O Banco Ueno, intimamente ligado ao presidente Peña e ao seu círculo financeiro, está em “processo de liquidação”. Não nos deixemos levar por tecnicismos nem eufemismos: esse banco está falido, em colapso e insolvente. Seu objetivo, desde o início, foi servir como instrumento para lavagem de dinheiro e pilhagem, constituindo, assim, a base financeira de Peña e seu círculo.
O motivo, já anunciado por muitos, é um golpe repugnante. Trata-se da rapina dos fundos por meio de “empréstimos vinculados”, ou seja, o Ueno começou a emprestar dinheiro a empresas ligadas à própria holding empresarial. Entre si, eles emprestaram parte do dinheiro de milhares de poupadores e cerca de 380 milhões de dólares do IPS, além do dinheiro público proveniente de outros órgãos e entidades do Estado, estimado em 850 milhões de dólares.
Estamos diante de uma associação criminosa que opera nas entranhas do próprio Estado. O presidente Peña precisa sair. Até março de 2025, ele era acionista da Holding Ueno Bank. O presidente do Banco Central do Paraguai (BCP), Carlos Carvallo, foi presidente da então Financiera Ueno até julho de 2023, semanas antes de assumir a direção do banco matriz. A esta altura, as conexões entre o capital financeiro e o poder político que roubam do povo trabalhador estão bem claras.
Estamos diante de um caso clássico de associação criminosa de uma facção política que dilapida o dinheiro público para se enriquecer. É simples assim. É impossível acreditar que a diretoria do BCP “não sabia o que estava acontecendo” ou que fez o impossível para não deixar essa crise se alastrar.
Esta não é apenas uma crise financeira “pontual”, como afirmaram os tecnocratas do BCP. É uma crise estrutural do capitalismo paraguaio, parasitário e mafioso. O escândalo, além disso, desmente toda a propaganda oficial de um suposto “paraíso” financeiro no Paraguai, no qual Peña e seu círculo comemoravam a melhoria da classificação de risco para “Grau de Investimento” pela Moody’s e outras agências internacionais. O Paraguai nunca deixou de ser uma grande “fazenda” administrada por incompetentes e bandidos.
O BCP anunciou um prazo de 15 dias para começar a pagar os depósitos, com um teto legal de até G. 228,3 milhões (75 salários mínimos). Isso é inaceitável. O que acontecerá com o trabalhador, a dona de casa ou o aposentado que precisa hoje do pouco dinheiro que tinha em sua conta para comprar alimentos, pagar o aluguel ou despesas com saúde? O que acontecerá com os fundos do IPS que foram depositados no Ueno? O que acontecerá com a parte dos fundos do IPS e com o restante do dinheiro público que excede essa cobertura legal?
O povo não pode simplesmente “esperar” pela tramitação da liquidação do Ueno. Trata-se de um roubo colossal e escandaloso. A crise financeira dará origem a um aprofundamento da crise política já em curso, como ocorre no Brasil com o caso do Banco Master, que gerou uma tempestade que atravessou as eleições e atingiu políticos de todos os partidos e até mesmo ministros da Suprema Corte. No Ueno, o modus operandi é semelhante, com o agravante de que sua cúpula é a mesma que controla o país. A classe trabalhadora deve entrar em cena e intervir com sua própria política independente.
Devemos sair às ruas imediatamente e nos organizar em cada empresa, local de trabalho, escola ou universidade para opor ao poder dos bancos o poder das ruas. É preciso marchar, fazer panelaços, manifestar-se em frente à sede da Ueno, ao Banco Central, ao Mburuvicha Róga e ao Palácio de López. Não podemos aceitar esse assalto passivamente nem ficar de braços cruzados enquanto enchem os bolsos com o dinheiro dos trabalhadores.
A postura inicial das centrais sindicais é uma vergonha. Esses traidores pedem “diálogo social” diante do esvaziamento dos fundos dos trabalhadores. Não apresentam nenhum plano de luta nem convocam nenhuma ação. A classe trabalhadora deve passar por cima deles e se auto-organizar de uma vez por todas.
Peña não tem condições de continuar à frente do país. Ele deve renunciar. Devemos expulsá-lo à força, nas ruas. Colocamos a Insurgencia à disposição para qualquer articulação que canalize a raiva do povo contra o maior roubo bancário desde a década de 1990. É hora de se rebelar.
Defendemos:
Abertura dos livros contábeis e dos relatórios, e abolição do sigilo bancário.
Garantia imediata de 100% do valor dos depósitos dos pequenos poupadores, aposentados e contas de salário.
Nem um guaraní para o resgate dos grandes acionistas. Não à socialização das perdas com dinheiro público!
Confisco do patrimônio dos executivos e diretores da UENO e do BCP para cobrir as perdas dos pequenos poupadores e do IPS.
Nacionalização de todo o setor bancário, sem indenização e sob controle dos trabalhadores.
Monopólio estatal do crédito em um único banco estatal sob controle dos trabalhadores.
Greve geral contra o roubo de nossos salários e aposentadorias!
Fora, Peña!
Assunção, 3 de novembro de 2026.
Originalmente publicada no site do CIR: https://cir-internacional.org/es/hay-que-salir-a-las-calles-ante-el-robo-bancario-del-dinero-del-pueblo-fuera-pena/
