Depois da derrota de Lula no primeiro turno, a campanha da Frente Ampla se joga desesperadamente para reverter esse resultado. UP, PCB e PSTU, que lançaram candidatos próprios no primeiro turno, aderiram ao voto “crítico” em Lula/Alckmin, argumentando que é preciso impedir a vitória da ultradireita. O mesmo fez a direção da CSP-Conlutas. Todos a reboque da Frente Ampla.
O MPR mantém a defesa do voto nulo no segundo turno. Somos contra esses dois candidatos capitalistas, apoiados por dois setores do imperialismo estadunidense e da burguesia brasileira.
Flávio Bolsonaro representa uma ala burguesa reacionária, com um projeto de submissão descarada ao imperialismo estadunidense e um discurso que ataca setores oprimidos. Se for eleito, fará mais ataques aos trabalhadores e ao povo. Nesse caso, será preciso organizar a resistência ao seu governo.
Mas é uma farsa dizer que Flávio representa uma ameaça fascista e golpista. Essa é uma mentira deliberada do PT e da esquerda que o segue, para provocar angústia, medo e pânico na população e pressionar quem não votou ou votou nulo.
Eles sabem muito bem que fascismo significa GUERRA CIVIL contra a classe operária, por meio de milícias armadas. Essa possibilidade não tem nada a ver com a situação do Brasil e do mundo. Os trabalhadores e setores populares mobilizam-se e enfrentam os planos neoliberais em vários países. Não estamos diante de uma onda conservadora.
O PT quer encobrir os ataques do governo Lula contra os trabalhadores e o povo pobre, que vão piorar, seja qual for o governo. A crise do capitalismo mundial e a ofensiva do imperialismo obrigam os governos a aprofundarem os planos neoliberais. Se Lula ganhar, vai aplicar um ajuste fiscal ainda maior.
Derrota de Lula no primeiro turno: voto-castigo a um governo capitalista
A derrota de Lula no primeiro turno foi um recado popular. Lula foi derrotado pelas ações do seu próprio governo. Foi eleito em 2022 para o seu terceiro mandato, quinto do PT neste século, e prometeu picanha para todos. Mas a realidade frustrou as expectativas de seus eleitores.
Os trabalhadores vão de mal a pior. A inflação corroeu os salários. O salário mínimo não passa de R$ 1.621. 65% são obrigados a buscar um “bico” para complementar a renda. 82% das famílias se endividaram e 30% não conseguem pagar as dívidas. Os empregos são precários e informais. Da picanha, o povo não sente nem o cheiro.
Lula governou para os capitalistas, os banqueiros e o agronegócio. Impôs o arcabouço fiscal e realizou cortes na Educação e na Saúde para garantir o pagamento da dívida pública aos capitalistas, com juros de 14% ao ano. Destinou bilhões do Plano Safra aos latifundiários e manteve isenções fiscais para os grandes empresários.O governo Lula nem se propôs a revogar as contrarreformas trabalhista e previdenciária e a lei das terceirizações de Temer e Bolsonaro; continuou com a política de privatizações de portos, aeroportos, rodovias, a tentativa de privatizar os rios da Amazônia e o sucateamento das estatais, como os Correios.
O governo se envolveu nos escândalos de corrupção do INSS, do Banco Master, de Alexandre de Moraes e de outros ministros do STF, que refletem a profunda crise das instituições corruptas dessa falsa democracia dos ricos, que é uma ditadura para os pobres, e de genocídio dos indígenas e da juventude negra da periferia.
Por fim, Lula não pode defender a soberania do país porque o Brasil não é um país soberano. É totalmente dependente do imperialismo. Lula aceita essa situação de subordinação. Não retaliou Trump pelo aumento das tarifas sobre as exportações brasileiras, acenou com a cessão de terras raras e busca ter boas relações com ele.
É preciso construir uma alternativa revolucionária dos trabalhadores
O PT e seus aliados dizem que é obrigatório votar em Lula porque, senão, faremos o jogo da direita. Dizem que não há opção e que não se pode fazer críticas ao governo Lula/Alckmin porque isso enfraqueceria a possibilidade de derrotar o bolsonarismo. Mas isso é uma falácia.
Se Lula ganhar, seu novo governo estará contra os interesses populares e teremos que preparar lutas tão fortes quanto se Flávio ganhar. Votar em Lula é votar contra nós mesmos, enfraquecer nossa organização e independência, submetendo nossa classe à burguesia.
A luta contra a direita não se dará por meio das eleições, e sim nas ruas, nas greves, nas ocupações e em todo tipo de mobilização contra os ataques do capital, ou seja, na luta de classes.
Diante da falência da “esquerda” que defende o capitalismo, é preciso romper com esse ciclo infernal que mantém a classe trabalhadora atrelada a um setor da classe dominante brasileira e a uma ala do imperialismo.
É preciso organizar os trabalhadores de forma independente de governos e patrões. Ao mesmo tempo, é preciso construir uma alternativa revolucionária dos trabalhadores que lute para acabar com o capitalismo, com a exploração e com todas as formas de opressão, por meio de uma revolução socialista. É isso que estamos fazendo: construindo essa alternativa nas lutas e defendendo uma posição de independência de classe nas eleições.
Venha conhecer o MPR.
Direção Nacional do MPR
