualquer uma dessas duas alternativas burguesas.
Dessa forma, entendo que, para além da denúncia e luta contra as candidaturas burguesas de Lula e de Bolsonaro no 1º e no 2º turnos, é fundamental a construção e apresentação de um programa operário, socialista e revolucionário que, a partir da defesa da ruptura com o imperialismo, da defesa da Palestina e do Irã, da denúncia do governo Delcy, da derrota do governo Lula e governadores, do combate aos partidos reformistas, pelo fim do ajuste fiscal, do pagamento da dívida aos banqueiros, da anulação das reformas constitucionais, da reforma e revolução agrária, entre outras medidas, mas, sobretudo, da defesa da auto-organização e mobilização dos trabalhadores para que tomem o poder e governem, pois somente a ditadura do proletariado poderá dar passos no sentido de dar fim a esse sistema de exploração e opressão e, para isso, a necessidade da construção de um novo partido revolucionário, o MPR.
Sabemos que, nesse contexto eleitoral de polarização retroalimentada pelos dois campos burgueses majoritários, não restará outra alternativa para os trabalhadores no 2º turno senão o “voto nulo”. Porém, reduzir o nosso programa e a nossa política nas eleições unicamente ao chamado do “voto nulo” não contribui nem para a propaganda e a agitação do programa revolucionário nem para a construção do MPR, pois desvia a discussão do programa e da construção do MPR para a tática do voto, que não ajuda a desmascarar o reformismo e sua capitulação ao imperialismo e ao governo burguês de Lula.
Os companheiros do Secretariado procuram justificar tal política sob o argumento de que o 2º turno está antecipado, o que não merece melhor sorte, pois, mesmo nessa hipótese, é obrigação dos revolucionários apresentar uma alternativa programática e organizativa de classe, revolucionária e socialista, e não se limitar à tática do voto, e que, tampouco, essa alternativa pode ser simplificada meramente com um chamado a vir ao MPR de forma autoprolamatória.
Assim, reduzir nossa política eleitoral ao “2º turno” é, em essência, não só despolitizar a enorme disputa que vamos travar contra os partidos reformistas, mas é, na prática, uma política abstencionista que conspira contra a apresentação do nosso programa e a construção do MPR. Vejo que há um desprezo pela luta e pela defesa do programa e a redução da campanha ao 2º turno.
Outra confusão que os companheiros fazem é pelo fato do MPR não ser um “partido legalizado” e pelas limitações de campanha do MPR. No meu entendimento, as limitações decorrentes da legislação e da não legalização do MPR como partido eleitoral não impedem uma campanha política de propaganda e agitação do MPR. A não legalização do MPR não impede uma campanha política de propaganda e de agitação do programa do MPR. Sabemos que não teremos as vantagens dos partidos legais, mas, mesmo na hipótese da legalidade, as vantagens hoje em dia são cada vez menores, haja vista os próprios resultados do PSTU.
Não podemos reduzir nosso programa e política à tática do voto nulo do 2º turno. Não podemos desprezar o período de pré-campanha eleitoral e do 1º turno, que não só é o maior período da campanha eleitoral, como o melhor período para a disputa da política programática, entre outras questões, porque a pressão do voto “útil” é menor do que no 2º turno.
Neste sentido, é legítima a discussão sobre voto crítico no PSTU, cessão de legenda, voto nulo no 1º. Turno e outras táticas. Em que pese a centralidade da disputa nacional e o segundo turno, a primeira fase de campanha não pode ser ignorada, sobretudo pelo nosso peso, pois é um momento em que as pressões são menores e há mais abertura para debates e disputa política dos ativistas.
Neste sentido, há que se considerar o conjunto das hipóteses, inclusive o voto crítico e a cessão de legenda, dos quais não sou adepto, mas que são táticas legítimas. Com certeza, a defesa do programa de democracia operária e a exigência aos partidos operários da cessão de legenda de forma incondicional e sem vetos devem ser parte da nossa política, independentemente da opção tática que venhamos a optar, porém, é parte de uma política de educação da vanguarda.
Outro aspecto que é ignorado pelo secretariado, mas que é tradicional nas eleições, é o período de pré-campanha em que muitos partidos lançam pré-candidatos para testarem suas políticas sem o compromisso de manutenção de candidaturas e nomes. Nesse contexto de organização e fundação em que ainda se encontra o MPR, podemos recorrer a essa tática de pré-campanha como instrumento para popularizar nossa política e programa, construir uma figura pública e, com mais elementos, poder definir melhor mais à frente nossa atuação no 1º turno.
É importante levar em consideração todos esses elementos, pois, em que pese não sermos um partido legalizado, reunimos uma coluna de quadros com longa tradição e história no movimento, vindos de uma batalha que marcou e delimitou campo com o reformismo e que nos dá grande autoridade na vanguarda das lutas e em setores da classe em que intervimos. A isso agrego um elemento que considero importante, que é a figura do nosso companheiro Altino Metroviário que, em minha opinião, nesse momento é a maior figura pública do trotskismo no país, superior ao Hertz e a Vera do PSTU, sendo um porta-voz por excelência do nosso programa, do programa do MPR.
Diante disso, a partir das discussões e de ouvir os camaradas, defendo que lancemos já no 1º de Maio uma campanha política “contra as candidaturas burguesas de Lula e de Bolsonaro no 1º e no 2º turnos e pela construção de uma alternativa operária, socialista e revolucionária para a crise pela qual passa o país” e que utilizemos a figura do companheiro Altino metroviário, como o porta-voz dessa campanha do MPR no sentido da construção de um “tribuno popular” na melhor acepção da concepção de Lenin de “Tribuno do Povo”, que não é apenas um dirigente sindical, mas um revolucionário capaz de, a partir da denúncia de cada injustiça, politizar as massas e elevar a luta para um nível nacional e socialista.
Por ocasião do anúncio do pedido do meu recurso, apresentei inicialmente a proposta de uma anticandidatura de Altino Metroviário para presidente e o pré-lançamento no Congresso da CSP de um manifesto “Contra o governo e as candidaturas burguesas de Lula e Bolsonaro, a alternativa para os trabalhadores é revolucionária e socialista: Altino Metroviário pré-candidato a presidente! Construir o MPR!” Posteriormente, alguns companheiros e o próprio secretariado fizeram algumas ponderações e me convenceram da desproporção dessa política para o que é o MPR, sobretudo nesse momento ainda fundacional. Assim, numa segunda discussão, fiz então uma adequação e apresentei para a discussão a proposta de aproveitar esse período de pré-campanha eleitoral e lançar uma pré-campanha do MPR em torno dos seguintes eixos:
1 – “Contra os governos e as candidaturas burguesas de Lula e Bolsonaro no 1º e no 2º turno!”
2 – “Construir uma alternativa operária, socialista e revolucionária para saída da crise!”
3 – “Venha com Altino Metroviário e o MPR construir essa alternativa.”
Agrego a proposta da apresentação de um Manifesto Nacional para discutirmos amplamente nas estruturas, locais de trabalho, estudo, moradia, sendo que, a nível regional, podemos e devemos agregar à figura do Altino Metroviário nesse chamado as nossas figuras regionais, como Lucas, Dayse, Beth, etc., de modo que possamos, a depender do desenvolvimento da pré-campanha, avaliarmos mais à frente o que fazer, mas já a partir de um teste na realidade, sem ter o compromisso por uma definição imediata.
Enfim, se em razão das limitações legais e do próprio processo de construção do MPR, que ainda é um grupo fundacional, não temos condições para táticas mais ousadas, entendo que a realização de uma pré-campanha do MPR em torno dos eixos: 1 – “Contra os governos e as candidaturas burguesas de Lula e Bolsonaro no 1º e 2º turno!”, 2 – “Construir uma alternativa operária, socialista e revolucionária para saída da crise!”, 3 – “Venha com Altino Metroviário e o MPR construir essa alternativa” a partir de um Manifesto Nacional possibilita afirmar, pela positiva, uma alternativa política e programática e não reduz nossa política ao voto nulo no 2º turno, que é meramente negativa e que, no meu entender, corremos o risco de na prática cair num abstencionismo e não fazer a devida disputa política, programática e enfrentamento aos partidos reformistas. Assim, podemos testar melhor o espaço do nosso programa na realidade. Sem dúvida, a figura do Altino Metroviário personifica um programa, uma alternativa que devemos levar às fábricas, escolas, universidades, sindicatos, debates, jornais, redes sociais etc. E, sobretudo, a pré-campanha possibilita animar e ordenar nosso pré-congresso em torno da discussão política/programática e de construção ao testar amplamente no movimento.
Saudações revolucionárias.
