Considerando que:
- O movimento de massas brasileiro é dirigido por entidades completamente oportunistas, traidoras, governistas e burocráticas.
- A fundação da Conlutas e, depois, da CSP-Conlutas teve como propósito construir uma alternativa de massas, classista, combativa, democrática, pela base e socialista.
- A concepção da nossa central é a de um organismo de luta dos explorados, unificando trabalhadores, desempregados, movimentos sociais, de luta contra a opressão e populares, além da juventude.
- Infelizmente, nem a CSP-Conlutas cresceu de modo qualitativo, nem foi capaz, até agora, de unificar as lutas, nem sequer de atuar de modo consistente na combinação das lutas sindicais, estudantis e populares.
- Uma nova vanguarda de trabalhadores e jovens está se colocando em luta contra a precarização dos serviços públicos e das condições de trabalho em diversas categorias. E, portanto, há um amplo espaço para a construção da CSP-Conlutas pelas bases, cada vez mais críticas às suas direções tradicionais.
- Em vez de se sintonizar com essa nova vanguarda, a CSP-Conlutas priorizou demasiadamente atividades conjuntas com a burocracia cutista e governista, submetendo os chamados às Greves Gerais e a praticamente toda luta ou campanha, a que a CUT concordasse com estes chamados, quando e como a burocracia entendesse, sem um enfrentamento maior junto às bases deles próprios e às amplas massas.
- Não é possível manter a ilusão de que a burocracia governista vai construir as lutas em algum momento, e muito menos considerar a adesão da CUT como pré-condição para chamar as lutas. É preciso, cada vez mais, a construção e agitação das lutas junto à massa.
- Os ataques do governo Lula foram constantes e não houve nenhuma campanha de massas nacional por parte da CSP-Conlutas, nem contra estes ataques nem por qualquer demanda ou necessidade da classe trabalhadora.
- As atividades pelo fim da escala 6×1 e outras lutas foram sempre subordinadas ao calendário cutista, bem como limitadas à sua dinâmica; e não chegaram nem perto da dimensão e prioridade que deveriam ter.
- Tanto a direção majoritária da CSP-Conlutas, ligada ao PSTU, quanto as correntes do PSOL não se mostraram à altura do desafio de construir uma alternativa de organização para os trabalhadores, capaz de intervir no cenário político com uma plataforma classista, independente e combativa, rompendo a polarização entre o PT e a oposição burguesa, ou, mais recentemente, com os bolsonaristas.
- A falta dessa alternativa não se deu por vivermos um momento de refluxo ou paralisia dos trabalhadores (em que também seria errada), mas ao contrário: num momento em que sempre houve lutas, greves e manifestações, em que a massa mostrou que estava disposta a se mover.
- Esta prática superestrutural, burocrática e de cúpula, privilegiando os acordos entre as centrais, e de não confiar na base e na capacidade de luta dos trabalhadores, nos custou muito caro, desarmou o setor da classe trabalhadora que a central dirige, não permitiu que se disputasse a base controlada pelos traidores de modo mais eficaz, e não permitiu que a CSP-Conlutas se construísse e se localizasse de forma privilegiada para o período atual.
- Esta falta de um combate sistemático e direto à burocracia cutista permitiu que esses setores oportunistas se mantivessem hegemônicos no governo Bolsonaro; e, com o governo Lula 3, voltassem a subordinar todo o movimento aos interesses do governo, que eles consideram como seu.
- A CSP-Conlutas corretamente lutou contra as reformas de Bolsonaro e medidas do governo Lula desde 2023. Mas não combateu o governo de forma geral, como o principal inimigo da classe trabalhadora que é.
- A central não foi além das lutas pontuais contra cada um dos ataques e não foi uma verdadeira oposição de esquerda ao governo neoliberal e pró-imperialista de Lula; nem rompeu com a concepção conciliadora que prevaleceu até agora, na dependência das ações conjuntas com a burocracia.
- O balanço da central não deve servir para saber quem teve razão nos últimos anos, mas para que se aprenda com as práticas realizadas e se corrijam as práticas futuras. Neste sentido, é preciso deixar claro o que não pode mais ocorrer e qual o caminho que deve ser mantido e aprofundado.
- Internamente, em inúmeras ocasiões houve posturas burocráticas e antidemocráticas nas decisões da central, restringindo a participação da base e das minorias.
- A central não teve iniciativa política para se colocar no centro do debate político, apresentando uma linha de oposição ao governo do PT à esquerda. Perdeu a oportunidade de construir uma alternativa classista no levante de 2013, quando ficou paralisada e, depois, interveio junto aos partidos governistas nas manifestações de massa. Foi a mesma coisa diante do processo de manifestações populares que antecederam a derrubada de Dilma e quando este processo foi eclipsado pelo impeachment. O mesmo ocorreu diante da ascensão do governo e da posterior derrota eleitoral de Bolsonaro.
- Iniciativas como o Espaço de Unidade de Ação surgiram pela cúpula e desapareceram igualmente pela cúpula, sem haver um balanço da sua atuação nem continuidade.
- A direção majoritária da CSP-Conlutas ultrapassou a correta e necessária unidade de ação, possível mesmo com os governistas, para, muitas vezes, aplicar Frentes Únicas com setores governistas e, portanto, inimigos da classe trabalhadora.
- Diante do governo Bolsonaro e da alegada necessidade de combater o fascismo ou medidas repressivas, a Central tampouco organizou coisa alguma. No mínimo, seria necessário um trabalho educativo sobre segurança de informações e de ações entre as entidades que a compõem, bem como iniciativas urgentes para preparar a autodefesa de sedes, militantes e colunas em manifestações.
- Com a retomada do governo Lula, a Conlutas manteve o discurso de enfrentar, acima de tudo, o bolsonarismo, os “fascistas” e a extrema-direita, atuando como uma Frente Popular de Combate, por fora do governo, mas no seu espectro comum de “defesa da democracia” e contra a possível volta ao poder dos bolsonaristas.
- Os dois blocos majoritários da central, encabeçados pelo PSTU e pelo PSOL, com intensidades diferentes e conforme seus interesses locais e do momento, foram responsáveis por submeter a Central a orbitar a burocracia sindical da CUT, e é necessário romper com esta orientação imediatamente.
O Congresso da CSP-Conlutas resolve:
- Lutar para que cada luta sindical se torne também uma luta política, no sentido de apresentar para o conjunto da classe trabalhadora a necessidade da ruptura com o Estado burguês e a necessidade de construir o poder operário e popular.
- Atuar como verdadeira oposição de esquerda ao Governo Lula, combatendo cada um dos seus ataques, mas também a ele de conjunto, como parte da estratégia de derrotar tais ataques, na perspectiva da derrubada popular deste governo e de qualquer outro que assuma em 2027.
- Reafirmar os princípios fundadores da Conlutas e da CSP-Conlutas, dentre eles a completa democracia operária, o classismo e a prioridade da ação direta; bem como sua estratégia socialista.
- Lutar pela mais ampla unidade de ação da classe trabalhadora, incluindo os setores cutistas e quem mais estiver disposto a mobilizar. Construir todas as Frentes Únicas classistas que forem possíveis, combatendo e denunciando todas as iniciativas oportunistas e de conciliação de classe, que só servem à burguesia.
- Ter um trabalho político permanente sobre as bases das categorias em que intervimos, para que elas respondam às lutas e sejam, de fato, conscientes e combativas.
- Fortalecer as instâncias da CSP-Conlutas. Garantir plenárias abertas mensais em cada capital estadual e nas maiores cidades onde a central intervém.
- Derrubar a cláusula de barreira para a justa proporcionalidade direta na direção da Central, que repete em nosso meio uma barreira antidemocrática ainda pior do que a que a burguesia impõe aos partidos de esquerda nas eleições burguesas.
- Ter prestações de contas trimestrais, campanhas políticas regulares, com panfletos nacionais e agitação constante na base. Aprofundar a mais ampla democracia interna da entidade.
Assinam:
Adriana do Carmo – Oposição Educação/PA; Alexa ID – ativista LGBTQIA+ Petrópolis RJ; Alexandre Elias – Sinasefe IF Fluminense; Alexandre Leme – Diretoria Executiva dos Sind. dos Metroviários de SP; Aline Galhardo- Caixa Econômica/RN/FNOB; Altino Prazeres – vice-presidente do Sind. de Metroviários de São Paulo, Secretaria Executiva Nacional Conlutas; Ana Carolina Nicolay – professora da rede municipal de SP; Ana Paula P Barreto – Banrisul/Oposição Bancária/RS/FNOB; Angélica Olivieri – base do Sintrajud-SP; Barbosa – oposição Correios SP; Basílio – operário em Macaé RJ; Bernardo Cerdeira – aposentado CEF MNOB SP; Camila Oliveira – CA Geografia Udesc; Carlos Bruno – oposição Sintrasem/Florianópolis; Carlos Rogério Muller – oposição Sintrasem/Florianópolis; Cícero Dantas – Oposição Correios São Paulo; Cilda Sales – Coletivo Reviravolta/SEPE; Claudia Schumacher – oposição Correios/SC; Clausmar Luiz Siegel – operador de produção de petróleo e membro da direção do SindiPetroRJ; Clodoaldo Rodrigues – base do Sindicato dos Servidores Públicos Federais do Amapá; Cremilton Alves – oposição Correios/SP; Crispim de Souza – presidente da Associação dos Agricultores e Extrativistas do Maracá AP-ACAEXMA; Cristóvão Steck Brunelli – Aposentado Caixa, MNOB/SP, Oposição Bancária/SP; Daniel Almenteiro – professor/PA; Daniel Filho – Caixa Federal/PA/FNOB e presidente da Asebef; Daniela – Movimento Popular/Associação do Bairro Santa Edwiges de Itaúna/MG; Danielle Bornia – minoria SEPE Niterói; Danilo Araujo – coordenador Sintufepe/UFPE; Dário Gonçalves – oposição Judiciário/PA; Dayse Oliveira – minoria Sepe São Gonçalo; Divana Maia – advogada/PA; Douglas – ativista do Movimento Negro Petrópolis RJ; Edson Santana – aposentado Correios RJ/BA; Eduardo Henrique Nascimento Silva (Edu H Silva) – conselheiro estadual da APEOESP pela oposição; Elizabete Bernardo de Oliveira – diretora SINTE-SJ, oposição SINTE-SC; Ellen Martins Catini – Santander/Oposição Bauru/FNOB; Elton Corrêa – presidente do Sindsemp/AP e diretor da FENAMP; Etiene Avelino – diretora SEPE regional 2 Coletivo Reviravolta/SEPE; Fábio Nogueira Andrade – suplente da Diretoria do Sindicato de Bancários do RN; Fábio Quadros – oposição STAP Guarulhos; Feliciano Espinhara – servidor aposentado da UFRPE, fundador do Sintufepe; Fernanda Ortiz Vieira – Bradesco/Oposição Bauru/FNOB; Fernando Costa Fllho – Caixa Federal/RN; Fernando Machado – diretor SEPE central Coletivo Reviravolta/SEPE; Fernando Saraiva – diretor sindicato de Bancários do Ceará, direção estadual da CSP-Conlutas Ceará; Gabriela Santetti – educação SC; Gabriela Schmidt – Ação Feminista Benedita Farias/SP; Genival Cruz – diretor do sindicato dos servidores da HBSERH-AP; Gilmar Salgado dos Santos – urbanitário, ex-dirigente do Sintaema-SC; Gleidson Rocha – base do SEPE Macaé RJ; Gonzaga – construção civil Fortaleza CE; Guilherme Rocha da Silva – Banco do Brasil/RS; Gustavo Kelly- Coletivo Reviravolta- Sepe/RJ; Gutemberg da Costa Bastos – manobrista; Heitor Fernandes – oposição de Correios-RJ; Henrique Torales – Oposição Correios/RS; Herlon Siqueira – Coletivo Reviravolta/SEPE; Hojo Rodrigues – jornalista/GO; Ian Bortolomiol – oposição Correios/RN; Igor S. Oliveira – MRS/BA; Ivan Bernardo – oposição APP-Sindicato Paraná; Jhony Silva – servidor Saúde/PA; João Gimbarski – oposição APP-Sindicato Paraná; João Paulo Moura Magno – oposição sindical Urbanitários/Pará; Jóe José Dias – bancário Florianópolis; José Barreto da Silva (Zé Barreto) – conselheiro regional da APEOESP pela oposição; José Gilmar Júnior – oposição Educação/PA
José Guerra de Lira Junior – Bradesco/Oposição Bancária PE/FNOB; Josielly Pereira – oposição Saúde/PA; Juan Dozza – oposição Correios/RS; Júlia Eberhardt – Movimento Nacional de Oposição Bancária RJ; Julio Negão – oposição de Correiros RJ; Kelvin De Angelis – Caixa Federal/RN/FNOB; Leandro Gonçalves – Banrisul/Oposição Bancária/RS/FNOB; Leandro Martins – oposição Saúde/PA; Lenilson Santana – minoria da Direção da FASUBRA; Lígia Carla – diretora Sintep Ananindeua/PA; Lucas Antonio Nizuma Simabukulo – diretor do Sinpeem pela Oposição e membro da Executiva Estadual da CSP-Conlutas SP; Luciano Mendonça – Caixa Federal/RS/FNOB; Luckacs – oposição Educação/PA; Maicon – minoria de direção SindipetroLP; Manoel Ovídio – diretor Sintep Ananindeua /PA; Marcio Santos Alves – oposição Correios/RS; Marcos Francisco da Silva – oposição Sintrasem Florianópolis; Marcus Vinicius, Conselho Deliberativo APCEF/SP – Oposição Bancária; Maria Luzinete Vanzeler – UFMT – base do Andes-sn; Marina Soares – UFSC – Frente Base Fasubra; Marta Turra – Caixa Federal/RN/FNOB; Matheus Crespo – Secretaria Executiva Nacional CSP-Conlutas e Caixa Federal/RN/FNOB; Morales – diretor Sintep Bragança/PA; Narciso Fernandes Soares – diretor do sindicato dos metroviários de SP; Natália Luz – base do SEPE Rio das Ostras RJ; Nilvia Batista – oposição Saúde/PA; Obérti Mayer – base Sinasefe SC; Osley Cardoso (Oz) – conselheiro regional da APEOESP pela oposição; Otávio Aranha – Coletivo Por Uma Outra Esquerda na Adufpa, base Andes-sn; Paulo Cesar de Almeida – oposição Correios Campinas; Paulo Melo – oposição judiciário/PA; Paulo Weller – oposição de professores municipais de Santa Maria e São Sepé e Democracia e Luta RS, Oposição CPERS; Rafael Borges – coordenador geral do SEPE Macaé RJ; Raimundo Araújo – oposição Educação/PA; Raimundo do Carmo – oposição Judiciário/PA; Raquel Polla – movimento nacional de oposição bancária Paraná; Reginaldo Afonso – oposição sindical correios-RJ; Roberto Baeta – minoria SEPE; Roberto Melo – oposição Judiciário/PA; Ronaldo Sampaio – coordenador-geral do Sindicato dos Servidores do Ministério Público de Pernambuco e coordenador jurídico da FENAMP; Roque Luiz Pegoraro – oposição Sintrasem Florianópolis; Sabrina Luz – base do SEPE Macaé RJ; Samantha Guedes – Coletivo Reviravolta/SEPE; Sandra Moreira – Coletivo Por Uma Outra Esquerda na Adufpa, base Andes-sn; Selma Gomes – UFSC – Frente Base Fasubra; Sérgio Perdigão – minoria SEPE-RJ; Severo – oposição SindSaúde/RN; Shaiene de Carvalho – conselheira estadual da APEOESP pela oposição; Simone Maria – conselheira fiscal SEPE regional 2 Coletivo Reviravolta/SEPE; Sinoélia Silva Pessôa – Aduneb BA – base do Andes-sn; Ubiratam Ferreira – Conselho Fiscal do SINDSEMPPE; Vandemberg Pastana – oposição Educação/PA; Vanessa Baia – Movimento Popular/Associação do Bairro Santa Edwiges de Itaúna/MG; Vítor Rittmann – oposição Correios/RS; Viviane Pacheco – oposição Correios/RS; Wagner Miquéias Damasceno – Coletivo Andes em Luta; Wellington de Oliveira Nascimento – Magrão – oposição Correios, delegado sindical CDD Vergueiro e comissão jurídica da Fentect; Wilson Jefferson Flores – Banrisul/Oposição Bancária/RS/FNOB
