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Home»Tribuna Livre»Polêmica eleitoral»Crítica à proposta de tática eleitoral de Diego e Tarcísio
Polêmica eleitoral

Crítica à proposta de tática eleitoral de Diego e Tarcísio

08/07/2026Nenhum comentário6 Mins Read
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O debate entre revolucionários não deve ter medo de polêmicas e também não pode ser marcado por olhares fiscalizadores que tentem ditar o que pode ou não pode ser dito, qual forma de texto é correta e qual não. Estamos entre militantes que sentem paixão por debater política e, para isso, disputamos, no confronto de ideias, a melhor política a ser adotada.

1. — Nossa política é estratégica e programática

Os camaradas erram ao dizer que a política votada pela direção do MPR se resume a “Contra Lula e Bolsonaro, no 1º e no 2º turnos”, pois esse eixo é apenas um. Aí os camaradas deveriam incluir a denúncia do regime burguês e a saída estratégica da REVOLUÇÃO para a tomada do poder pela classe trabalhadora, único caminho para a libertação rumo à revolução mundial, além da construção da ferramenta que aspiramos a fundar em novembro: o PARTIDO. 

Os camaradas erram também ao defender uma diferenciação entre tática e política, como coisas separadas uma da outra, como se fosse possível para os revolucionários definir uma tática eleitoral sem política, ou definir uma política sem estratégia. E, como acabamos de dizer, a direção aprovou eixos importantes que extrapolam o “NEM NEM” entre Lula e Bolsonaro.

Se os camaradas acham que esse único eixo engloba nossa saída estratégica, o erro é muito maior.

A agitação inicial do CONTRA LULA E BOLSONARO foi um primeiro passo para incidir no debate eleitoral que está na boca do povo, dos ativistas, trabalhadores. Não é estratégico, não é propagandístico, não é programático, faz parte da construção que está em elaboração, por isso é motivo de debate e tem dado vida ao nosso Tribuna Livre. 

E vejam, camaradas, a política e a tática que venhamos a adotar não são temas menores, pois somos um movimento que aspira à construção de um novo partido revolucionário, diante da falência da esquerda; ou seja, tudo o que definirmos neste momento pode, sim, desmoronar ou edificar nosso projeto. Por isso, uma das tarefas principais que temos não é agitar apenas contra Lula e Bolsonaro, mas sim construir propostas programáticas que nos ajudem a nos construir, e nisso estamos atrasados.

2. – O erro se aprofunda na proposta do “TUDO BEM VOTAR POR QUALQUER UM QUE NÃO SEJA LULA NEM BOLSONARO”.

Para os camaradas, todos aqueles que votarem qualquer coisa à esquerda das duas principais candidaturas burguesas “estão aplicando nossa POLÍTICA de “‘Contra Lula e Bolsonaro’. Pelo menos no 1º turno”. Isso demonstra que os camaradas não enxergam a política votada inicialmente na DN que, como já dissemos, passa também pela denúncia da democracia burguesa e do regime burguês, em defesa da revolução socialista e pela construção do partido. Essa é a nossa política.

A opinião dos camaradas demonstra que estávamos certos ao dizer que a palavra de ordem do jornal nº 0 era insuficiente e secundarizava a denúncia ao regime, entre outros elementos, pois criou confusão e há no MPR um setor que acredita que nossa política se resume ao Contra Lula e Bolsonaro.

Os camaradas defendem “uma tática aberta e flexível”, que coloquemos nossos olhares na base e na periferia das organizações da UP, do PCB, do PSTU e dos anarquistas, que dialoguemos com todos esses setores. Isso se converterá em oportunismo, pois cada regional cederá às pressões dos setores que a cercam. O MPR será um Frankenstein sem uma cara própria para se apresentar diante de milhões de trabalhadores que não depositam confiança no jogo eleitoral. Se a DN aprovar tal política, abandonaremos esses milhões de trabalhadores para dialogar APENAS com alguns milhares. Ou seja, a tática que os camaradas propõem flerta com o sectarismo e o oportunismo ao mesmo tempo. Sectário ao ignorar os milhões de trabalhadores e o povo pobre que não ligam para esses partidos e não depositam confiança na democracia dos ricos, e oportunista ao propor que estaremos do mesmo lado da trincheira dessas organizações que devemos combater, ao menos no 1º turno. E isso, camaradas, não está NADA BEM.

2.1 – O MPR tem que ter uma política nacional pelo VOTO NULO no 1º e no 2º turnos.

Por isso, defendemos acertar nossa linha política, para que não gere confusão no período eleitoral. Para isso, é necessário trabalhar com ao menos 3 palavras de ordem que denunciem o regime, a falsa polarização e apresentem uma saída ao proletariado brasileiro.

Exemplo:
Abaixo o regime democrático-burguês, que só favorece os ricos. Pela revolução socialista.
Contra Lula e Bolsonaro e qualquer alternativa burguesa, nas lutas e nas urnas.

Construir já o partido do proletariado, socialista e revolucionário! Venha para o MPR!

E, para além desse ajuste, é urgente, como já dissemos, avançar na elaboração do programa de transição que apresentaremos à nossa classe trabalhadora.

Assinam:

Adrieli*, Carlos Oliveira, Gabriel Almeida, Lilian, Marcos Margarido e Renato.

*Nota de assinatura

Assino este documento porque tenho acordo com a polêmica em torno do documento de Diego e Tarcísio, especialmente na crítica à ideia de que nossa política eleitoral possa ser reduzida ao eixo “contra Lula e Bolsonaro” ou a uma tática aberta em que “tudo bem votar em qualquer alternativa” que não sejam as duas principais candidaturas burguesas. Também não tenho acordo com a posição defendida pelos companheiros e por outros membros da direção, que separa mecanicamente as questões táticas da política, como se não houvesse problema em apresentar publicamente uma política sem debate suficiente e, apenas depois, votar a tática eleitoral. Em Moreno, ainda que tática, política e estratégia não sejam a mesma coisa, elas tampouco aparecem dissociadas: a tática deve responder ao momento concreto da luta de classes, mas sempre subordinada à política geral, ao programa e à estratégia de construção do partido revolucionário.

Faço apenas um destaque: embora não seja o centro deste texto, considero que também precisamos fazer um balanço do método pelo qual a discussão eleitoral foi aberta. A política eleitoral gerou confusão na base e antecipou, na prática, o debate da tática, sem que houvesse uma discussão suficientemente profunda na direção e no conjunto da organização, ocasionando, inclusive, a confusão apontada por este documento sobre qual era, de fato, a nossa política eleitoral. Sem aprofundamento, o jornal produziu um entendimento fragmentado, como se nossa orientação se resumisse ao “Contra Lula e Bolsonaro”.

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