- Prazer, novelo. Teseu, novelo.
O Mar Egeu teve seu nome em homenagem ao pai de Teseu que, sob a falsa perspectiva de que seu filho havia sido morto no Labirinto do Minotauro, desesperadamente atira-se ao mar. Mal sabia que seu filho triunfaria.
Em uma de suas aventuras, Teseu resolve desbravar o Labirinto de Creta. Como resultado de uma guerra perdida contra o rei Minos, os atenienses eram obrigados a enviar sete rapazes e sete moças periodicamente para que fossem sacrificados pelo Minotauro, criatura híbrida, metade homem metade touro. Teseu então decide acabar com o massacre de uma vez por todas e se propõe a entrar no Labirinto.
A filha do próprio rei Minos, algoz de Atenas, apaixona-se por Teseu e entrega-lhe um novelo de lã, para que pudesse guiá-lo pela escuridão do Labirinto e retornar incólume em caso de vitória. Após sangrenta batalha contra o Minotauro, Teseu retorna vitorioso com o auxílio do novelo que sua paixão o havia concedido, o novelo de Ariadne. Mas, eufórico diante da vitória, Teseu abandona Ariadne em uma ilha, pois fora reclamada por Dionísio, e temia a fúria dos deuses diante de sua vitória.
Os mitos por vezes nos fazem refletir sobre nossa realidade e as relações humanas. Nossa atual circunstância é a de um capitalismo brutal em que a classe trabalhadora se encontra como os jovens atenienses, oferecidos ao Minotauro diante de sucessivas derrotas impostas pela burguesia e pela falta de perspectiva de vida, de futuro. Mas somos revolucionários e sabemos como sair do labirinto, pois carregamos conosco o novelo de Ariadne, que representa o nosso programa, herança dos nossos mestres marxistas. Desta maneira, perguntamos: como conseguir chegar às massas? Como devemos desenrolar o novelo?
Já o nosso labirinto seria uma política que, na essência, é correta, porém na aparência, ainda tem nós que precisam ser desembaraçados. Ou seja, concordamos com a nossa tática eleitoral: Nem Lula, Nem Bolsonaro.
Lenin, nas Teses de Abril, já nos lembrava que não basta proclamar palavras de ordem radicais, sendo necessário convencer as massas por meio da experiência política concreta e da argumentação paciente. É essa paciência pedagógica que transforma o acúmulo teórico em um mapa real para a tomada do poder, impedindo que o nosso novelo seja abandonado nas prateleiras do dogmatismo enquanto a classe trabalhadora caminha sem rumo.
Já no Programa de Transição, Trotsky, ao nos ensinar a construção de um programa para um partido revolucionário, propõe a necessidade de um estudo minucioso sobre economia, classes e suas instituições. Mas também se preocupa em como a classe trabalhadora se encontra na luta contra a burguesia. Trotsky condiciona a política às vitórias ou às derrotas dos trabalhadores. Ou seja, a luta dos trabalhadores, o embate contra o regime burguês e sua experiência enquanto classe moldam as suas consciências, a tal consciência de classe em que muitos teimam em dizer que é uma condição estanque. Com as vitórias, o ânimo sobe. Mas com as derrotas, o movimento retrai. As vitórias que elevam o ânimo do operariado deixam a burguesia sitiada. As palavras de ordem passam de mínimas e democráticas para transitórias.
É mister que destaquemos que se por um lado, os índices eleitorais não devam ser os parâmetros para os revolucionários, haja vista que além de serem feitas por instituições burguesas, também orientam e organizam para que a classe trabalhadora vote em seus candidatos. Por outro lado, a nossa caracterização política é a de que há um desgaste na falsa polarização, seja pelos escândalos da candidatura de Flávio Bolsonaro, seja pelos ataques do governo Neoliberal de Lula. Na esteira deste raciocínio, as últimas pesquisas1 têm demonstrado que a pressão eleitoral começa a surtir efeito e a falsa polarização ganha fôlego. Para se ter uma noção, na atualidade, apenas 9% dos entrevistados votariam em branco ou anularia o voto. Para nós, caso esta votação se realize seria um avanço político. A título de comparação, na última eleição presidencial2 tanto no primeiro, quanto no segundo turnos giraram em torno de 5%. Fato que demonstra que entre as pesquisas e as eleições há uma substancial diferença, o que nos parece que existe uma pressão da democracia burguesa com as campanhas ou até mesmo de seus vínculos pessoais a votarem. Entretanto, caso este padrão se perpetue não teremos uma mudança de qualidade3, ou seja, há uma constante de brancos e nulos nos últimos 7 pleitos de média de 8,74%. Mas, reiteramos, a nossa baliza política é a nossa leitura de conjuntura, em que de fato há um desgaste na fórmula da polarização, seja pela última candidatura de Lula, seja pela prisão de Bolsonaro4.
2. Antes do novelo, há insubordinação do Rei Minos e a Paixão de Pasífae
A figura mitológica e híbrida do Minotauro já no Labirinto de Dédalo aparece no nosso mito de forma pronta e acabada. Quase como uma força da natureza a-histórica. No entanto, ele é o fruto da aventura romântica da rainha Pasífae com um magnífico touro branco enviado por Poseidon, com o objetivo de mandar um sinal a Minos de que, a partir daquele momento ele teria legitimidade para governar Creta. A volúpia de Pasífae pelo touro foi um castigo do deus dos mares a seu esposo, o rei Minos, por ele não ter sacrificado o touro.
Toda história precisa de uma conexão com o passado, na literatura podemos dizer que seria um background, o que ajuda na verossimilhança, ou seja, o que dá sustentação à narrativa5. Ao lembrarmos o do porquê da existência do Minotauro conseguimos compreender melhor o mito de Teseu.
Da mesma forma, precisamos fazê-lo em nossas análises. O centro desta contribuição é sobre as eleições. Porém, como Lula chegou até aqui? A terceira gestão tem muitas diferenças ou não para a primeira? Será que ocorreram mudanças de qualidade na política? Além dessas perguntas, há outras que, na tentativa de serem respondidas, nos guiarão para uma política mais acertada. Desta maneira, nós propomos uma aventura (digressão) para momentos importantes do país nos últimos 24 anos.
O nosso objetivo não é um balanço, pois não queremos estabelecer juízos de valor ou vereditos da História6, mas retroceder nestes principais eventos e neste processo de revisão para compreender melhor o presente, uma simples tarefa de historiadores, uma investigação. Para nós, eventos como o da chegada da Frente Popular ao poder, as jornadas de junho e o impeachment de Dilma conectam-se diretamente à atualidade.
3. Vá Pasífae, monte no magnífico Touro! E o signo da chegada do PT ao poder
O primeiro governo Lula (2003-2006) nasce de um binômio de crise econômica e avanço dos movimentos sociais, dos governos neoliberais de FHC7. Além do apagão (colapso nas redes de transmissão de energia elétrica) e de índices de retração econômica, por um lado e, por outro, também foram acompanhadas por inúmeras greves (professores federais, petroleiros, bancários e outras), como outras lutas (Grito dos Excluídos, Mobilização contra a Comemoração dos 500 anos, lutas do MST, como o Massacre de Eldorado dos Carajás e outros). A título de informe, a greve dos servidores federais em 2001 conseguiu um feito inédito, adiar o vestibular da UFRJ, no mesmo dia do certame.
Ao ampliarmos a nossa análise, é de monta lembrarmos que a América do Sul estava convulsionada. Argentina em 2001, quando conseguiu derrubar 5 presidentes em duas semanas; Equador que em 3 anos teve 2 presidentes derrubados pelas manifestações populares; Venezuela que em 2002 teve Chávez de volta ao poder com o peso das ruas, após ter sofrido um golpe; na Bolívia o país foi sacudido por duas grandes mobilizações (2000 e 2003) que desfez a privatização da água e no outro ano derrubou o presidente Lozada; no Perú, Fujimori foi derrubado por vazamentos de vídeos de esquema de corrupção, mas também pelas ruas e; no Paraguai ocorreu o “Março Paraguaio” que derrubou o presidente Raúl Cubas. O Brasil não vivia uma situação de convulsão social como os exemplos citados, no entanto, o seu papel de país semicolônia e uma histórica burguesia preventiva8 conseguiram evitar que o Brasil seguisse os caminhos sulamericanos.
Para nós, o então vindouro governo Lula, não seria dos trabalhadores e muito menos para desfazer os ataques de FHC. Ao contrário, seria um governo para acabar de fazer os ataques neoliberais sob a égide de se retomar o crescimento da economia. Isso porque já tínhamos acompanhado a trajetória do PT de adequação à ordem burguesa, seja nas eleições (o partido de conjunto, inclusive as correntes de esquerda, que se tornaram os campeões da luta de classes, mas somente de dois em dois anos), seja na sua transformação orgânica, em que muitos dirigentes do partido tornaram-se burgueses. Assim, já no primeiro ano de mandato, aprovou a Reforma da Previdência (EC nº 41/2003).
Importante destacarmos que foi perceptível dois movimentos na reorganização das representações classistas, durante a experiência dos governos do PT, a primeira foi o esvaziamento9 / alinhamento total da CUT, UNE e MST e outras organizações dirigidas pelo PT e PC do B e; a segunda, pela oposição, a formação de um partido (PSOL10) e uma central sindical (inicialmente, Conlutas e depois CSP-Conlutas).
Desgraçadamente, desde a ascensão dos governos petistas, estas lutas se dão de forma desorganizada. Seja pela falta de um grande partido revolucionário, seja pela existência de um dique contrarrevolucionário, como o PT ou a capitulação da CUT.
4. Antes de Teseu havia Egeu, mas também Poseidon. PT e Lula inauguram a Frente Popular?
Como vimos acima, o governo Lula chega ao poder com uma dupla função, retomar o crescimento dos lucros dos empresários nacionais e internacionais e conter os movimentos populares. Desta maneira, nós o classificamos como um governo de Frente Popular11, mas o que seria uma Frente Popular?
A política de Frente Popular surgiu na década de 1930. No contexto da crise econômica do Capital (subconsumo, superprodução e pela especulação acionária) que teve início pela quebra da Bolsa de Nova York, em 1929. Ao mesmo tempo, regimes autoritários de caráter fascista consolidavam-se na Europa: Benito Mussolini na Itália desde 1922, e Adolf Hitler foi nomeado chanceler da Alemanha em janeiro de 1933. A derrota do movimento operário alemão diante da ascensão do nazismo representou um marco decisivo para a Internacional Comunista estalinista (Comintern).
Até 1934, a Internacional Comunista adotava a política conhecida como “classe contra classe”, segundo a qual, os partidos comunistas deveriam rejeitar alianças com os partidos social-democratas, considerados12 representantes de interesses burgueses no interior do movimento operário. A incapacidade dessa estratégia de impedir a vitória do nazismo na Alemanha levou a uma profunda revisão dessa orientação. No VII Congresso da Internacional Comunista, realizado em Moscou, em 193513, foi aprovada a política de Frente Popular, que propunha a formação de amplas alianças entre partidos comunistas, partidos socialistas e setores da burguesia liberal com o objetivo de conter o avanço do fascismo e preservar as instituições democráticas burguesas. Em miúdos, a orientação política estalinista neste período girou 1800, primeiramente, esquerdista e sectária e depois um oportunismo de direita.
Essa mudança não decorreu apenas da experiência alemã, mas também da política externa da União Soviética, que buscava construir um sistema de alianças com as democracias ocidentais diante da crescente ameaça representada pela Alemanha nazista. Em síntese, a resposta estalinista de sair do isolamento do Terceiro Período (1928-1935) era trair a classe trabalhadora em nível internacional.
As primeiras experiências dessa nova estratégia ocorreram em 1936. Na França, a Frente Popular conduziu Léon Blum ao governo por meio de uma coalizão formada pela Seção Francesa da Internacional Operária (SFIO), pelo Partido Comunista Francês e pelo Partido Radical, representante de setores da burguesia republicana. No mesmo ano, uma coalizão semelhante venceu as eleições gerais na Espanha, reunindo republicanos, socialistas, comunistas e outras forças de esquerda. A vitória eleitoral ocorreu em um contexto de intensa polarização política e social, que poucos meses depois desembocaria na Guerra Civil Espanhola (1936–1939).
Foi nesse cenário que Leon Trotsky desenvolveu uma crítica sistemática à política de Frente Popular. Em obras como Para Onde Vai a França? (1934) e nos textos reunidos em A Revolução Espanhola (1931–1939), argumentou que essa estratégia representava uma forma de colaboração de classes. Segundo ele, a participação de partidos operários em governos de coalizão com partidos burgueses comprometia sua independência política e subordinava as reivindicações da classe trabalhadora à manutenção do Estado burguês.
Essa crítica estava fundamentada em uma concepção marxista do Estado. Para Trotsky, o Estado nas sociedades capitalistas possui caráter de classe, pois sua estrutura institucional está voltada, em última instância, para a preservação das relações de produção capitalistas e da propriedade privada dos grandes meios de produção. Dessa perspectiva, um governo que administra esse Estado em aliança com representantes da burguesia continua exercendo uma função política compatível com a reprodução da ordem capitalista, ainda que conte com ministros ou partidos oriundos do movimento operário.
Essa caracterização, entretanto, não implica afirmar que todos os governos de Frente Popular tenham adotado políticas idênticas ou que fossem incapazes de promover reformas sociais relevantes. O próprio Trotsky reconhecia que tais governos poderiam ampliar direitos democráticos, aprovar legislação trabalhista ou implementar medidas favoráveis aos trabalhadores.
A Revolução Espanhola tornou-se o principal laboratório histórico dessa discussão. Após o levante militar liderado pelo general Francisco Franco, em julho de 1936, trabalhadores e camponeses organizaram milícias, comitês locais, conselhos operários e experiências de coletivização da produção em diversas regiões da Espanha. Segundo Trotsky, esse processo continha elementos de uma revolução socialista em desenvolvimento. Segundo ele, a participação das organizações operárias no governo da Frente Popular e a prioridade atribuída à manutenção da aliança com os partidos republicanos burgueses impediram o aprofundamento do processo revolucionário fazendo com que estes organismos de duplo poder servissem como sustentação do Estado burguês. Em síntese, estes comitês poderiam ter tomado o poder e resistido melhor ao golpe de Franco.
É mister destacar que além da política de Frente Popular outros fatores contribuíram para derrota das forças republicanas espanholas, como: a superioridade militar dos nacionalistas; o decisivo apoio fornecido pela Alemanha nazista e pela Itália fascista às tropas de Franco; a política de não intervenção adotada pela Grã-Bretanha e pela França; as limitações da ajuda soviética e; as profundas divisões políticas existentes no campo republicano14. Nessa perspectiva, a política da Frente Popular foi um elemento importante para compreender a vitória fascista, mas ela não é causa exclusiva da derrota republicana.
Como alternativa, Trotsky defendia a política da Frente Única Operária. Diferentemente da Frente Popular, essa estratégia consistia na realização de acordos de ação entre organizações da própria classe trabalhadora (partidos comunistas, partidos socialistas, sindicatos e demais entidades operárias) para enfrentar inimigos comuns, preservando, entretanto, a completa independência política e programática de cada organização. O objetivo era combinar unidade prática na luta contra o fascismo com autonomia política das organizações operárias, evitando sua subordinação aos interesses da burguesia e, caso a classe obtivesse vitórias, avançar para a tomada do poder.
Assim, em nossa tradição, a natureza política dos governos de Frente Popular não é definida apenas por sua composição ministerial, mas, sobretudo, pela classe social cujos interesses fundamentais são preservados por meio do Estado. Ainda que esses governos possam implementar reformas progressistas e ampliar direitos democráticos, são compreendidos como formas de administração do Estado capitalista baseadas na colaboração entre classes. E, por vezes, servem de contenção de um processo revolucionário, haja vista que as Frentes Populares surgem apenas quando o Estado ou regime burgueses estão sob perigo do ascenso da luta de classes. Desse modo, segundo a interpretação de Trotsky, tais governos tendem a conter ou desviar processos revolucionários ao limitar a atuação independente da classe trabalhadora em nome da manutenção da aliança com setores burgueses.
5. Vá Teseu, enfrente o Minotauro! A importância de 2013.
Após dois mandatos de Lula e no primeiro de Dilma, 2013 chegou e o então desgaste da Frente Popular que tanto prevíamos ocorreu. Novamente, o nosso objetivo aqui não é de avaliar se nós, a época no PSTU, atuamos corretamente ou não, o que queremos é destacar que o Brasil só tinha vivenciado uma experiência semelhante 29 anos antes, na luta pelas Diretas Já15. Assim, 2013 foi a primeira experiência massiva e de rua e para nós, tal evento ainda ecoa na política brasileira, seja nas eleições, seja na disputa ideológica.
Para nós o signo de 2013 foi um conjunto de características, como: demandas economicistas ou democráticas16; o repúdio a institucionalidade17; o policlassismo e; a falta de uma liderança.
Neste contexto, as mobilizações que duraram por volta de 24 dias18 tiveram várias pautas populares e de oposição ao governo de Dilma. Diferentemente, do petismo, as jornadas de junho não foram de direita ou carregavam o ovo da serpente19. Além das eleições não serem a única referência de análise da luta de classes, as mobilizações de 2013 como qualquer outra, não tiveram predominância de um grupo político, logo foram disputadas por todos que queriam liderar e ter ganhos políticos. Nós, por exemplo, queríamos direcioná-las para a radicalização e colocar na ordem do dia a tomada do poder. Desgraçadamente, não conseguimos. Anarquistas, maoístas, autonomistas, fascistas, lúmpens, setores da mídia burguesa e muitos outros tentaram disputar a direção das manifestações ou influenciar e crescer. Do outro lado das mobilizações, quem não disputou? O Petismo e o PSOL que já tinham a leitura que estas movimentações eram conservadoras e queriam derrubar a democracia burguesa (hã! Quem dera!).
Esta atitude do campo reformista em 2013 assemelha-se, de certa maneira, à política atual do mesmo campo político (PT, PSOL e aliados) que defende uma pauta regressiva, a de manter a democracia burguesa. Dialeticamente, do outro lado da falsa polarização, o bolsonarismo mantém uma veia de 2013, que, de forma torpe, expressa uma luta contra a institucionalidade burguesa, expressa na epítome de Bolsonaro: “mudar tudo isso aí!”
À luz de 2013, o DIEESE divulgara, no ano anterior, que o Brasil passava por sua maior onda de greves desde os anos 1980. A revolta de 2013 não se explica somente por isso, mas este fator foi irrefutavelmente relevante. As greves indicavam que a economia já mostrava sinais de recuo para além dos escândalos de corrupção do petismo.
Além da situação econômica de retração, não se podem subtrair da análise os ataques do governo Dilma, como: uma Reforma da Previdência (2012), as obras da usina Belo Monte, o Código Florestal e as privatizações em setores da infraestrutura (portos, estradas e aeroportos), assim os movimentos sociais estavam lutando contra um mandato neoliberal.
Embora 2013 tenha tido manifestações massivas ou precedidas pelas greves de 2012, estes movimentos não foram capazes de concentrar forças e colocar em questão as pautas que exigissem as melhorias na qualidade de vida, de trabalho e, muito menos, trazer à tona a ideia de tomada do poder. A classe sacudiu o país, mas não conseguiu organizar-se e fortalecer seu ânimo na forma de colocar esse ânimo em marcha para avançar em suas conquistas.
Este evento mostra que há 13 anos as massas foram às ruas, mas esse movimento não representou o ânimo em que Trotsky aponta os trabalhadores como senhores de seu próprio destino. Infelizmente, a classe não compartilha nosso acúmulo teórico, nem nossas experiências. Por exemplo, em 2002 avisávamos que Lula e o PT iriam governar para o Capital, a “Carta ao Povo Brasileiro” era a comprovação. Navegamos contra todo o campo reformista e o stalinismo até que, em 2003, veio a Reforma da Previdência. Os governos de Lula e Dilma aprofundaram os ataques, mas o boom das commodities, alavancado pelos índices de crescimento da economia chinesa, principal compradora destas mercadorias, proporcionou uma sensação econômica de bonança. O que lhes conferiu sustentabilidade de 2008 (crise do Capital vulgarmente denominada de crise do sub-prime) até 2013.
Para nós, a força das jornadas de junho teve uma magnitude tal que pulverizou um bloco, uma Frente Popular. Além do saldo eleitoral gigantesco que fez Lula sair de seu segundo mandato com mais de 80% de aprovação e ainda emplacar a eleição de Dilma Rousseff, uma tecnocrata (ex-guerrilheira de tradição autoritária e não-classista) sem nenhum lastro político ou eleitoral, tornando-se a primeira presidenta do país. Como comparação, a Frente Popular conseguiu fazer algo que nem os EUA, a maior democracia burguesa do mundo, foi capaz de realizar. Ainda na esteira da força do projeto petista, temos a forte composição no parlamento, um conluio entre partidos burgueses (PMDB, PSD, PRB e PTB) e de esquerda que votavam em conjunto e rapinavam o dinheiro público em licitações e outras maracutaias. Este parâmetro político é muito importante e deve ser recuperado para dimensionarmos o tamanho da vitória política da Frente Popular, como da sua derrota.
6- Mas vá com calma Teseu, o Minotauro é um adversário formidável! Da derrota do petismo às as tentativas burguesas de manter os seus lucros.
Os governos de Temer e Bolsonaro são produtos de 2013. Como expressão das jornadas de junho, a democracia burguesa reagiu por meio do Judiciário, como as Operações Lava-Jato (2014) ou Zelotes (2015). Obviamente, elas surgiram deste setor, porque os poderes legislativo e executivo estavam completamente envolvidos em vários esquemas.
O impeachment de Dilma em 2016 ocorre já com a derrota do petismo nas ruas e com o fim dos esquemas corruptos que o sustentavam no Congresso. Além de sua completa destruição da imagem de um partido da ética. O PT transformou-se em mais um partido da ordem como qualquer outro para o grosso da população. Obviamente, nesse processo, o debate de corrupção deu a dinâmica de crítica ao PT e, por conseguinte, os setores mais conservadores da sociedade ganharam maior protagonismo. Estes que outrora compunham a sua base de sustentação no parlamento.
Após o impeachment surge um governo Michel Temer enfraquecido que nada mais foi do que uma resposta negativa à 2013, com seu discurso de austeridade. A infame PEC do fim do mundo de Temer (Emenda Constitucional do Teto dos Gastos20) conjuntamente com a sua Reforma Trabalhista não conseguiram atenuar a crise política e econômica, o resultado foi um governo tão débil que precisou utilizar intervenção federal na segurança pública do estado do Rio de Janeiro21 para conseguir terminar o mandato.
Bolsonaro é o lado oposto da crise, tendo sido a resposta positiva à mesma. Mesmo que ele carregue uma semelhança aparente com Lula, ambos são filhos da classe, não são nomes tradicionais da burguesia, não tem “berço” . O Bolsonarismo foi uma tentativa de superação inconsciente do PT22 escolheram um Bonaparte para chamar de seu, mesmo que este fosse Jair, o messias, Bolsonaro. Governo foi tão trágico quanto qualquer outro Neoliberal. Porém, é importante ressaltar que este teve três características e que lhe deram um tom mais nefasto: a- a postura negacionista da pandemia; b- cortes austeros de políticas assistencialistas e c- um governo de extrema-direita atuando em ataque direto à Classe.
Ainda estão vivas na memória de muitos trabalhadores a reunião no Palácio do Planalto, em 22/04/20, em que o ministro da Economia Paulo Guedes, sem o menor pudor, disse que deveria “colocar uma granada no bolso do servidor”, tratava-se do arrocho salarial de 2 anos e a fala do ministro do Meio Ambiente, em que o canalha Ricardo Salles diz “deixar passar a boiada” referindo-se a não combater o desmatamento e as queimadas na Amazônia. Ou, ainda, na mais bizarra manifestação: no dia 16/01/20, Roberto Alvim, da Cultura, de forma tresloucada, fez um discurso em rede nacional de estética nazista, para não dizer da Reforma da Previdência ou da privatização da Eletrobrás. Vejam, uma tese precisa começar com uma hipótese, fazer a investigação de fontes, vencer as antíteses para a partir deste momento tornar-se uma síntese.
Colocar um sinal de igual entre Lula e Bolsonaro, a nosso ver, não responde à realidade, por um motivo simples: porque não o são. No nosso novelo, a política que conecte a tradição revolucionária com as necessidades da classe trabalhadora, precisa ser mais bem definida, debatida e apresentada de forma didática. É necessário explicar ao operariado no que Lula e Bolsonaro se diferenciam, no discurso e na base de apoio de partidos. E explicar o que os torna iguais, na gerência do Estado e na manutenção da ordem capitalista. Quem sabe, então, a nossa política ganhará a nitidez necessária para desnudar os corredores escuros de nossa jornada revolucionária, devolvendo à classe trabalhadora o fio que se perdeu nas jornadas de 2013.
7. Muito bem Teseu, você venceu o Minotauro! Qual a política que levará a classe à vitória?
Por fim, precisamos passar pelo crivo da realidade e da luta de classes. Além da classe lutar por suas condições de vida, também participa da institucionalidade burguesa seja com confiança, por exemplo, na justiça de sua inimiga de classe, até confiar que um papel tem valor23 ou na própria eleição. Independentemente, de nossas análises políticas, a classe vai votar em Lula e Bolsonaro nos 1º e 2º turnos, este dado da realidade, dialeticamente, deve ancorar nossas leituras. Assim, parece-nos que há outro nó no debate. Voto crítico no PSTU, anti-candidatura ou liberação de voto em cidades fogem de nossa construção. Humildemente, pensamos que as eleições não devam ser o centro de nossa atuação. Porque além de ser o nosso debate de que as eleições não mudam a vida para a classe e todo o nosso acúmulo sobre as mesmas24, precisamos agitar que enquanto os partidos burgueses e os reformistas somente querem os seus votos e nada mais, os ataques acontecerão em 2027.
Um bom exemplo desta política é a luta contra a escala 6×1. Rick Azevedo, Erika Hilton e Lula colocaram o projeto sob seus braços e utilizam uma importante e popular luta como um trunfo político e eleitoral. Devemos mobilizar a classe e dizer que as eleições não vão pôr fim à escala 6×1 ou evitar a privatização dos Correios. Queremos deixar nítido para os(as) trabalhadores(as) que nas lutas e mobilizações nós responderemos: PRESENTE!
Precisamos construir um programa que parta das reais necessidades dos operários(as), e siga o Programa de Transição. e que, novamente, coloque na ordem do dia de que a nossa principal tarefa é a construção do Partido Revolucionário. Temos um enorme espaço de crescimento, o fato de sermos um movimento que desperta curiosidade, e de sermos novos dão um frescor político, mesmo que tenhamos uma tradição de mais de 50 anos de experiência. Precisamos ser ousados, o MPR precisa ser anunciado como o é: UMA NOVIDADE! Ou não defendemos que as principais organizações da esquerda traíram a classe? Queremos romper com este bloco Lulopetista e, se não acreditarmos nesta política nem formos os campeões na agitação e propaganda de que o MPR quer ser um partido revolucionário novo e totalmente diferente dos partidos tradicionais da esquerda. Precisamos ser o polo que a juventude, em especial a periférica, veja como uma organização que quer mobilizá-la para as lutas e o socialismo, que o capitalismo lhes tira o futuro e que nenhuma proposta eleitoral é capaz de garantir uma nova vida. Assim, propomos um conjunto de consignas que possam se comunicar com a classe para além das eleições, seja para nos diferenciar do Reformismo e da Extrema-direita, seja para nos construir. O novelo precisa ser esticado até o fim. Sim, camaradas, ainda seremos Teseu e Ariadne que venceram o Minotauro e a maldição de Atenas.
- Pelo Fim da 6×1!
- Que a 5×2 seja garantida pelos (as) trabalhadores (as) !
- CUT e demais centrais lutem pela escala 4×3!
- Por uma jornada de trabalho humana e com aumento salarial!
- Rumo ao salário mínimo do DIEESE, R$ 8.110,92!
- Pelo fim do endividamento dos (as) trabalhadores (as)! O Desenrola é enrolação!
- Pela redução da taxa Selic de Lula e Galípolo!
- Pela redução e tabelamento de preços de alimentos e aluguéis!
- Por uma frente nacional de empregos, rumo ao DESEMPREGO ZERO!
- Contra as privatizações dos governos Bolsonaro e Lula!
- Contra Bolsonaro e suas políticas misóginas e racistas!
- Bolsonaro não é alternativa, é capacho de Trump!
- Lula, não entregue os minerais críticos aos EUA
- Lula e Bolsonaro governam para os ricos!
- Pelo fim do Arcabouço Fiscal de Galípolo e Lula!
- Pela suspensão do pagamento da Dívida Interna (Pública)!
- Bora construir o Partido Revolucionário!
SAUDAÇÕES SOCIALISTAS & REVOLUCIONÁRIAS!
Assinam:
1-Gustavo Kelly núcleos Comunicação e Juventude MPR – Rio de Janeiro.
2- Luciano Rodrigues núcleo Comunicação MPR – Rio de Janeiro.
3- Júlio N. núcleo Comunicação MPR – Rio de Janeiro.
4- Leonardo Cortines núcleo Juventude – MPR Rio de Janeiro.
5- Adrieli — MPR São Paulo.
6- Gabriel — MPR São Paulo.
7- Renato — MPR Grande São Paulo.
- Disponível em: https://veja.abril.com.br/politica/como-esta-a-disputa-lula-x-flavio-na-nova-pesquisa-btg-nexus/ ↩︎
- Os eleitores na última eleição presidencial, no primeiro turno existiam o número de eleitores aptos na ordem de 156.454.011; deste total votaram 123.682.372 (79,05%), com abstenções na ordem de 32.770.982 (20,95%); votos válidos 118.229.719; votos nulos 3.487.874 (2,82%); votos em branco 1.964.779 (1,59%) .No segundo turno foram 124,25 milhões de brasileiros votaram no segundo turno da eleição presidencial de 2022. Desses, 118,55 milhões foram votos válidos (desconsiderando brancos e nulos). Assim, os números são abstenções: 32.200.558 (20,59%); votos válidos: 118.552.353; votos nulos: 3.930.765 e; votos em branco: 1.769.678. ↩︎
- Números de votantes brancos e nulos nas últimas sétimas eleições presidenciais.
Eleição Votos em branco Votos nulos Total de brancos + nulos
2022 1.964.779 (1,59%) 3.487.874 (2,82%) 5.452.653 (4,41%)
2018 3.106.937 (2,65%) 7.206.222 (6,14%) 10.313.159 (8,79%)
2014 3.106.937 (2,65%) 6.678.592 (5,80%) 9.785.529 (8,45%)
2010 3.479.340 (3,13%) 6.124.254 (5,51%) 9.603.594 (8,64%)
2006 2.866.205 (2,73%) 5.957.521 (5,68%) 8.823.726 (8,41%)
2002 2.380.296 (2,86%) 6.267.729 (7,53%) 8.648.025 (10,39%)
1998 3.236.618 (4,42%) 5.606.182 (7,66%) 8.842.800 (12,08%) ↩︎ - Mesmo que Bolsonaro siga um roteiro semelhante ao de Lula, em miúdos, preso, liberto e candidato, daqui a 4 anos, ele teria 75 anos. Seria um candidato bastante idoso e com um histórico de problemas de saúde. Há de se ressaltar que o petista no presente momento está com 80 anos, fato que poucos analistas burgueses tem chamado pouca a atenção para uma dificuldade de terminar o mandato. ↩︎
- Por exemplo é completamente impensável uma pessoa voar e ter superpoderes, mas por que o Super-homem “pode”? O faz nas suas HQs porque o escritor criou um background em que o personagem era um alienígena e por ser criado em outra galáxia e com uma estrela amarela, o possibilitou ganhar poderes sobre-humanos. ↩︎
- Aos vereditos da História deixamos esta parte aos nossos mestres. E quem sabe na aprendizagem nos estudos e na prática militante possamos compreender e ajudar no processo de formulações políticas mais precisas da luta de classes. Todo o respeito aos nossos mestres. ↩︎
- Fernando Henrique Cardoso sociólogo uspiano considerado o príncipe das Ciências Sociais. As suas contribuições acadêmicas até a presente data ainda são muito importantes para compreender a formação da sociedade brasileira. Por outro lado, o governo do psdebista foi marcado por uma série de ataques aos direitos dos trabalhadores, como: a Lei n.º 9.601/1998 ( criando contratos de trabalho por prazo determinado com redução dos encargos sociais; o banco de horas (Lei nº 9.601/1998 )que reduziu o pagamento de horas extras; expansão da terceirização; Reforma Administrativa (Emenda Constitucional n.º 19/1998) e; Reforma da Previdência (Emenda Constitucional n.º 20/1998) e de privatizações colossais como Vale do Rio Doce, Embratel e CSN. É importante lembrar que todos estes ataques não tiveram o correto combate da direção dos trabalhadores PT/CUT, ou seja, estes ataques ocorreram com a anuência e traições petistas. ↩︎
- Pensamos que ao longo da formação do Brasil, as suas classes dirigentes, seja quando era Colônia (1532-1808), no Império (1822-1889), seja na República (1889-1930; 1934-1937; 1946-1964; 1985 até a presente data), conseguiu conter movimentos revoltosos sem colocar o Estado sob risco. Alguns pensadores classifica esta tradição de Iberismo, uma herança portuguesa de ser eficaz na repressão e na fiscalização de tributos. ↩︎
- A este ponto é muito importante, pois muitos militantes do PT e de outras organizações foram tragados para cargos no governo Lula, assim em algumas estruturas o PT ou o PC do B desapareceram. ↩︎
- Um de seus importantes pensadores, Carlos Nelson Coutinho criou um slogan “um partido formado por revolucionários e reformistas honestos”. ↩︎
- A antiga organização abandonou esta antiga formulação por governo de colaboração de classes. Ao nosso ver tal mudança está na esteira das adaptações programáticas que o PSTU tem feito para se aproximar do bloco Lulopetista. Colaboração de classes, ao nosso ver, diminui a importância histórica, como política deste inimigo dos trabalhadores. ↩︎
- Social-fascistas. ↩︎
- No mesmo ano do VII Congresso da III Internacional ocorreu o Levante Comunista no Brasil. Este caso é bem interessante, pois o PCB já aplicava a política de Frente Popular antes do VII Congresso de agosto de 1935. Porque a ANL era uma frente policlassista, mas que não tinha se espraiado para as eleições. E o mais interessante ainda é que o Levante de 35 era condizente com a política anterior do “classe contra classe”. Em síntese, as duas políticas levadas pelo estalinismo brasileiro levou a derrota do movimento operário, pois errou antes em criar uma aliança em que a classe não dirigia e depois por girar ao ultraesquerdismo ao tentar uma revolução sem estar ancorado em organizações operárias e de duplo poder, foi privilegiado apenas a inserção militar do PCB e de seu maior líder, Luís Carlos Prestes. ↩︎
- Um excelente filme que aborda a Guerra Civil Espanhola (1936-1939) é Terra e Liberdade (1995) de Ken Loach. ↩︎
- Campanha policlassista para que na transição da Ditadura Tecno-Empresarial Militar (1964-1985), as eleições diretas para presidente fossem aprovadas pela Emenda Dante de Oliveira (Pec 5/1983) Câmara dos Deputados. ↩︎
- Campanha contra o aumento de passagem, contra a repressão policial e os vultuosos gastos da Copa e das Olimpíadas, que fossem redirecionados para serviços públicos. ↩︎
- Expressa pela ojeriza a partidos, ocupações de prédios públicos ou a quebra de vidraças de bancos pelos blackblocs. ↩︎
- As primeiras manifestações massivas começaram no dia 6 de junho e tiveram no dia 30 do mesmo mês o seu limite. ↩︎
- Expressão tradicional para descrever o nascimento de governos autoritários, ela foi popularizada pelo cineasta sueco Ingmar Bergman. ↩︎
- Emenda Constitucional nº 95. ↩︎
- Decreto nº9.288. ↩︎
- 2013 não foi somente um ascenso, mas também o divórcio da classe com o PT como a sua liderança. Desta maneira, neste momento citado, o Partido dos Trabalhadores perde o véu de ser de esquerda, para se igualar aos normais burgueses, aqueles que fazem o jogo da corrupção e governa para os ricos, ou seja, o diferencial do Partido das lutas sindicais, mesmo que já o tivesse perdido nos anos 1990, mas para a massa 2013 foi a separação. Tal fato gerou uma mudança cataclísmica na superestrutura. A partir dali o governo Dilma foi emparedado, mesmo se reelegendo em 2014. Como os partidos burgueses passaram por transformações, o PSDB de potência virou uma seita, o PSD de Kassab virou o fiel da balança na governabilidade e muitos partidos trocaram de nome, como em ações de empresas fazem em situação de escândalo rebranding. Talvez aqui esteja a pedra angular da herança de nossa crise política herdada do PSTU, a obtusidade e miopia da leitura desta mudança. Ficamos apenas nos regozijando na derrota do PT e não percebemos que as organizações burguesas se reorganizaram mediante o saldo de 2013, como o próprio PT, que após o impeachment rearticulou-se nos movimentos sociais e através das políticas como: Abaixo ao Golpe contra a Democracia! Prisão de Lula é Ditadura! Eleição sem Lula é Fraude! Lava-jato é uma operação estadunidense contra a economia brasileira! E outras bobagens. Mas elas permitiram ao PT impulsionar a candidatura de 2022 e dar um abraço de urso em todo os movimentos sociais, algo que nos isolou politicamente. ↩︎
- “O dinheiro transforma a fidelidade em infidelidade, o amor em ódio, o ódio em amor, a virtude em vício, o vício em virtude, o servo em senhor, o senhor em servo, a estupidez em inteligência, a inteligência em estupidez.” Manuscritos Econômicos e Filosóficos, 1844. Karl Marx. ↩︎
- Para nós revolucionários somente a tomada violenta dos meios de produção (fábricas, latifúndios, bancos, máquinas, grandes empresas e outros), ou seja, a Revolução proletária e socialista é capaz de dar fim a exploração capitalista. Para nós, as eleições são uma TÁTICA porque a classe ainda dá crédito político à institucionalidade burguesa, em especial, ao Parlamento. Aos revolucionários, uma vez que ocupem um mandato parlamentar terá como funções de denunciar o papel de classe do Parlamento e como um tribuno revolucionário mobilizar a classe para as lutas, por fora desta instância. As eleições burguesas, para nós se transforma em um momento ímpar em que a classe se permite a discutir política e romper parcialmente, a alienação capitalista a qual todos estão impelidos a viver no Capitalismo, que começa na própria relação social de trabalho em que o trabalhador fica restrito somente a sua realidade pessoal atomizada, sem conseguir observar o todo, o global. ↩︎
