Considerando que:
- O imposto sindical serviu para atrelar os sindicatos ao Estado e domesticar sua atuação por décadas, roubando o dinheiro do trabalhador, sem permissão alguma que, depois, era distribuído a centrais, federações e sindicatos, que se locupletavam com um recurso que não deveria ser seu.
- A Reforma Trabalhista encerrou a cobrança do imposto sindical, mas uma imensa quantidade de sindicatos o substituiu por uma “taxa negocial”, em que sindicatos com práticas burocráticas mantêm o confisco do dinheiro do trabalhador, apenas com outro nome, e sem repartir com o governo.
- Cobrar por negociar em nome dos trabalhadores é inaceitável, pois é para isso mesmo, entre outras coisas, que existe o sindicato, que já cobra mensalidades. Esta taxa mantém uma relação de privilégios de uma casta sindical, afastamento da base (a qual não precisa ser atendida, mobilizada e sequer filiada, pois na taxa se arrecada tudo) e conciliação com a patronal e governos, com quem se acerta a inclusão desta taxa nos Acordos Coletivos, normalmente em troca de entregar direitos da base dos trabalhadores.
- A maioria dos sindicatos da CSP-Conlutas, apesar das críticas ao imposto sindical, sempre utilizou este dinheiro tomado à força dos trabalhadores, agora renomeado, sem que a central tenha tomado qualquer medida concreta contra esta prática, em 20 anos deste debate.
- Os ataques que o sindicalismo classista e de luta sofre, muitas vezes confundido com o sindicalismo oportunista, conciliador de classes e corrupto, devem ser respondidos com mais e mais mobilização, democracia interna e práticas financeiras distintas, para demonstrar que existe um sindicalismo de fato em defesa do trabalhador, em oposição às máfias sindicais burocráticas.
- A dependência financeira de uma taxa acertada com a patronal, ou do antigo imposto, leva à dependência política. É preciso que os sindicatos rompam com este vício e se enraízem na base, multiplicando seus filiados e sejam a expressão política e financeira única e exclusivamente da classe trabalhadora e de seus interesses e decisões.
- Não é possível avançar na luta política pela consciência dos trabalhadores sem que os sindicatos de base estejam legitimados pelo trabalho que fazem em seu setor, e a Central não pode se eximir da responsabilidade sobre a origem das fontes de seu financiamento. A independência financeira das entidades é um pré-requisito para a independência política dos trabalhadores.
O Congresso da CSP-Conlutas resolve:
- Colocar como critério de participação plena que os sindicatos filiados à CSP-Conlutas se abstenham de cobrar qualquer taxa de negociação, assistencial ou extraordinária, a não ser em casos de absoluta exceção, pontuais e emergenciais, como algum fundo de greve ou medida para quitar alguma penhora de bens ou fatos atípicos desta natureza.
- Considerar que as entidades que não cumprirem esta cláusula de participação plena, a partir de 2027, estarão violando um dos pilares essenciais da construção de um sindicalismo independente, que justifique a própria criação da nossa central, devendo ter a participação deliberativa suspensa enquanto receberem estes recursos subtraídos da classe trabalhadora.
- Manter a participação com direito a voz e observação de todas as entidades filiadas, independentemente do recebimento destes recursos, entendendo que se trata de um debate político e que os companheiros e entidades devem ser ganhos para a compreensão e prática saudáveis e classistas, e não afastados.
- Apoiar todas as entidades que ainda recebem estes recursos para encontrar alternativas financeiras, ajudando em campanhas de filiação, ações de arrecadação voluntárias entre a base, consultoria para a organização financeira regular, etc.
- Provisionar recursos da central e sob a forma de um fundo de ajuda aos sindicatos em dificuldade mais severa, de forma a permitir que se tornem independentes financeira e politicamente, fortalecendo a própria central, e podendo devolver os eventuais recursos que tiverem que ser aportados para sua sobrevivência no primeiro momento.
- Realizar uma ampla campanha nacional de denúncia da taxa negocial e da corrupção sindical, que quer lucrar com os direitos dos trabalhadores, tomando ainda mais os recursos escassos da nossa classe.
Assinam:
Adriana do Carmo -Oposição Educação/PA; Alexa ID – ativista LGBTQIA+ Petrópolis RJ; Alexandre Elias – Sinasefe IF Fluminense; Alexandre Leme – Diretoria Executiva dos Sind. dos Metroviários de SP; Aline Galhardo- Caixa Econômica/RN/FNOB; Altino Prazeres – vice-presidente do Sind. de Metroviários de São Paulo, Secretaria Executiva Nacional Conlutas; Ana Carolina Nicolay – professora da rede municipal de SP; Ana Paula P Barreto – Banrisul/Oposição Bancária/RS/FNOB; Angélica Olivieri – base do Sintrajud-SP; Barbosa – oposição Correios SP; Basílio – operário em Macaé RJ; Bernardo Cerdeira – aposentado CEF MNOB SP; Camila Oliveira – CA Geografia Udesc; Carlos Bruno – oposição Sintrasem/Florianópolis; Carlos Rogério Muller – oposição Sintrasem/Florianópolis; Cícero Dantas – Oposição Correios São Paulo; Cilda Sales – Coletivo Reviravolta/SEPE; Claudia Schumacher – oposição Correios/SC; Clausmar Luiz Siegel – operador de produção de petróleo e membro da direção do SindiPetroRJ; Clodoaldo Rodrigues – base do Sindicato dos Servidores Públicos Federais do Amapá; Cremilton Alves – oposição Correios/SP; Crispim de Souza – presidente da Associação dos Agricultores e Extrativistas do Maracá AP-ACAEXMA; Cristóvão Steck Brunelli – Aposentado Caixa, MNOB/SP, Oposição Bancária/SP; Daniel Almenteiro – professor/PA; Daniel Filho – Caixa Federal/PA/FNOB e presidente da Asebef; Daniela – Movimento Popular/Associação do Bairro Santa Edwiges de Itaúna/MG; Danielle Bornia – minoria SEPE Niterói; Danilo Araujo – coordenador Sintufepe/UFPE; Dário Gonçalves – oposição Judiciário/PA; Dayse Oliveira – minoria Sepe São Gonçalo; Divana Maia – advogada/PA; Douglas – ativista do Movimento Negro Petrópolis RJ; Edson Santana – aposentado Correios RJ/BA; Eduardo Henrique Nascimento Silva (Edu H Silva) – conselheiro estadual da APEOESP pela oposição; Elizabete Bernardo de Oliveira – diretora SINTE-SJ, oposição SINTE-SC; Ellen Martins Catini – Santander/Oposição Bauru/FNOB; Elton Corrêa – presidente do Sindsemp/AP e diretor da FENAMP; Etiene Avelino – diretora SEPE regional 2 Coletivo Reviravolta/SEPE; Fábio Nogueira Andrade – suplente da Diretoria do Sindicato de Bancários do RN; Fábio Quadros – oposição STAP Guarulhos; Feliciano Espinhara – servidor aposentado da UFRPE, fundador do Sintufepe; Fernanda Ortiz Vieira – Bradesco/Oposição Bauru/FNOB; Fernando Costa Fllho – Caixa Federal/RN; Fernando Machado – diretor SEPE central Coletivo Reviravolta/SEPE; Fernando Saraiva – diretor sindicato de Bancários do Ceará, direção estadual da CSP-Conlutas Ceará; Gabriela Santetti – educação SC; Gabriela Schmidt – Ação Feminista Benedita Farias/SP; Genival Cruz – diretor do sindicato dos servidores da HBSERH-AP; Gilmar Salgado dos Santos – urbanitário, ex-dirigente do Sintaema-SC; Gleidson Rocha – base do SEPE Macaé RJ; Gonzaga – construção civil Fortaleza CE; Guilherme Rocha da Silva – Banco do Brasil/RS; Gustavo Kelly- Coletivo Reviravolta- Sepe/RJ; Gutemberg da Costa Bastos – manobrista; Heitor Fernandes – oposição de Correios-RJ; Henrique Torales – Oposição Correios/RS; Herlon Siqueira – Coletivo Reviravolta/SEPE; Hojo Rodrigues – jornalista/GO; Ian Bortolomiol – oposição Correios/RN; Igor S. Oliveira – MRS/BA; Ivan Bernardo – oposição APP-Sindicato Paraná; Jhony Silva – servidor Saúde/PA; João Gimbarski – oposição APP-Sindicato Paraná; João Paulo Moura Magno – oposição sindical Urbanitários/Pará; Jóe José Dias – bancário Florianópolis; José Barreto da Silva (Zé Barreto) – conselheiro regional da APEOESP pela oposição; José Gilmar Júnior – oposição Educação/PA
José Guerra de Lira Junior – Bradesco/Oposição Bancária PE/FNOB; Josielly Pereira – oposição Saúde/PA; Juan Dozza – oposição Correios/RS; Júlia Eberhardt – Movimento Nacional de Oposição Bancária RJ; Julio Negão – oposição de Correiros RJ; Kelvin De Angelis – Caixa Federal/RN/FNOB; Leandro Gonçalves – Banrisul/Oposição Bancária/RS/FNOB; Leandro Martins – oposição Saúde/PA; Lenilson Santana – minoria da Direção da FASUBRA; Lígia Carla – diretora Sintep Ananindeua/PA; Lucas Antonio Nizuma Simabukulo – diretor do Sinpeem pela Oposição e membro da Executiva Estadual da CSP-Conlutas SP; Luciano Mendonça – Caixa Federal/RS/FNOB; Luckacs – oposição Educação/PA; Maicon – minoria de direção SindipetroLP; Manoel Ovídio – diretor Sintep Ananindeua /PA; Marcio Santos Alves – oposição Correios/RS; Marcos Francisco da Silva – oposição Sintrasem Florianópolis; Marcus Vinicius, Conselho Deliberativo APCEF/SP – Oposição Bancária; Maria Luzinete Vanzeler – UFMT – base do Andes-sn; Marina Soares – UFSC – Frente Base Fasubra; Marta Turra – Caixa Federal/RN/FNOB; Matheus Crespo – Secretaria Executiva Nacional CSP-Conlutas e Caixa Federal/RN/FNOB; Morales – diretor Sintep Bragança/PA; Narciso Fernandes Soares – diretor do sindicato dos metroviários de SP; Natália Luz – base do SEPE Rio das Ostras RJ; Nilvia Batista – oposição Saúde/PA; Obérti Mayer – base Sinasefe SC; Osley Cardoso (Oz) – conselheiro regional da APEOESP pela oposição; Otávio Aranha – Coletivo Por Uma Outra Esquerda na Adufpa, base Andes-sn; Paulo Cesar de Almeida – oposição Correios Campinas; Paulo Melo – oposição judiciário/PA; Paulo Weller – oposição de professores municipais de Santa Maria e São Sepé e Democracia e Luta RS, Oposição CPERS; Rafael Borges – coordenador geral do SEPE Macaé RJ; Raimundo Araújo – oposição Educação/PA; Raimundo do Carmo – oposição Judiciário/PA; Raquel Polla – movimento nacional de oposição bancária Paraná; Reginaldo Afonso – oposição sindical correios-RJ; Roberto Baeta – minoria SEPE; Roberto Melo – oposição Judiciário/PA; Ronaldo Sampaio – coordenador-geral do Sindicato dos Servidores do Ministério Público de Pernambuco e coordenador jurídico da FENAMP; Roque Luiz Pegoraro – oposição Sintrasem Florianópolis; Sabrina Luz – base do SEPE Macaé RJ; Samantha Guedes – Coletivo Reviravolta/SEPE; Sandra Moreira – Coletivo Por Uma Outra Esquerda na Adufpa, base Andes-sn; Selma Gomes – UFSC – Frente Base Fasubra; Sérgio Perdigão – minoria SEPE-RJ; Severo – oposição SindSaúde/RN; Shaiene de Carvalho – conselheira estadual da APEOESP pela oposição; Simone Maria – conselheira fiscal SEPE regional 2 Coletivo Reviravolta/SEPE; Sinoélia Silva Pessôa – Aduneb BA – base do Andes-sn; Ubiratam Ferreira – Conselho Fiscal do SINDSEMPPE; Vandemberg Pastana – oposição Educação/PA; Vanessa Baia – Movimento Popular/Associação do Bairro Santa Edwiges de Itaúna/MG; Vítor Rittmann – oposição Correios/RS; Viviane Pacheco – oposição Correios/RS; Wagner Miquéias Damasceno – Coletivo Andes em Luta; Wellington de Oliveira Nascimento – Magrão – oposição Correios, delegado sindical CDD Vergueiro e comissão jurídica da Fentect; Wilson Jefferson Flores – Banrisul/Oposição Bancária/RS/FNOB
