Por: Orlando Marcelino – Passo Fundo (RS)
Realizou-se em maio o XII Congresso Estadual do CPERS, sindicato dos trabalhadores em educação do Rio Grande do Sul. Infelizmente, o congresso resumiu-se a um palanque pré-eleitoral do PT/PSOL/Frente Popular, para defender sua aliança eleitoral com o PDT e lançar Juliana Brizola como candidata ao governo do estado para «derrotar a direita». Juliana Brizola e o PDT estavam, até há pouco tempo, no governo de direita de Eduardo Leite (PSD, ex-PSDB), principal inimigo dos trabalhadores da educação no estado!
E isso num momento de mobilizações de docentes mexicanos, do processo revolucionário na Bolívia, das lutas da educação Brasil afora, como em Florianópolis, São Paulo e inclusive em cidades do RS, como Canoas, além da greve nacional dos trabalhadores das universidades federais, como na UFRGS. Há greves da educação por todo o país justamente porque todos os governos do país, incluindo o governo Lula, e os governadores e prefeitos, de todos os partidos, aplicam o mesmíssimo projeto de destruição da educação pública. Por isso, é mais necessário do que nunca unificar a educação em todo o país, rumo a uma greve nacional. Mas a direção do CPERS pensa o oposto: que uma greve nacional da educação atrapalha seus candidatos. Por isso, limita-se a iniciativas jurídicas, em vez de construir paralisações e greves.
O Congresso, que poderia ter 2 mil delegados, teve 1.500, com muitas quebras. A categoria não viu importância num congresso assim; muitas assembleias de base não tiveram, sequer, quórum suficiente. Foi um congresso esvaziado e majoritariamente composto por aposentados, escancarando o distanciamento da direção do sindicato em relação à base mais jovem e precarizada. O Congresso ocorreu sem discussão na base; houve apenas painéis e votação de resoluções. Um congresso burocrático, que aprovou aumentar o mandato da diretoria de 3 para 4 anos.
Infelizmente, a chamada oposição (PSTU e setores do PSOL) não se colocou como alternativa, não realizou uma disputa profunda nas assembleias de base e priorizou a apresentação de suas próprias candidaturas no congresso, em vez de organizar a base e construir uma alternativa sindical e política. É refém de sua política de se centrar no «combate à direita», deixando em 2º plano a denúncia de Lula/PT/PSOL. Não conseguiu se afirmar como alternativa ao governo Lula e ao programa da Frente Popular para o Rio Grande do Sul.
De parte do MPR, foi sua primeira aparição diante da categoria, apresentando, na medida de suas pequenas forças, suas posições e estabelecendo contatos com os trabalhadores da educação.
