Faleceu ontem Serge Goulart, dirigente histórico trotskista e da OCI (Organização Comunista Internacionalista).
Serge começou a militar ainda sob a ditadura militar, sempre reivindicando a tradição da IV Internacional. Teve uma longa e destacada atuação militante no Brasil e internacionalmente. Não é exagero afirmar que foi um dos principais dirigentes trotskistas da história do Brasil.
Quando dos grandes debates dentro do trotskismo mundial em torno do governo Mitterrand na França, nos anos 80, tivemos posições opostas, que nos separaram nas décadas seguintes. Mas nunca perdemos o respeito mútuo nem as boas relações, inclusive no plano pessoal.
Mais recentemente, depois da expulsão quase simultânea da OCI da ICR de Alan Woods, e nossa do PSTU e da LIT, voltamos a nos aproximar, em um primeiro momento por solidariedade mútua ante o absurdo das expulsões, este método stalinista nefasto que se infiltrou nas correntes oriundas do trotskismo (e cada vez mais distantes dele).
Porém, logo vimos que havia mais do que solidariedade. Apesar de várias diferenças, havia também alguns acordos importantes, que se expressam na posição de nossas correntes hoje de que o governo Lula é um governo burguês, inimigo da classe trabalhadora, e que, nestas eleições de 2026, a classe operária não tem opção e que, portanto, não se deve apoiar nenhuma das candidaturas existentes. No marco da degeneração oportunista da quase totalidade da esquerda brasileira, este acordo era e continua sendo muito importante.
Infelizmente, sua partida prematura aborta a possibilidade de seguirmos testando esses acordos com Serge presente. Mas temos confiança no futuro e de que seu legado inspire a continuidade deste diálogo.
Ano passado, no marco da batalha contra nossa expulsão do PSTU e da LIT, também perdemos um dirigente trotskista histórico de nossa corrente, Zezoca. Conhecemos bem, portanto, a dor dos camaradas da OCI neste momento. Sentimos alertar que é uma dor que não se fecha. A perda de dirigentes históricos é objetiva para os revolucionários, e é difícil recomeçar. Desejamos muita força e discernimento aos que seguem a batalha nesta hora difícil. Toda a nossa solidariedade e apoio aos camaradas da OCI, amigos e familiares de Serge Goulart. Que a dor que não se fecha se transforme em motivação para seguir a luta.
Serge, presente!
(05/09/26)
