Close Menu
  • Início
  • Quem Somos
  • Fale conosco
  • Declarações
  • Internacional
  • Nacional
  • Teoria e História
  • Regionais
  • Tribuna Livre
Facebook X (Twitter) Instagram
  • Quem Somos
  • Vídeos
  • Podcast
Facebook Instagram YouTube WhatsApp
mpr-nacional
  • Início
  • Declarações
  • Nacional
  • Internacional
  • Teoria e História
  • Tribuna Livre
    • Documentos Iniciais
    • Contribuições
    • Polêmica eleitoral
  • Especiais
    • Especial Zezoca
    • Especial Ucrânia
    • CSP-Conlutas
    • Dossiê Venezuela
  • Fale Conosco
mpr-nacional
Home»Nacional»57 anos da Revolta de Stonewall! Por uma alternativa socialista para as trabalhadoras e trabalhadores LGBTQIA+
Nacional

57 anos da Revolta de Stonewall! Por uma alternativa socialista para as trabalhadoras e trabalhadores LGBTQIA+

Por: Alexa F. Ide e Iago
28/06/2026Nenhum comentário12 Mins Read
Revolta de Stonewall, em Nova York.
Facebook Twitter Email Copy Link WhatsApp

Em 28 de junho de 1969, as ruas de Nova York assistiram a uma importante revolta. Gays, lésbicas, travestis e drag queens ecoavam a palavra de ordem do Orgulho. Durante 4 dias e 4 noites, a população LGBTQIA, imigrante e negra, que vivia em torno da Rua Cristopher e nos bairros periféricos da cidade, levantou-se contra a opressão e contra sua condição de trabalhadores oprimidos diante da proibição de viver sua sexualidade e identidade de gênero. Nesse ano, ainda éramos considerados uma doença e qualquer uso de vestimentas ditas do “sexo oposto” era motivo de prisão e tortura pela polícia do estado de Nova York.

Duas ativistas trans, Marsha P. Johnson, uma mulher negra, e Sylvia Rivera, uma mulher latina, estiveram na linha de frente desse episódio que marcou a história de luta das LGBTQIA+ contra o que chamavam de Babylon (o sistema capitalista).

A Revolta de Stonewall, que teve início no bar Stonewall Inn, deu origem à primeira Parada do Orgulho Gay em 1970 e a outras paradas em diversos países e regiões. Essas Paradas do Orgulho eram bem diferentes das atuais, que são financiadas e amordaçadas por parlamentares (sem qualquer caráter de classe) e por grandes empresários, ricos e poderosos. Os mesmos que financiam exploram nossa classe, sobretudo as negras, os negros e as LGBTQIA+. Nas primeiras paradas também não havia uma busca incessante por uma falsa representatividade que acreditasse nas ilusões do parlamento burguês. Tratava-se de um movimento de base com solidariedade entre os explorados e oprimidos e, embora não tivessem à frente uma direção revolucionária, eram independentes de governos e patrões.

Com muita luta, desde o fim da ditadura militar, conquistamos a criminalização da LGBTfobia, mas, na realidade, a maioria da nossa população vive em situação de vulnerabilidade e sob ameaça constante. Ou seja, a segurança das LGBTQIA+, assim como a de todos os setores oprimidos, está apenas no papel.

Os governos de frente ampla, que se dizem progressistas, sancionam leis para o combate à violência, mas sem combatê-la efetivamente. O sancionamento cria um sentimento de vitória e de pertencimento nos setores oprimidos, que mantêm a ilusão nesses governos pró-burgueses, mas a realidade continua dura e brutal.

A violência e os assassinatos cruéis só aumentaram nos últimos anos. Em 2023 tivemos 257 mortes violentas, 1 a cada 34 horas. Desse total, 127 pessoas eram trans e travestis, 118 gays, 9 lésbicas e 3 bissexuais. Uma pesquisa realizada em diversos países mostrou que, dos 321 assassinatos de pessoas transgênero no mundo (mulheres transgênero, travestis, homens transgênero e pessoas não binárias), 100 ocorreram no Brasil. (Dados: GGB – Grupo Gay da Bahia).

Em 2025, 80 pessoas trans foram assassinadas e muitos crimes ainda seguem subnotificados. Dentre outros motivos, a subnotificação ocorre pelo fato de a imprensa e as mídias burguesas geralmente não respeitarem os nomes sociais das vítimas e o pronome com que querem ser chamadas.

Também ocorrem conscientemente pelo fato da polícia, sobretudo a militar, desprezar as vidas das transexuais trabalhadoras e periféricas. A transfobia no arquivamento de casos, no desrespeito à identidade e ao nome das vítimas, torna as perdas dessas irmãs e irmãos transgêneros da nossa classe ainda mais violentas. (Dados: Dossiê Antra 2026 – Associação Nacional de Travestis e Transexuais).

Esses dados mostram que carregamos a dor e o sofrimento de vivermos no país mais letal do setor mais vulnerável da sigla, bem como do conjunto das LGBTQIA+ da classe trabalhadora.

A burguesia mata as LGBTQIA+, fomenta o ódio e nos explora, como mostram os dados. Além de oprimidos, estamos entre os mais explorados. Segundo pesquisas do “Vote LGBT”, duas em cada três LGBTQIA+ trabalham ou trabalharam sob a terrível escala 6×1. Os setores que possuem essa escala são o comércio, o atendimento ao público, a hotelaria, a alimentação, a indústria de transformação e os serviços gerais. Não é à toa que os capitalistas nessas áreas estão entre os que mais exploram a classe trabalhadora e flexibilizam os direitos historicamente conquistados pela CLT.

O imperialismo faz crescer a miséria, aumentando a superexploração da classe trabalhadora para manter seus lucros. A marginalização forçada torna os setores oprimidos mais suscetíveis a empregos em que isso acontece ou à lumpenização.

Além disso, 24% das LGBTQIA+ estão desempregadas. Já entre mulheres transexuais e travestis, cerca de 90% delas se prostituem para garantir sua subsistência. No ambiente da prostituição, vivem sob constantes ameaças: física, psicológica, sexual, patrimonial, racial e em constante vulnerabilidade.

Como resultado disso, somos o país que mais mata LGBTQIA+ no mundo. Essas palavras não vêm para gerar pessimismo nos leitores, já que nossa resistência é histórica, bem antes do surgimento da sigla e dos padrões de gênero e de sexualidade no capitalismo e em outras sociedades de classe, mas para apresentar dados e mostrar que a manutenção da opressão às LGBTQIA+ é uma política da burguesia, que só terá fim no socialismo.

LGBTQIA+ ontem e hoje: breve resumo da nossa história

Diferentemente do que pregam os LGBTfóbicos, a diversidade sexual, afetiva e de gênero não surge no século XXI nem se trata de uma divergência de padrões genéticos e biológicos pré-concebidos. No célebre livro “Homossexualidade, da Opressão à Libertação”, Hiro Okita, em sua pesquisa sobre o historiador Tobias Schnebaum, descobriu que, no povo ancestral peruano Amarakaeri, homens e mulheres, com seus filhos, dormiam em espaços separados, onde as relações homossexuais e homoafetivas eram frequentes. Essa tribo indígena realizava apenas dois festivais nos quais as relações eram heterossexuais e com intuito reprodutivo. O mesmo autor mostra que Claude Lévi-Strauss, em suas obras, identificou, nas tribos brasileiras Nhambiquara, a existência de relações homossexuais explícitas entre jovens e sem constrangimento social.

O mesmo livro ainda cita dados importantes, como os de Ford e Beach, que catalogaram um total de 76 sociedades fundacionais com a existência de práticas homossexuais. Outro estudo é o de Hermann Bauman, antropólogo alemão, que identificou a identidade do Berdache: figura indígena transgênero, por vezes masculina ou feminina, presente em quase todas as tribos da América do Norte. A figura do Berdache possuía status social importante e recebia profundo respeito, segundo os relatos, além de um papel ritualístico entre os demais. Bem diferente das condições vividas pelas pessoas trans atualmente.

Cabe lembrar também a figura histórica de Tibira, um indígena do Maranhão. Esse guerreiro Tupinambá foi brutalmente assassinado, explodido e estilhaçado dentro de um canhão após ser condenado pelos missionários franceses da Ordem dos Capuchinhos. Sua morte se deu porque os colonizadores condenaram suas vivências afetivo-sexuais e sua orientação sexual. O sacrifício de Tibira foi um recado moralista e violento que a colonização deixou: toda forma de liberdade sexual e/ou relação homossexual e/ou homoafetiva era dissidente; logo, deveria ser condenada e reprimida.

Os autores Trevisan (2011) e Luiz Mott, entre outros, aprofundam-se nessa figura e em outras LGBTQIA+ em suas obras. Tibira é um termo ainda utilizado para designar os homossexuais em algumas populações indígenas. Embora a sigla seja atual, diversas sociedades tiveram denominações para identificar as pessoas que possuíam orientações sexuais e identidades de gênero diversas.

Relações homoafetivas não são exclusividade dos seres humanos. Na natureza, segundo relata o biólogo Bruce Bagemihl no livro Biological Exuberance, existem mais de 1500 espécies com registros de relações homoafetivas e homossexuais. Mas só na espécie humana existe a burguesia, que tem uma política de extermínio das LGBTQIA+.

Stalinismo e reformismo na contramão da libertação LGBTQIA+

O termo homossexual era usado antes do surgimento da sigla para LGBTQIA+. Esse nome foi criado por um médico húngaro chamado Benkert. Na época, o país realizava uma inspeção para examinar as práticas sexuais do povo oprimido, sobretudo as homossexuais. O médico resistiu e se posicionou contra o ministro da Justiça, mandante desse ataque, chamado Exame Nacional de Homossexualismo, por meio de uma carta na qual dizia, em um trecho, que “o Estado não tem por que meter o nariz no dormitório dos seus cidadãos”. Foi brutalmente perseguido e obrigado a usar um codinome e viver ilegalmente.

Na Alemanha, o pioneiro do tema entre os socialistas foi o Dr. Magnus Hirschfeld. Enquanto a maioria da ciência identificava as LGBTQIA+ como doença e transtorno psicológico, Benkert e, depois, Magnus foram vanguarda na luta pela libertação homossexual e transexual à época.

Magnus chegou a construir um Comitê Científico Humanitário, com o apoio do Partido Social-Democrata alemão – II Internacional. A principal luta desse comitê foi pela abolição do parágrafo 175, que criminalizava a homossexualidade naquele país. Chegou, inclusive, a ter impacto e assinatura de diversas pessoas e de muitos cientistas e filósofos, como Einstein e Stefan Zweig.

Para diminuir a importância do tema, o parlamento burguês alemão, o Reichstag, afirmava que só havia 30 pessoas homossexuais no país, o que fez Bebel, um líder socialista, dizer ironicamente que “o número dessas 30 pessoas é tão grande e perpassa tão profundamente todos os círculos sociais, desde o mais acarpetado ao mais mísero, que, se a polícia levasse a cabo seu dever, como assinala a lei, o Estado prussiano deveria construir novas penitenciárias para alojar aqueles que haviam infligido o parágrafo 175, somente dentro de Berlim“. Até meados do século XX, este parágrafo ainda existia.

O revisionismo da teoria marxista e o abandono de um programa revolucionário pela Social-Democracia alemã, bem como a ascensão do Nazismo, levaram ao enfraquecimento e à perseguição do Comitê e do Instituto de Ciências Sexuais organizados pelo mesmo partido. Os estudos, livros e filmes da biblioteca do Instituto foram queimados; seus membros foram presos ou assassinados pela juventude hitlerista.

Em 1917, a Revolução Russa pôs fim à criminalização da homossexualidade na Rússia. Foi o primeiro país a descriminalizar. Enquanto a burguesia nos países capitalistas mantinha a condenação criminal ou patológica, o socialismo não só descriminalizou como também construiu uma importante atmosfera de revolução sexual no leste europeu. O médico bolchevique Gregory Batkis, diretor do Instituto Moscovita de Higiene Social, disse: “A respeito da homossexualidade (…) e outras formas de gratificação sexual (…) a legislação soviética as considera exatamente iguais a qualquer outra forma da chamada relação ‘natural’”. A legislação de Outubro trouxe outra consciência à liberdade sexual. O Estado só intervinha quando eram empregados a força ou o assédio. Muito distinto e mais avançado, inclusive quando comparado às posturas de Putin e de alguns países do Leste Europeu.

O stalinismo na URSS e o castrismo em Cuba trouxeram importantes derrotas, não só no nível de consciência, mas também perseguições, muitas delas letais, contra milhares de LGBTQIA+, traindo todas as conquistas da Revolução de Outubro dirigida pelos bolcheviques. Como exemplo disso, temos as palavras da Grande Enciclopédia Soviética, que considera a homossexualidade “uma perversão sexual consistente em uma atração antinatural entre pessoas do mesmo sexo”. Em janeiro de 1934, em Leningrado, Kharkov e Odessa, houve detenções massivas de homossexuais. Clara Zetkin foi uma das comunistas que lutaram bravamente pela absolvição desses companheiros. Além da perseguição à Oposição de Esquerda no partido bolchevique, as perseguições aos oprimidos sexualmente, racialmente e etnicamente formaram alguns dos pilares da burocracia stalinista. Trotsky e a Oposição lutaram bravamente contra Stalin, que criminalizou, por meio de lei, a homossexualidade, considerada por ele e seus comparsas um “desvio pequeno-burguês”.

Mesmo com o fim da URSS e a queda dos Estados operários burocratizados pelo stalinismo, a revolução socialista não morreu para os proletários LGBTQIA+. No entanto, um grande vendaval oportunista leva ao surgimento de figuras que veem apenas as alianças com a burguesia e o parlamento burguês como saída para as opressões, a exemplo do PT e do PSOL. Vendem à população a ideia de que a ascensão de pessoas oprimidas ao parlamento e a burgueses fará com que se conquiste o fim da violência contra os setores oprimidos.

Um desses exemplos na comunidade LGBTQIA+ é Érica Hilton. Antes de ser a diva do reformismo e do programa mínimo para as mulheres e as LGBTQIA+, Érica foi uma mulher trans pobre que sofreu muita violência e perseguição por sua identidade de gênero. Hoje, mesmo como figura pública, segue sofrendo ataques machistas e transfóbicos, segue sem ser capaz de acabar com a violência contra os setores oprimidos e segue sendo um modelo para diversas pessoas LGBTQIA+. Continua retratando a venda das ilusões reformistas, totalmente fracassadas quando nos contrapomos ao peso diário da opressão e da exploração. Apenas derrotando a burguesia que dissemina o ódio contra as LGBTQIA+ poderemos dar um fim à LGBTfobia.

Defendemos que nossos verdadeiros aliados estão entre os explorados e os oprimidos da classe trabalhadora. O autor John D’Emílio cria as bases teóricas que explicam a profunda contradição entre ‘gays ricos’ e ‘bichas pobres’, sinalizando que o tratamento na sociedade é brutalmente diferente dependendo da classe social. E essa dinâmica exemplifica bem que são as LGBTQIA+ da classe trabalhadora que vivem realmente a marginalização e a opressão. Não é se aliando às LGBTQIA+ burguesas ou aliadas do Estado burguês que vamos nos libertar.

Nós, do MPR, defendemos que, para a libertação das LGBTQIA+, precisamos reviver Stonewall e ir além; precisamos derrubar esse sistema capitalista. A ultradireita nos ataca diariamente com seus projetos, vomitando ódio contra nós, ameaçando nossas vidas e legislando em favor da marginalização dos setores oprimidos.

Os governos do PT compartilham dessa responsabilidade ao firmarem alianças com setores conservadores e LGBTQIA+fóbicos. Exemplos históricos disso foram a concessão da Comissão de Direitos Humanos ao pastor Marco Feliciano e a redação da “Carta ao Povo de Deus”, por Dilma Rousseff, que resultou no recuo do programa “Escola Sem Homofobia”. Some-se a isso o esvaziamento do PLC 122, relatado por Lindbergh Farias. Recentemente, Lula indicou Jorge Messias ao STF, um nome de perfil conservador, conhecido por seus ataques aos setores oprimidos, cujo veto no Senado, liderado por Davi Alcolumbre, decorreu estritamente de uma medição de forças políticas com o Planalto, e não da falta de compromisso governamental com as pautas da diversidade.

Independentemente do governo que administra o capitalismo e o Estado burguês, com maior ou menor filiação aos conservadores, nenhum deles cumprirá a tarefa de libertar as trabalhadoras LGBTQIA+. Por isso, acreditamos que o fim da LGBTfobia só virá com a derrota do sistema capitalista, por meio de uma sociedade socialista dos trabalhadores, sem rabo preso a governos de esquerda ou de direita e livre dos ricos e bilionários.

Venha construir e colorir essa alternativa com a gente. Conheça o MPR — Movimento por um Partido Revolucionário!

LGBTQIA opressão revolta de Stonewall Stonewall
Siga-nos no Instagram Siga-nos no YouTube Siga-nos no Facebook Siga-nos no WhatsApp
Share. Facebook Twitter Email Copy Link WhatsApp
Previous ArticleA burguesia e o narcotráfico

Posts Relacionados

A burguesia e o narcotráfico

26/06/2026 Nacional

O excedente de produção e a lei do desenvolvimento desigual e combinado

18/06/2026 Teoria e História

A crise econômica está de volta? Parte II: a crise de superprodução

16/06/2026 Teoria e História
Faça um comentário
Escreva seu comentário Cancelar resposta

Perfil do Gravatar

Apoie o MPR

Assine nosso manifesto, envie sua contribuição, entre em contato com os grupos locais.

Posts recentes

57 anos da Revolta de Stonewall! Por uma alternativa socialista para as trabalhadoras e trabalhadores LGBTQIA+

28/06/2026

A burguesia e o narcotráfico

26/06/2026

Crônicas da Revolução Ucraniana – 2

25/06/2026

53 dias após o início dos protestos: Rodrigo Paz vence a batalha, mas não a guerra

24/06/2026

Copa do Mundo: Nunca esqueceremos o que nos fizeram

23/06/2026
Podcast do MPR
https://mpr-nacional.org/wp-content/uploads/2026/01/Podcast_mixagem.mp3

Fique por dentro

Receba as contribuições de nossos colaboradores em seu e-mail.

  • Quem Somos
  • Vídeos
  • Podcast

Type above and press Enter to search. Press Esc to cancel.