Logo após a invasão à sede do MLTI (Movimento de Luta dos Trabalhadores Independentes) e depredação de seus bens materiais e políticos, ocorrida no dia 4 de junho, novas ameaças tiveram início. Alguns dias depois, fizeram circular um vídeo com dois carros sem identificação nas proximidades da sede do Movimento, no qual uma pessoa dentro de um dos veículos grava a sede do MLTI com um aparelho celular e, em seguida, a contorna, demonstrando explicitamente o monitoramento do local.
Algumas semanas depois, uma pessoa do sexo feminino bateu à porta da sede, oferecendo algo para vender; contudo, a pessoa desconhecida perguntou por Yone Cornélio, uma das coordenadoras do MLTI, e também questionou sobre a quantidade de pessoas que haveria naquela residência. Segundo Júlio Ferraz, líder do MLTI, esta pessoa é uma pistoleira conhecida na região e age a mando dos bandos milicianos que existem no estado do Amazonas.
Recentemente, a sede foi alvo de uma nova invasão sorrateira, só que desta vez deixaram um recado: além de devolverem o sapatinho do primeiro filho de Júlio Ferraz, furtado na primeira invasão – o que foi informado à Polícia Civil no registro do Boletim de Ocorrência -, também deixaram um bilhete direcionado a Yone Cornélio, com tons bíblicos que remetem a passagens do Apocalipse. A mensagem possivelmente é uma pista deixada com o propósito de confundir a autoria das ameaças e intimidar as lideranças do MLTI.

Por que Yone Cornélio é um alvo?
Yone é mãe de Luiz Omar, jovem de 15 anos que foi sequestrado e executado em outubro de 2023, cujo corpo foi encontrado, 2 anos depois, com fortes indícios de execução. A suspeita recai sobre milicianos. O caso aconteceu durante o governo passado, sem que as autoridades policiais locais tivessem se empenhado nas investigações. Diversas situações bastante suspeitas e comprometedoras ocorreram, como a recusa da investigação e o enterro do jovem, na condição de indigente, em Parintins, cidade distante de sua residência, sem autorização de seus familiares.
Além da investigação paralela que familiares e amigos do MLTI promoveram, que trouxe à tona várias provas, Yone protocolou um processo na justiça pedindo a reparação financeira pela morte de Luiz Omar contra o Estado, por negligência com seus restos mortais, o que também ocorreu no governo passado.
O MLTI é um movimento de luta por moradia que manteve sua independência política e não capitulou à prefeitura, ao governo do Estado ou ao governo federal. O Movimento tem enfrentado e denunciado os grupos políticos locais do Amazonas, que vão da ultradireita bolsonarista ao Centrão, e luta pelo direito à moradia e pelos Direitos Humanos. Foi este enfrentamento que levou ao sequestro e à execução de Luiz Omar e agora, com o processo na justiça, Yone e seus principais dirigentes estão sob risco de vida.
É necessária a mais ampla solidariedade a Yone e Júlio Ferraz, além da ampla divulgação das ameaças sofridas.
- Todo apoio ao MLTI!
- Federalização do caso Luiz Omar, já!
- Não à criminalização dos movimentos sociais!
- O governo Lula, o governo estadual e o prefeito serão politicamente responsabilizados caso ocorra algum atentado contra a vida de Júlio e Yone!
