Considerando que:
- Após mais de 3 anos de governo Lula/Alckmin, a vida dos trabalhadores segue marcada por dívidas, perda de direitos e ataques. Nenhuma reforma dos governos anteriores, incluindo as feitas pelo próprio PT, bem como as de Temer e de Bolsonaro, foi revogada. As queimadas seguem nos níveis mais altos da história; os indígenas seguem sendo mortos por fazendeiros que ocupam suas terras; negros, mulheres e LGBT+ seguem sofrendo com violência policial, feminicídio recorde e LGBTfobia crescentes. Trabalhadores federais e de estatais (petroleiros, dos Correios e bancários) são atacados, têm seu efetivo reduzido, salários arrochados e direitos retirados. Os juros altos e medidas como a reforma tributária retiram ainda mais dos pobres e beneficiam a grande burguesia.
- A isenção do IRPF para quem ganha até 5 mil só passa a valer no último ano do mandato, quando esse valor representa cerca de 3 salários mínimos (quando a promessa original era isentar quem ganha até 5 salários, o que hoje seriam R$ 8105) e sem qualquer correção na tabela do IRPF, que já acumula cerca de 160% de defasagem.
- Os programas sociais seguem mantidos e há um aparente baixo desemprego, mas isso não esconde a realidade de que as pessoas não aparecem como desempregadas nem no “mapa da fome”, mas estão trabalhando na informalidade ou com bicos, em condições precárias, sem direitos trabalhistas, sem assistência médica e com salários baixíssimos e jornadas extenuantes.
- A tática do governo e de seus defensores nos movimentos sindical, popular, estudantil e de luta contra a opressão é ameaçar os trabalhadores com o perigo do “fascismo” e com a ideia de que, se está ruim com eles, ficará pior sem eles. É mais ou menos o que a outra fração burguesa, hegemonizada pelo bolsonarismo, faz com os trabalhadores, ameaçando-os com os riscos do “comunismo”. O PT e a Frente Ampla, de um lado, e o bolsonarismo e seus satélites, do outro, são os dois lados da mesma moeda da exploração burguesa – as duas alternativas burguesas, que expressam diferentes frações da burguesia, com métodos e retóricas distintas, mas com o mesmo conteúdo: a defesa da burguesia financeira, comercial e do agronegócio. É falsa a polarização entre eles, que são inimigos eleitorais, mas que estão na mesma trincheira de classe contra os trabalhadores. Os inimigos reais dos trabalhadores são o PT e o PL ao mesmo tempo, mas, mais do que eles ou o governo de plantão, são a burguesia (banqueiros, grandes empresários, industriais, donos do agronegócio, etc.) e o Estado burguês, na forma do Congresso, da Justiça, das Forças Armadas, dos governos e de todas as suas instituições.
- Na última eleição, em 2022, a maioria da burguesia (Fiesp, grande imprensa, Fenaban com os maiores bancos, empreiteiras, grandes empresários) optou por Lula como gerente de seus negócios. Além de ele ser o preferido do imperialismo europeu e dos Estados Unidos (governo Biden à época), com franco apoio de seus líderes.
- Por outro lado, Bolsonaro teve o apoio de setores marginais de empresários dos ramos da alimentação, vestuário, segurança privada e o apoio pesado do agronegócio.
- Agora, Bolsonaro está preso e inelegível, e a direita tradicional ainda está dividida sobre qual ou quais candidato(s) lançar. Mas a falsa polarização segue muito semelhante, com o lado frente amplista definido por um 4º mandato de Lula.
- A burguesia está essencialmente satisfeita com as medidas do governo Lula/Alckmin, que se empenharam em aprovar o “arcabouço fiscal”, a Reforma Tributária, o novo acordo do Mercosul com a EU, a abertura de novos mercados aos exportadores, e também com o arrocho dos salários e compromisso com uma reforma administrativa, além da possível abertura de capital dos Correios, enxugamento das estatais e ausência total de medidas que pudesse contrariar seus interesses, como a reforma agrária ou urbana; redução da jornada de trabalho, etc. Há uma divergência interburguesa sobre a taxa de juros, mas nada tão grave, e os detentores dos meios de produção sabem que Lula ou quem vier do campo “bolsonarista” seguirá fiel aos seus interesses.
- Provas disso são as aprovações com folga da maioria dos projetos e dos mais importantes na Câmara e no Senado, e o fato de, até hoje, “bolsonaristas” estarem no governo Lula, ocupando ministérios e milhares de cargos, manejando orçamentos bilionários, além de seguirem irrigados com emendas no mesmo estilo do “orçamento secreto”. A “direita” e a “esquerda” do espectro político burguês estão juntas até mesmo no escândalo do banco Master, nas fraudes do INSS, na distribuição de emendas, etc.
- No capitalismo, quando a exploração se dá por meio da democracia burguesa, a “legitimidade” da exploração é sustentada na vitória nas urnas, na “vontade popular”, mesmo que nenhum dos últimos governos eleitos tenha tido nem perto da metade dos votos dos eleitores, considerando quase 30% de abstenções, votos nulos e brancos somados.
- Os governos burgueses que se apresentam como “populares” ou “de esquerda” fazem isso ainda mais cinicamente, mas não são menos inimigos por isso. E a ameaça do fantasma do fascismo reforça esse discurso falacioso de que o PT é o inimigo menor ou que representa um campo burguês progressivo.
- Por sua vez, os trabalhadores estão insatisfeitos com o governo Lula, com o índice de reprovação maior do que o de aprovação há muito tempo; da mesma maneira que a maioria tampouco quer o retorno de um governo bolsonarista.
- Os lutadores devem fazer oposição frontal a governos como o de Lula, lutando contra todas as suas medidas, tentando derrotá-los e tendo como horizonte estratégico a sua derrubada por meio de mobilizações populares e de organismos de duplo poder. Tal como devemos fazer contra qualquer outro governo burguês.
- Diante de governos de Frente Popular ou mesmo de governos burgueses “normais” com uma aparência mais à esquerda, a necessidade de termos uma organização própria, com uma política firme contra todos e por uma saída revolucionária é ainda maior.
- Infelizmente, hoje temos milhares de sindicatos, associações estudantis e populares, movimentos feministas, de luta contra a LGBTfobia, de negros e de indígenas apoiando este governo inimigo dos trabalhadores, dos explorados e dos oprimidos, e a adesão completa do PSOL ao governo e seus cargos é a expressão mais escandalosa disso, com 2 ministros “socialistas” sendo colegas da escória da burguesia e atacando diretamente os trabalhadores e indígenas, com Guilherme Boulos e Sônia Guajajara (e o PSOL como partido) atuando como inimigos de toda a nossa classe.
- Nossa luta deve ser contra a burguesia e seus governos, e também contra as organizações que fazem parte desses governos, como o PT, o PCdoB, o PSOL e outras, que são braços dos nossos inimigos dentro das nossas trincheiras.
- A CSP-Conlutas não pode fazer isso tudo. Mas, com uma política correta e priorizando a ação direta, pode ocupar um espaço muito maior e contribuir para a organização operária e popular necessária para construir uma alternativa de poder dos explorados e oprimidos.
- Infelizmente, a ausência de fóruns democráticos e de espaços de debate e organização entre os congressos da nossa central reflete-se também na ausência de grandes campanhas nacionais por fora das direções burocráticas, bem como numa incapacidade de disputar grandes setores para lutar contra o atual governo.
- Isso é um dos desafios mais importantes que temos pela frente: colocar a CSP-Conlutas na primeira linha da oposição de esquerda e do combate frontal ao governo Lula no que resta de 2026 e ao próximo governo que assumirá em 2027, armando a classe trabalhadora, os explorados e os oprimidos para derrotar este e o novo governo e preparar a luta pelo poder.
O Congresso da CSP-Conlutas resolve:
- Apoiar, impulsionar, unificar e multiplicar todas as lutas e greves em andamento, e construir e desenvolver a luta em todos os locais a que possamos chegar, com nossa política de agitação e propaganda.
- Fazer grandes campanhas em torno dos eixos mais sentidos pela maioria da população ou necessários para combater a estrutura da exploração, como a reversão da Reforma Trabalhista e da Previdenciária; o não-pagamento da dívida pública; a redução da jornada semanal para 36 h; o aumento geral do salário mínimo; a correção geral da tabela do Imposto de Renda; investimentos massivos em saúde, educação, moradia e transporte, etc.
- Organizar as lutas com um programa e uma direção revolucionários, combinando as demandas mais imediatas com a luta contra o capitalismo.
- Denunciar o governo Lula/Alckmin como quem tem o poder para resolver estes problemas e não o faz e, ao contrário, piora a situação, representando hoje o inimigo principal a ser combatido.
- Ser oposição de esquerda e combativa ao governo Lula/Alckmin, à sua candidatura e à de seus aliados, em outubro.
- Agitar nas massas a necessidade de unificar as lutas e de uma Greve Geral para derrotar os ataques de Lula, a ser construída pela base, sem autoproclamação ou ultimatos, mas de maneira séria e determinada. Mesmo sem haver condições imediatas para que esta agitação passe à ação, existe grau de consciência suficiente entre as massas para serem disputadas para uma saída da classe trabalhadora contra os dois campos burgueses majoritários e por fora da institucionalidade.
- Girar os organismos e a militância da Central para cada uma das lutas que já existem e fazer de tudo para que se multipliquem e se radicalizem.
- Lutar para envolver setores da classe trabalhadora que hoje não estão representados em sindicatos ou nas formas tradicionais e já domesticadas de luta, muitas vezes apenas de fachada e controladas pelas direções burocráticas apenas para fazer demonstrações, registrar fotografias, etc.
- Militar efetivamente para chegar aos bairros, fábricas, empresas, escolas, etc., lutando pelas reivindicações mais sentidas por estas massas, bem como pelos setores oprimidos de mulheres, negros, LGBT+, imigrantes e povos originários.
- Priorizar realmente a luta direta contra todos, convertendo estas lutas mais sentidas em lutas gerais, demonstrando que toda e qualquer reivindicação só pode ser atendida e mantida com o fim do capitalismo e com uma revolução socialista.
- Estimular também a autodefesa das manifestações, das organizações e da própria classe trabalhadora.
Assinam:
Adriana do Carmo – Oposição Educação/PA; Alexa ID – ativista LGBTQIA+ Petrópolis RJ; Alexandre Elias – Sinasefe IF Fluminense; Alexandre Leme – Diretoria Executiva dos Sind. dos Metroviários de SP; Aline Galhardo- Caixa Econômica/RN/FNOB; Altino Prazeres – vice-presidente do Sind. de Metroviários de São Paulo, Secretaria Executiva Nacional Conlutas; Ana Carolina Nicolay – professora da rede municipal de SP; Ana Paula P Barreto – Banrisul/Oposição Bancária/RS/FNOB; Angélica Olivieri – base do Sintrajud-SP; Barbosa – oposição Correios SP; Basílio – operário em Macaé RJ; Bernardo Cerdeira – aposentado CEF MNOB SP; Camila Oliveira – CA Geografia Udesc; Carlos Bruno – oposição Sintrasem/Florianópolis; Carlos Rogério Muller – oposição Sintrasem/Florianópolis; Cícero Dantas – Oposição Correios São Paulo; Cilda Sales – Coletivo Reviravolta/SEPE; Claudia Schumacher – oposição Correios/SC; Clausmar Luiz Siegel – operador de produção de petróleo e membro da direção do SindiPetroRJ; Clodoaldo Rodrigues – base do Sindicato dos Servidores Públicos Federais do Amapá; Cremilton Alves – oposição Correios/SP; Crispim de Souza – presidente da Associação dos Agricultores e Extrativistas do Maracá AP-ACAEXMA; Cristóvão Steck Brunelli – Aposentado Caixa, MNOB/SP, Oposição Bancária/SP; Daniel Almenteiro – professor/PA; Daniel Filho – Caixa Federal/PA/FNOB e presidente da Asebef; Daniela – Movimento Popular/Associação do Bairro Santa Edwiges de Itaúna/MG; Danielle Bornia – minoria SEPE Niterói; Danilo Araujo – coordenador Sintufepe/UFPE; Dário Gonçalves – oposição Judiciário/PA; Dayse Oliveira – minoria Sepe São Gonçalo; Divana Maia – advogada/PA; Douglas – ativista do Movimento Negro Petrópolis RJ; Edson Santana – aposentado Correios RJ/BA; Eduardo Henrique Nascimento Silva (Edu H Silva) – conselheiro estadual da APEOESP pela oposição; Elizabete Bernardo de Oliveira – diretora SINTE-SJ, oposição SINTE-SC; Ellen Martins Catini – Santander/Oposição Bauru/FNOB; Elton Corrêa – presidente do Sindsemp/AP e diretor da FENAMP; Etiene Avelino – diretora SEPE regional 2 Coletivo Reviravolta/SEPE; Fábio Nogueira Andrade – suplente da Diretoria do Sindicato de Bancários do RN; Fábio Quadros – oposição STAP Guarulhos; Feliciano Espinhara – servidor aposentado da UFRPE, fundador do Sintufepe; Fernanda Ortiz Vieira – Bradesco/Oposição Bauru/FNOB; Fernando Costa Fllho – Caixa Federal/RN; Fernando Machado – diretor SEPE central Coletivo Reviravolta/SEPE; Fernando Saraiva – diretor sindicato de Bancários do Ceará, direção estadual da CSP-Conlutas Ceará; Gabriela Santetti – educação SC; Gabriela Schmidt – Ação Feminista Benedita Farias/SP; Genival Cruz – diretor do sindicato dos servidores da HBSERH-AP; Gilmar Salgado dos Santos – urbanitário, ex-dirigente do Sintaema-SC; Gleidson Rocha – base do SEPE Macaé RJ; Gonzaga – construção civil Fortaleza CE; Guilherme Rocha da Silva – Banco do Brasil/RS; Gustavo Kelly- Coletivo Reviravolta- Sepe/RJ; Gutemberg da Costa Bastos – manobrista; Heitor Fernandes – oposição de Correios-RJ; Henrique Torales – Oposição Correios/RS; Herlon Siqueira – Coletivo Reviravolta/SEPE; Hojo Rodrigues – jornalista/GO; Ian Bortolomiol – oposição Correios/RN; Igor S. Oliveira – MRS/BA; Ivan Bernardo – oposição APP-Sindicato Paraná; Jhony Silva – servidor Saúde/PA; João Gimbarski – oposição APP-Sindicato Paraná; João Paulo Moura Magno – oposição sindical Urbanitários/Pará; Jóe José Dias – bancário Florianópolis; José Barreto da Silva (Zé Barreto) – conselheiro regional da APEOESP pela oposição; José Gilmar Júnior – oposição Educação/PA
José Guerra de Lira Junior – Bradesco/Oposição Bancária PE/FNOB; Josielly Pereira – oposição Saúde/PA; Juan Dozza – oposição Correios/RS; Júlia Eberhardt – Movimento Nacional de Oposição Bancária RJ; Julio Negão – oposição de Correiros RJ; Kelvin De Angelis – Caixa Federal/RN/FNOB; Leandro Gonçalves – Banrisul/Oposição Bancária/RS/FNOB; Leandro Martins – oposição Saúde/PA; Lenilson Santana – minoria da Direção da FASUBRA; Lígia Carla – diretora Sintep Ananindeua/PA; Lucas Antonio Nizuma Simabukulo – diretor do Sinpeem pela Oposição e membro da Executiva Estadual da CSP-Conlutas SP; Luciano Mendonça – Caixa Federal/RS/FNOB; Luckacs – oposição Educação/PA; Maicon – minoria de direção SindipetroLP; Manoel Ovídio – diretor Sintep Ananindeua /PA; Marcio Santos Alves – oposição Correios/RS; Marcos Francisco da Silva – oposição Sintrasem Florianópolis; Marcus Vinicius, Conselho Deliberativo APCEF/SP – Oposição Bancária; Maria Luzinete Vanzeler – UFMT – base do Andes-sn; Marina Soares – UFSC – Frente Base Fasubra; Marta Turra – Caixa Federal/RN/FNOB; Matheus Crespo – Secretaria Executiva Nacional CSP-Conlutas e Caixa Federal/RN/FNOB; Morales – diretor Sintep Bragança/PA; Narciso Fernandes Soares – diretor do sindicato dos metroviários de SP; Natália Luz – base do SEPE Rio das Ostras RJ; Nilvia Batista – oposição Saúde/PA; Obérti Mayer – base Sinasefe SC; Osley Cardoso (Oz) – conselheiro regional da APEOESP pela oposição; Otávio Aranha – Coletivo Por Uma Outra Esquerda na Adufpa, base Andes-sn; Paulo Cesar de Almeida – oposição Correios Campinas; Paulo Melo – oposição judiciário/PA; Paulo Weller – oposição de professores municipais de Santa Maria e São Sepé e Democracia e Luta RS, Oposição CPERS; Rafael Borges – coordenador geral do SEPE Macaé RJ; Raimundo Araújo – oposição Educação/PA; Raimundo do Carmo – oposição Judiciário/PA; Raquel Polla – movimento nacional de oposição bancária Paraná; Reginaldo Afonso – oposição sindical correios-RJ; Roberto Baeta – minoria SEPE; Roberto Melo – oposição Judiciário/PA; Ronaldo Sampaio – coordenador-geral do Sindicato dos Servidores do Ministério Público de Pernambuco e coordenador jurídico da FENAMP; Roque Luiz Pegoraro – oposição Sintrasem Florianópolis; Sabrina Luz – base do SEPE Macaé RJ; Samantha Guedes – Coletivo Reviravolta/SEPE; Sandra Moreira – Coletivo Por Uma Outra Esquerda na Adufpa, base Andes-sn; Selma Gomes – UFSC – Frente Base Fasubra; Sérgio Perdigão – minoria SEPE-RJ; Severo – oposição SindSaúde/RN; Shaiene de Carvalho – conselheira estadual da APEOESP pela oposição; Simone Maria – conselheira fiscal SEPE regional 2 Coletivo Reviravolta/SEPE; Sinoélia Silva Pessôa – Aduneb BA – base do Andes-sn; Ubiratam Ferreira – Conselho Fiscal do SINDSEMPPE; Vandemberg Pastana – oposição Educação/PA; Vanessa Baia – Movimento Popular/Associação do Bairro Santa Edwiges de Itaúna/MG; Vítor Rittmann – oposição Correios/RS; Viviane Pacheco – oposição Correios/RS; Wagner Miquéias Damasceno – Coletivo Andes em Luta; Wellington de Oliveira Nascimento – Magrão – oposição Correios, delegado sindical CDD Vergueiro e comissão jurídica da Fentect; Wilson Jefferson Flores – Banrisul/Oposição Bancária/RS/FNOB
