A cultura popular associa o inferno ao fogo, à escuridão e à sede. É isso que acontece em São Paulo.
O incêndio em um vagão da linha 12 do transporte metropolitano pôs os passageiros às portas do inferno. Isso ocorreu na madrugada de domingo, 19/07, 3 dias após o início da operação pela empresa privada que recebeu as linhas 10, 11 e 12 das mãos do governador Tarcísio. O incêndio consumiu um vagão lotado de passageiros. Se não conseguissem abrir suas portas, o número de vítimas fatais seria assombroso.
A Trivia Trens recebeu a concessão para a operação por 25 anos e passou por um período de transição com técnicos da CPTM. Mas só deve ter aprendido a cortar custos para ter lucro fácil, além do subsídio que recebe do estado de SP. Sim, além de abocanhar a receita gerada pela utilização por cerca de 1,3 milhão de passageiros por dia. Façam as contas da arrecadação!

O sistema elétrico de São Paulo passou a ser operado pela italiana Enel em 2018 e passou a apresentar falhas gravíssimas no fornecimento de energia. Apagões consecutivos nos dias de tempestades e demora de vários dias para restabelecer a energia. Dois milhões de paulistanos sentiram a escuridão do inferno em suas casas. A situação chegou a um ponto em que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a agência reguladora, iniciou o processo de cancelamento do contrato de concessão de operação.
E a Sabesp, também leiloada por Tarcísio, é operada por um consórcio com capital estrangeiro predominante. Após a privatização, as ocorrências graves envolvendo a Sabesp aumentaram em 573%. Moradores da periferia da Região Metropolitana de São Paulo reclamam de recorrentes faltas de água e quedas da pressão da água à noite. É o racionamento disfarçado de água e a sede do inferno para a população mais pobre.
Não é só em São Paulo
O metrô de Belo Horizonte, que era operado pela CBTU, foi leiloado em 2022, no apagar das luzes do governo Bolsonaro. O governo Lula deu continuidade à privatização, que foi concluída em março de 2023. Hoje financia, com dinheiro público, 90% dos custos de construção da linha 2 e a reforma da linha 1, enquanto a empresa privada MetrôBH investe míseros 10%. É o milagre das PPPs! Como retribuição por esta bondade, a empresa demitiu 280 trabalhadores em 2024.
Mas Lula não quer um filho híbrido com Bolsonaro, nem ficar atrás de Tarcísio. Está privatizando sozinho o metrô do Recife, da CBTU, e, para atrair os tubarões, vai investir cerca de R$ 4 bilhões de dinheiro público em melhorias antes de entregá-lo.
É como dizemos: Lula e Bolsonaro (pai e filho) são diferentes nas palavras, mas iguais nos fatos.
Como se vê, o inferno não é só em São Paulo. Alastrou-se por todo o território brasileiro.
