Nós, trabalhadores e trabalhadoras militantes do MPR e MRS, propomos que, na quinta-feira, ocupemos praças e ruas para defender os Correios e o plano de saúde, exigindo e denunciando os ataques da diretoria da ECT e do governo Lula; e, na sexta-feira, a categoria inteira decida, em assembleia nacional, os rumos da nossa luta!
A categoria dos Correios atravessa um dos momentos mais decisivos da sua história. O que está em jogo não é apenas uma pauta de reivindicações: é a própria existência da empresa pública, é a saúde dos trabalhadores e trabalhadoras, é a qualidade de um serviço essencial que chega a cada canto deste país. Por isso, esta carta não é um pedido — é um chamado. A base lutadora da categoria está de pé e disposta a lutar. O que falta é garantir que as decisões sejam tomadas com unidade, transparência e coragem por suas direções.
Propomos Assembleia Nacional Unificada na sexta-feira, 25/9
Defendemos que as próximas assembleias sejam unificadas, em âmbito nacional, na sexta-feira, dia 25 de setembro, reunindo trabalhadores e trabalhadoras dos Correios de todo o país. A luta não pode se fragmentar em assembleias pró-forma, que geram ilusão no Judiciário, retiram o protagonismo da classe trabalhadora, enfraquecem a decisão e abrem espaço para manobras. Assembleias presenciais e unificadas, no dia seguinte ao julgamento no TST, são a resposta política à altura do momento em que o Judiciário está politicamente fragilizado.
A greve está forte e estabilizada
Não há motivos para recuos de nenhuma espécie. A greve segue forte e estabilizada, sustentada pela participação da vanguarda lutadora da base da categoria — aqueles e aquelas que estão todos os dias nas portas dos CDDs e nas agências, nas ruas, segurando a luta com autonomia e com convicção. Essa força não pode ser desperdiçada por decisões burocráticas e apressadas, nem por quem já chega às assembleias com a decisão tomada de voltar atrás.
Vamos às praças e ruas na quinta-feira, 24/9
Propomos e reafirmamos: as diretorias da FENTECT e da FINDECT devem convocar manifestações públicas para a próxima quinta-feira, ocupando praças e ruas de todo o país. O objetivo é claro — dialogar com a população sobre os riscos que o Plano de Reestruturação privatizante traz aos serviços dos Correios. A sociedade precisa saber que, por trás das palavras bonitas do governo Lula, já está em curso um real desmonte de uma empresa pública centenária, com perda de empregos, precarização e deterioração do atendimento de qualidade. Quem usa os Correios todos os dias precisa ser nosso aliado, não um espectador.
Não podemos aceitar nenhuma proposta que retire a ECT como mantenedora do plano de saúde
Não se pode aprovar nenhuma proposta que inclua a saída da ECT como patrocinadora ou mantenedora do plano de saúde. E rejeitamos, com a mesma firmeza, qualquer “grupo de trabalho” que apenas adie e não resolva o problema. A saúde dos trabalhadores e trabalhadoras não é moeda de troca, nem tema para protelação. Quem propõe “estudar depois” sabe que “depois” nunca chega. A resposta da categoria é uma só: o plano de saúde permanece sob a responsabilidade da ECT, e nenhuma negociação pode significar a entrega desta conquista da categoria nas lutas.
O julgamento do dissídio no TST foi adiado: nada de decisão precipitada
Conforme assistimos, o julgamento do dissídio coletivo no TST foi adiado para quinta-feira, 24 de setembro, às 15h30, por irresponsabilidade da diretoria da ECT. Por isso, é indispensável que nenhuma assembleia decida, apressadamente, pelo retorno ao trabalho ou não. Decidir sob a pressão da Justiça ou do governo Lula seria jogar contra o próprio time, entregando de bandeja aquilo que ainda pode ser conquistado. Primeiro o julgamento, depois, com informação completa, a categoria decide com autonomia, independência de classe e democracia operária.
O STF diz que vai concluir as votações até sexta-feira
Somamos a tudo isso a exigência de que os ministros do STF encerrem suas votações sobre as cláusulas pendentes até sexta-feira, dia 25 de setembro. Não é aceitável que o processo se arraste indefinidamente enquanto a categoria permanece apreensiva. A contrapressão das ruas e das assembleias presenciais também se dirige ao Judiciário: a decisão precisa vir, e precisa vir a tempo de ser incorporada à deliberação soberana da assembleia nacional.
Por isso, dirigimo-nos aos companheiros e companheiras dirigentes sindicais: é hora de unidade, não de hesitação. E a vitória será construída pela força da base, com a base e para a base — porque é dela que vem a força que nenhuma promessa vazia do governo Lula e nenhum plano de reestruturação privatizante conseguirá apagar.
