O caso do Banco Master nunca foi apenas um escândalo de fraudes financeiras. As novas revelações provocaram um verdadeiro terremoto político-institucional em meio à campanha eleitoral, expondo o conjunto das instituições do Estado e todas as alas da burguesia — tanto a base do governo Lula quanto a oposição de direita. O levantamento do sigilo de uma das investigações da Operação Compliance Zero, pelo ministro André Mendonça (STF), revelou mensagens diretas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e autoridades do topo do Judiciário e da política nacional.
Relatórios da Polícia Federal revelaram diálogos nos quais Vorcaro consultava o ministro Alexandre de Moraes sobre o andamento de mandados e a possibilidade de deixar o país antes da deflagração das operações, além do ministro minutar contratos firmados com o escritório de sua esposa, Barci de Moraes, no valor total de R$ 131 milhões. O caso gerou pedidos de investigação contra o próprio ministro e reacendeu a pressão pelo impeachment no Congresso por parte da oposição bolsonarista.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, não teve melhor sorte: no mesmo dia, a revista Piauí revelou que Vorcaro realizou mais um repasse de US$ 1,6 milhão para o filme Dark Horse após cobranças do senador, que havia afirmado que o último repasse ocorreu em maio de 2025. Com esse novo pagamento, o valor total enviado pelo banqueiro para a cinebiografia de Bolsonaro subiu para 12,3 milhões de dólares — mais de 65 milhões de reais.
Esses episódios comprovam, mais uma vez, que o Estado burguês não é um árbitro neutro. Os donos do capital têm canal direto com os mais altos escalões da República para blindar fraudes e negociar impunidade, numa relação promíscua com o aparato estatal. Enquanto isso, a classe trabalhadora amarga salários de R$ 1.621 — que não chegam ao fim do mês — e se afoga no endividamento sob juros escorchantes.
Enquanto os banqueiros contam com a complacência do Estado e com fundos garantidores com dinheiro público, mais de 80% das famílias seguem endividadas após 18 meses da primeira edição do Desenrola, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC), pois as dívidas foram convertidas em novos empréstimos, que transformam a miséria das famílias em fluxo de lucro seguro para os bancos, com a garantia e blindagem do Estado.
O terremoto político de 2026 expõe a podridão de todo o regime e a farsa das eleições. Diante do desfile de denúncias e da troca de acusações entre as cúpulas partidárias, a classe trabalhadora não tem alternativa, nestas eleições, a não ser confiar em suas próprias forças, apostar na mobilização e votar nulo. As demandas reais, como comida no prato, emprego, salário digno, o fim da escala 6×1, moradia, saúde, educação, só serão plenamente conquistadas para todos com a construção de uma alternativa revolucionária e socialista dos trabalhadores!
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