Foi encerrada, no último dia 21 de maio, a maior greve da educação municipal de São Paulo dos últimos anos. A última assembleia foi bastante confusa devido à condução da COEDUC (Coordenação de Entidades Sindicais Específicas da Educação), o que contrastou com a grande disposição de luta dos educadores ao longo das assembleias. Sem dúvida, poderíamos ter saído dessa luta arrancando mais conquistas do governo Nunes (MDB).
Após duas paralisações nos dias 6 e 15 de abril, a greve foi deflagrada no dia 28 do mesmo mês. Nunes ofereceu apenas 3,51% de reajuste, dividido em duas vezes, além de ampliar para 30% a proporção de contratos precários na rede (professores e funcionários), aumento das etapas para os ingressantes tomarem posse em concurso de ingresso e a transformação do cargo de Professor de Educação Infantil (PEI) em Professor de Educação Infantil e Fundamental I (PEIF).
Além do reajuste abaixo da inflação, essas medidas, que compõem uma pequena reforma administrativa, contribuem para a precarização da educação ao ampliar, para um terço, a proporção de trabalhadores submetidos a contratos precários. Esses servidores terão mais dificuldades em aderir às greves, por não terem direito à estabilidade, e ficarão mais vulneráveis à arbitrariedade e ao assédio moral.
Já a possibilidade de transformação de PEI em PEIF é uma tentativa de pressionar as professoras dos Centros de Educação Infantil a pedir remoção para as EMEIs e EMEFs e, assim, facilitar a privatização completa das creches, colocando esses cargos em vacância.
Por tudo isso, os servidores enfrentaram o governo e fizeram as maiores assembleias de uma categoria na cidade de São Paulo, com passeatas de 30 mil, parando a maior cidade do país e derrotando, inclusive, a tentativa de Nunes de judicializar e criminalizar a greve.
Por que, então, não conseguimos avançar?
Hoje no país, a maioria dos sindicatos é dirigida por burocracias governistas. Burocracias, porque são dirigentes afastados há tempos de seus postos de trabalho e defendem seus cargos sindicais para manter seus privilégios. Governistas, porque apoiam o atual governo Lula/Alckmin, que gerencia o sistema capitalista no país. Sua estratégia, portanto, não é lutar pelos interesses da base, mas sim pelos dos governos que apoiam.
Para tanto, o COEDUC, dirigido pelo Sinpeem (filiado à CUT), constrói uma “mobilização controlada”. Ou seja, chamam a greve nas assembleias, mas desconstroem o movimento nas regiões, não colocando os aparatos sindicais à disposição dos Comandos de Greve, como subsedes, materiais, alimentação, combustível, etc. Conduzem as assembleias com autoritarismo, impedindo que os trabalhadores defendam propostas e deixando a base confusa em relação aos encaminhamentos.
Outra expressão desse controle é o sectarismo de não construir unidades de ação com a greve dos servidores, dirigida pelo Fórum das Entidades (outra burocracia dirigida pela CUT), nem com a greve das universidades paulistas. Caso a mobilização se torne um ascenso de lutas generalizado, novas direções, mais radicais, surgirão e, fatalmente, questionarão toda a política pública para os servidores, chocando o movimento não apenas contra o governo de SP, mas também contra o governo federal.
Quais são as nossas tarefas agora?
A prefeitura segue pressionando as escolas a apontar o desconto de dias parados por meio da Instrução Normativa nº 24. Somente após pressão da categoria, os sindicatos formaram fundos de greve. Não apenas os sindicatos, mas também as centrais precisam participar desse esforço, como a CUT, a CNTE, a CTB e a CSP-Conlutas. O Fundo é parte da solidariedade de classe, essencial para as lutas que virão.
A outra é discutir o balanço da greve nas escolas, valorizando a disposição de luta da categoria. Não é por meio das eleições nem da confiança no Parlamento que teremos conquistas. É na luta direta (paralisações, greves, passeatas, ocupações, atos regionais, comandos de greve) que os trabalhadores podem se defender dos ataques e reivindicar condições de trabalho. É possível enfrentar e derrotar Nunes, Tarcísio e Lula.
Mas a tarefa mais importante é construirmos, pela base, novas direções sindicais. Pela cidade, diversos ativistas participaram ativamente dos Comandos de Greve. Esses lutadores foram, do ponto de vista político, a verdadeira direção da greve e se mostraram muito mais aguerridos e competentes em mobilizar a base das escolas do que a direção da COEDUC. Portanto, é possível forjar novas direções, mas é preciso dar um passo e organizar oposições combativas, classistas, internacionalistas e independentes dos governos, na perspectiva do socialismo.
