Nós somos comunistas e, portanto, lutamos para que a classe trabalhadora tome o poder por meio de uma revolução, que será necessariamente violenta, e exproprie a burguesia. Não há caminho pacífico para o socialismo, pois a burguesia reagirá com extrema violência diante da expropriação.
As eleições nos países capitalistas não são o caminho para a classe trabalhadora tomar o poder. Ao contrário, são o caminho para a manutenção da burguesia no poder. É praticamente impossível para um partido operário, socialista e revolucionário vencer as eleições, visto que a ideologia dominante em todo estado capitalista é a da classe dominante, ou seja, a burguesia.
O sufrágio universal é uma armadilha da burguesia para manter sua dominação, porque prevalecem o poder econômico e político dos partidos e candidatos burgueses, os meios de comunicação em seu poder e as regras discriminatórias contra os partidos revolucionários.
Apesar disso, as organizações marxistas defendem as eleições quando são proibidas por um golpe militar ou qualquer outra medida autoritária.
E, mesmo se um partido operário ou revolucionário vencesse as eleições — algo praticamente impossível —, as instituições do Estado burguês, o sistema judiciário e, em última instância, as forças armadas, impediriam a expropriação da burguesia. A história demonstra que nenhum partido operário revolucionário jamais conseguiu tomar o poder e expropriar a burguesia por meio de eleições.
É por isso que os marxistas, embora participem de eleições, não constroem partidos para vencer eleições ou acumular cada vez mais deputados, ao contrário dos partidos burgueses e reformistas.
Os partidos revolucionários não são máquinas eleitorais, mas partidos de combate, concebidos para conquistar a maioria da vanguarda operária e mobilizar toda a classe trabalhadora e o povo em direção à tomada do poder por meio de uma revolução.
Os partidos revolucionários participam de eleições burguesas porque este é um momento excepcional para divulgar amplamente o programa marxista. Seguindo o conselho de Lenin, só podemos boicotar eleições, de forma ativa, quando a luta de classes permitir que a classe trabalhadora armada tome o poder.
A “democracia” burguesa restringe a participação das organizações revolucionárias
O MPR não tem legalidade para participar das eleições e não poderá ter candidatos. Isso não é casual. Durante a chamada Nova República, sob os governos burgueses do PMDB, PSDB, PL e, fundamentalmente, dos cinco governos do PT, foram impostas cada vez maiores restrições à legalização e funcionamento de novos partidos, especialmente os revolucionários.
Essa é uma realidade em todos os países com regimes democráticos burgueses. Mas poucos têm tantas restrições à legalização de partidos quanto o Brasil. Por isso, o MPR ainda não tem legalidade e não apresentará candidatos nestas eleições. Mas isso não nos impede de ter uma posição política e participar da campanha eleitoral para divulgá-la e, principalmente, para chamar à construção de um novo partido revolucionário.
Pela construção de um novo partido operário, socialista e revolucionário
A participação dos marxistas nas eleições burguesas tem como principal objetivo o avanço da construção partidária. Isso sempre acontece, mas, neste momento, assume um significado especial, porque a capitulação da chamada “esquerda” brasileira demonstra claramente a necessidade de construir um novo partido revolucionário. Portanto, a conclusão lógica do nosso programa eleitoral é o chamado a todos os lutadores, aos trabalhadores e ao povo, e particularmente à juventude, para que se unam ao MPR.
Publicada originalmente no Jornal do MPR nº 0.
