Edmilson dos Santos, conhecido na cidade de Oiapoque, no Amapá, como Zé Vaqueiro, lidera, há cerca de quatro anos, uma ocupação por moradia popular na área da Areia Branca, próxima ao aeroporto municipal. Os moradores já resistiram a quatro ordens de despejo e à destruição de suas casas por tratores da prefeitura.
A exploração de petróleo na região, somada à intensa exportação de madeira para outros países, ampliou a especulação imobiliária, o crescimento desordenado da cidade, os conflitos fundiários e a criminalização dos movimentos sociais.
Não à criminalização dos movimentos sociais!
Edmilson, trabalhador humilde que atua como roçador de quintais, e sua companheira Cleidiane Gonçalves, trabalhadora doméstica, fazem parte da diretoria da Associação de Moradores. Ambos são acusados pela Justiça estadual de formação de quadrilha, suposta invasão de terras da União, estelionato e crimes ambientais.
Há cerca de 17 dias, policiais civis invadiram sua casa e apreenderam seu celular, documentos pessoais e papéis da Associação de Moradores. Na ocasião, Edmilson foi preso preventivamente sob alegação de representar perigo às investigações e à sociedade.
O processo corre sob sigilo absoluto, e Edmilson permanece preso no minipresídio de Oiapoque. Advogados ligados ao Movimento em Defesa da Liberdade de Edmilson consideram a prisão arbitrária e apontam motivações políticas no caso.
Liberdade para Edmilson!
No dia 7 de maio, uma delegação formada pelo sindicato dos servidores do Ministério Público do Amapá, pela Associação dos Agricultores e Extrativistas do Maracá-Mazagão/AP e por militantes do Movimento por um Partido Revolucionário (MPR) realizou um ato em frente ao Fórum de Oiapoque e, depois, seguiu em marcha até a prefeitura.
A manifestação, inédita na cidade, chamou a atenção da população. Nenhum carro de som aceitou cobrir o protesto. Os manifestantes tiveram que utilizar uma caixa de som improvisada e percorrer o centro, exigindo que os governos de Lula e Clécio Luís, a Justiça estadual e o prefeito Inácio Maciel libertem o preso político Edmilson.

Após o ato, realizou-se uma reunião que aprovou um plano de lutas para nacionalizar a denúncia e fortalecer a unificação com movimentos de mulheres trabalhadoras, quilombolas, indígenas e do movimento sindical.
O encontro foi encerrado com a apresentação do MPR em uma das casas da ocupação, na qual estiveram presentes as mulheres da linha de frente do movimento.
Uma nova reunião ampliada ocorrerá nesta sexta-feira (15), às 8h, na Pastoral da Terra (Colégio Diocesano), em Macapá, em formato híbrido para possibilitar a participação de movimentos sociais de outros estados e dos municípios do Amapá, fortalecendo a campanha nacional pela liberdade de Edmilson.
Conheça o MPR/AP

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