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Documentos Iniciais

Sobre a Conjuntura Internacional

26/03/2026Nenhum comentário26 Mins Read
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Introdução

Este texto parte de documentos anteriores, especialmente o BDI 25 sobre as tendências da situação mundial, apresentado pela FDR ao Congresso da LIT, e as declarações do CIR sobre os últimos acontecimentos da luta de classes internacional. Foi fruto de uma primeira discussão na Direção Nacional do MPR e ainda apresenta muitas debilidades. Portanto, precisa ser discutido em profundidade no conjunto do MPR e no CIR para que possamos avançar nessa análise.

Procuramos abordar a atual conjuntura internacional a partir de uma revisão das principais análises, caracterizações, políticas e polêmicas do BDI 25, submetendo-as ao crivo dos fatos posteriores. Por isso, seria importante que todos os companheiros relessem esse documento e que os companheiros que aderiram recentemente ao MPR tomassem conhecimento dele.

Mas, obviamente, o principal objetivo deste texto é atualizar a análise da conjuntura para que a militância do MPR discuta e intervenha na luta de classes. Isso é ainda mais necessário porque já faz quase um ano que elaboramos o BDI 25 (maio de 2025) e, nesses dez meses, houve vários acontecimentos que, em nossa opinião, embora não tenham modificado as tendências mais gerais da situação, alteraram significativamente a conjuntura.

Por último, este documento foi aprovado pela Direção Nacional do MPR em sua reunião de 14/15 de março, com a participação de alguns camaradas do CIR. Mas é um documento limitado, pois carece de elaboração internacional e de contribuições de organizações de outros países para enriquecer este debate, culminando em uma discussão no âmbito do CIR. Este é só um primeiro passo.

O que foi comprovado do Documento Alternativo sobre Tendências da Situação Mundial – (BDI 25)

Os acontecimentos da luta de classes no período de dez meses que é objeto desse documento – o fracasso das negociações para terminar a guerra da Ucrânia; o precário acordo de cessar-fogo em Gaza com a continuidade das violações por parte de Israel; a agressão militar de Trump à Venezuela e a capitulação do regime chavista; o bloqueio dos EUA do petróleo para Cuba; a resistência de massas à política de Trump contra os imigrantes e as manifestações contra o ICE; o ataque de Israel e dos EUA às instalações nucleares do Irã; o levante das massas contra a ditadura dos aiatolás no Irã; a atual ofensiva militar dos EUA e Israel contra o Irã e a resposta deste país – confirmaram algumas caracterizações centrais que fizemos no Documento sobre Tendências da Situação Mundial da FDR, a saber:

  1. A crise do capitalismo mundial e a ofensiva econômica do imperialismo contra as massas para tentar revertê-la, assim como suas ações políticas e militares recolonizadoras contra países semicoloniais, continuam e se aprofundam.
  2. Essas ações continuam provocando todo tipo de respostas das massas ao redor do mundo, como na Ucrânia, na Palestina, agora no Irã e em vários países, inclusive nos Estados Unidos.
  3. A situação política mundial está mais do que nunca caracterizada pelo enfrentamento entre revolução (por ex., a feroz resistência das massas ucranianas que há quatro anos impedem a vitória russa; a resistência palestina que, apesar do genocídio, impediu até agora a ocupação de Gaza e a destruição da Resistência palestina; a heroica luta das massas iranianas contra a sangrenta ditadura dos aiatolás) e contrarrevolução (o imperialismo norte-americano nos casos da Venezuela e do Irã, o Estado nazi-sionista de Israel e o imperialismo contra os palestinos e demais povos da região, e a ditadura iraniana assassina).
  4. Isso confirma o que dizíamos no BDI 25: “Os elementos que mais caracterizam a situação mundial atual são a crise e a ofensiva do imperialismo e das burguesias, por um lado, e a reação das massas, por outro. Em especial, na época imperialista, a luta de classes assume a forma de agudos enfrentamentos militares ou guerras que não envolvem só a burguesia e o proletariado, mas também a pequena burguesia e setores populares e, inclusive, setores burgueses enfrentados. É o que acontece hoje na Guerra da Palestina, que envolve vários países do Oriente Médio, e na guerra da Ucrânia. Esses são hoje os epicentros da luta de classes mundial”. Os acontecimentos posteriores, além de confirmar essa caracterização e essa tendência, mostram que elas se agravaram.
  5. Os acontecimentos desse período desmentiram, mais uma vez e categoricamente, que a situação política mundial esteja caracterizada pela disputa de hegemonia entre o suposto bloco China-Rússia e o imperialismo estadunidense. A China e a Rússia passaram longe de tentar interferir em defesa da Venezuela, de Cuba ou do Irã, citando apenas os mais recentes episódios, a exemplo da sua total omissão em relação ao genocídio em Gaza e às repetidas agressões ao Irã. Limitaram-se a protestos protocolares e inúteis e submeteram-se totalmente aos Estados Unidos.
  6. Ficou mais claro ainda, ao contrário do que diziam a direção da LIT e do PSTU e conforme ao que dizíamos no BDI 25, que o mundo não caminha para a Terceira Guerra Mundial, já que China e Rússia não têm interesse nem condições de enfrentar militarmente os EUA e buscam apenas defender suas áreas de influência regional, livres da contaminação revolucionária (Ucrânia) ou, no máximo, no caso da China, colocar-se em uma posição neutra para fortalecer sua posição econômica.
  7. Também se confirma o aumento do declínio econômico do imperialismo estadunidense. Isso se vê claramente no crescimento exponencial do seu déficit tríplice – comercial, orçamentário e de poupança doméstica x investimentos – e da dívida pública, que não foram revertidos pelas medidas de Trump, assim como no enfraquecimento do dólar. Esse declínio econômico é acompanhado por uma crescente crise social e política interna.
  8. Ficou claro que estava correta a afirmação de que “O governo Trump é uma expressão e uma nova tentativa de superar essa crise econômica e política do imperialismo”. A ofensiva econômica de Trump, com a decisão de aumentar as tarifas de importação dos EUA para todos os países do mundo, tanto as semicolônias quanto os países imperialistas aliados e as potências emergentes, buscou atacar o tríplice déficit e a dívida pública do Estado norte-americano, reverter o enfraquecimento do dólar e forçar os países a capitularem e aceitarem acordos comerciais.
  9. Isso se combina com a ação reacionária de Trump no interior dos Estados Unidos contra os imigrantes e os setores oprimidos, o que acirrou tremendamente a resistência das massas contra o ICE e as mobilizações contra o governo.
  10. Os governos que se dizem “progressistas” demonstraram, como dissemos, ser totalmente pró-imperialistas. Todos (incluindo a China e a Rússia) aceitaram as novas tarifas, limitando-se a algumas negociações, e aceitaram entregar as riquezas dos seus países (como tudo indica que foi o caso da cessão das terras raras pelo governo Lula) e acatar as imposições políticas do imperialismo, continuando a implementar todos os planos neoliberais. Os aparatos contrarrevolucionários, partidos reformistas e centrais sindicais burocráticas são parte da tentativa de encobrir essa política, ao exaltar os discursos de Lula, Petro da Colômbia e Cláudia Sheinbaum do México como manifestações de “soberania” e de um suposto enfrentamento a Trump.
  11. A decadência do imperialismo estadunidense evidencia-se também na sua dificuldade de controlar regiões inteiras e conflitos ao redor do mundo, como afirmado no BDI 25. Por exemplo, as tentativas dos EUA e de seu agente, Israel, de controlar a situação da luta de classes no Oriente Médio (primavera árabe, revolução e guerra civil na Síria, ataque do Hamas a Israel) têm, ao contrário, aumentado exponencialmente a instabilidade permanente da região. É o que acontece hoje com a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, que vem desestabilizando todo o Oriente Médio e provocando uma crise mundial.
  12. Reafirmamos que a crise da ordem mundial é, essencialmente, a crise do imperialismo estadunidense, como assinalamos no BDI 25: “A crise da ordem mundial é a crise do imperialismo estadunidense e de sua incapacidade e dos seus agentes para controlar e estabilizar regiões inteiras do mundo”.
  13. Essa crise estrutural vem desde a década dos anos 1970 do século XX, passou por um relativamente breve período de duas décadas de recuperação com a restauração do capitalismo nos ex-Estados operários burocratizados, mas voltou com muita força a partir da crise econômica mundial de 2008. Com o agravante de que, depois da queda da União Soviética e dos regimes stalinistas do Leste europeu, o imperialismo já não conta com a colaboração contrarrevolucionária do aparato stalinista mundial para controlar a situação da luta de classes em boa parte do mundo.
  14. Por outro lado, reafirmamos a caracterização de que, na conjuntura atual, há condições favoráveis para que nossos partidos intervenham nas crescentes mobilizações das massas e façam propaganda na vanguarda das lutas e entre os operários mais avançados para construir partidos revolucionários.
O que é preciso atualizar sobre a conjuntura

Se, por um lado, tivemos esses acertos estratégicos, é preciso assinalar que houve importantes mudanças na conjuntura, nesses últimos meses, desde a publicação daquele documento (maio/junho de 2025).

  1. A crise econômica continua. O aumento das tarifas não gerou resultados significativos para o imperialismo estadunidense. Ao contrário, aumentou a falta de confiança nas ações do governo Trump e no próprio dólar. A isso, somou-se a derrota de Trump na Suprema Corte, que considerou ilegal o aumento das tarifas. Essa decisão reflete a insatisfação de um setor da burguesia estadunidense, principalmente importadora, com os prejuízos que vem sofrendo com o aumento das tarifas e com a desvalorização do dólar.
  2. Mas o próprio declínio do imperialismo, sua crise econômica, a reação das massas e o acirramento da luta de classes, que se expressa agudamente nas guerras, obrigam o imperialismo a tentar reverter a sua decadência e fortalecer a sua hegemonia. Para isso, o governo Trump vem combinando pressões econômicas e políticas contra todos os países, com uma escalada de pressões e agressões militares contra países semicoloniais independentes, como o Irã.
  3. Isso explica por que o governo Trump vem assumindo uma atitude ofensiva do ponto de vista político-militar, por exemplo, na Venezuela. Os EUA bombardearam instalações militares em Caracas, sequestraram o presidente Maduro e forçaram um setor do chavismo, encabeçado pela nova presidente, Delcy Rodríguez, a aceitar as ordens do imperialismo. O novo governo chavista preservou seu regime ditatorial à custa de fazer um acordo para entregar o petróleo do país e obedecer às ordens de Trump, aceitando, assim, a transformação da Venezuela em um verdadeiro protetorado dos EUA.
  4. Também faz parte dessa ofensiva do imperialismo a proibição de que a Venezuela exporte petróleo para Cuba, levando ao extremo o bloqueio econômico e, agora, energético à ilha, para estrangular sua economia e tentar promover a queda do regime e a restauração das propriedades da burguesia “gusana” de Miami.
  5. Essa atitude se combina com as ameaças contra o México e a Colômbia e a formação do chamado Escudo das Américas, em acordos com governos de direita da América Latina (Argentina, Paraguai, Chile, Equador e El Salvador, entre outros), para supostamente combater os cartéis de tráfico de drogas, classificando esses grupos criminosos latino-americanos como Organizações Terroristas Estrangeiras. Essa medida abre as portas para a intervenção de forças militares estadunidenses contra esses cartéis, abolindo o que resta da soberania dos países, com a anuência de seus governos. Os ataques de Trump às embarcações que classifica como ligadas ao “narcoterrorismo” no Pacífico e no Caribe já causaram mais de 150 mortes.
  6. Essa iniciativa não visa eliminar ou combater efetivamente o narcotráfico, pois nem menciona o tráfico interno nos EUA, que é o mais importante, porque abastece o maior mercado consumidor do mundo, para onde todas as drogas convergem. Na verdade, essa repressão busca controlar e garantir preços elevados das drogas. E, principalmente, é um instrumento político de submissão dos governos da região para reprimir a imigração e, principalmente, combater a influência chinesa na América Latina.
  7. Dessa forma, Trump aumenta sua ofensiva recolonizadora contra os países semicoloniais da América Latina, aplicando a chamada doutrina “Donroe” (tomando como referência a Doutrina Monroe, a América para os americanos, mas substituindo o M pelo D de Donald).
  8. Os governos ditos “progressistas” capitularam totalmente à agressão militar e política do governo Trump contra a Venezuela, como demonstra claramente o protesto meramente protocolar do Brasil, da Colômbia, do México, do Chile e do Uruguai. Sem falar dos governos que apoiaram completamente o imperialismo estadunidense, como foi o caso de Milei da Argentina. Não há dúvidas de que a tendência seja a não existência e qualquer resistência das burguesias latino-americanas a essa ofensiva.
  9. Neste sentido, é interessante comparar a posição dos governos latino-americanos “progressistas” no começo dos anos 2000 que, sob a pressão das revoluções daquele período, agiram para sepultar a proposta da ALCA. Alguns, como Chávez, denunciaram ser um acordo comercial colonizador. Agora, os mesmos governos “progressistas” e a esquerda que os apoia exaltam o Acordo União Europeia-Mercosul (congelado pelo Parlamento Europeu) como uma grande conquista, sem mencionar que é tão colonizador quanto a ALCA.
  10. A recente iniciativa de Trump de um “Conselho de Paz”, formado por 60 países que seria, no papel, uma iniciativa para “promover a estabilidade e a paz em regiões afetadas ou ameaçadas por conflitos” e que, supostamente, teria como primeiro objetivo a reconstrução da Faixa de Gaza, é uma clara tentativa contrarrevolucionária. Busca, em primeiro lugar, ocupar Gaza com forças militares imperialistas, desarmar e eliminar o Hamas. Mas seu objetivo pode ser mais amplo: enfraquecer ou até substituir a ONU, que é abertamente pró-imperialista, mas na qual os EUA perdem constantemente votações, por um novo órgão internacional ainda mais submisso ao imperialismo estadunidense.
  11. Ao mesmo tempo, Trump procura subjugar seus sócios imperialistas menores, como é o caso dos países europeus. Essa atitude em relação a estes sócios ficou clara no caso das declarações e pressões que seu governo fez para se apoderar da Groenlândia; nas constantes humilhações a que submete os governos europeus, no desprezo pela OTAN, etc. Trump foi obrigado a recuar temporariamente, tanto pela reação dos países europeus quanto porque teve que se voltar para outros alvos, como o Irã, mas pode voltar à carga.
  12. Essa política ofensiva do imperialismo estadunidense, no entanto, não é uma demonstração de força, mas sim da sua crise e da debilidade relativa da hegemonia mundial que ainda mantém. Essa debilidade fica clara se analisarmos os limites desta ofensiva. Não é uma política de guerra combinada com ocupação militar, como foi a Guerra ao Terror de George W. Bush, a partir do atentado às Torres Gêmeas em 2001, que foi o pretexto para as invasões e ocupações do Afeganistão e do Iraque.
  13. A política atual do imperialismo não pode ser a mesma porque essas duas guerras do começo do século XXI exigiram ocupações muito longas, milhares de soldados estadunidenses mortos e feridos, gastos de mais de 3 trilhões de dólares e, principalmente, porque terminaram em derrotas desastrosas do imperialismo. Essas derrotas foram elementos políticos que se combinaram às contradições econômicas e impulsionaram a crise econômica de 2008, como a LIT caracterizou naquele momento. Depois desse desgaste e das derrotas nessas guerras, há um sentimento na população americana contra a entrada dos EUA em uma nova guerra e, principalmente, contra o envio de tropas. Por isso, Trump age com uma mescla de agressão militar à distância, com mísseis e bombardeio aéreo, e pressão negociadora, mas sem o envio de tropas, pelo menos até agora.
A guerra dos EUA-Israel contra o Irã
  1. O elemento mais recente desta ofensiva imperialista e, de longe, o centro da conjuntura mundial é o ataque conjunto dos EUA e de Israel ao Irã, com bombardeios intensos, o assassinato do aiatolá Khamenei, de vários líderes e chefes militares do regime e a destruição de uma parte significativa do aparelho militar do Irã.
  2. Trump e Netanyahu têm o objetivo de destruir a maior parte da estrutura militar do Irã, impedindo, inclusive, o desenvolvimento do seu programa nuclear. Pretendem derrubar o regime dos aiatolás ou, como mínimo, exercer pressão militar e política para que o governo iraniano capitule e ceda o controle do petróleo do país, a terceira maior reserva mundial. No entanto, até agora (no vigésimo primeiro dia da guerra) isso não tem funcionado.
  3. É importante analisar, em primeiro lugar, o que Trump pretende com essa guerra. Até mesmo publicações burguesas, como The Economist, questionam a falta de uma estratégia clara por parte do governo. O ataque foi motivado, em linhas gerais, pela política de ofensiva do imperialismo estadunidense contra os países semicoloniais, principalmente os que ainda são independentes, e pela intenção de se apoderar do petróleo do Irã.
  4. Mas também foi uma forma de desviar a atenção do público interno dos graves problemas e crises que atingem sua administração. Trump enfrenta a resistência de importantes setores de massas à sua política contra os imigrantes e à repressão da polícia anti-imigração (o ICE), que ataca e ocupa os estados dirigidos pelo Partido Democrata e as chamadas “cidades-santuários”. O ICE chegou a assassinar dois cidadãos estadunidenses brancos, Renée Good e Alex Pretti, o que é especialmente chocante para esse setor da população.
  5. A resistência de massas manifestou-se não só em mobilizações de oposição em mais de duas mil cidades em todo o país, sob o lema NO KINGS, como também no apoio dos trabalhadores brancos aos imigrantes, inclusive com um fato inédito: a greve geral do estado de Minnesota para protestar contra o ICE e a política do governo contra os imigrantes. Foi a primeira greve geral de um estado dos EUA em 80 anos.
  6. Essa resistência, segundo o Wall Street Journal, está fazendo Trump reconhecer a membros do seu governo que algumas políticas de deportação foram longe demais, geraram reação negativa e que é necessário mudar a abordagem do governo. Segundo o jornal, ele defendeu dar mais foco à prisão de “criminosos” e reduzir operações amplas. Diante das mobilizações, Trump foi obrigado a concluir a “operação especial” do ICE em Minnesota e retirar boa parte de seus agentes.
  7. A atual insatisfação popular nos EUA também está atrelada ao alto custo de vida, às tarifas de importação e às preocupações com a economia. Como resultado da combinação desses fatores, há, segundo pesquisas (a última do The Economist), uma desaprovação da população ao governo Trump de 58% e uma aprovação de apenas 38% (em outras pesquisas, 36%).
  8. Além disso, o presidente enfrenta problemas políticos com setores da própria burguesia estadunidense que se refletem, por exemplo, na decisão da Suprema Corte que declarou ser ilegal o aumento de tarifas imposto por Trump. Ou com o escândalo do esquema de pedofilia do caso Epstein, que envolve grandes bilionários e eminentes políticos e em que fica cada vez mais claro o envolvimento de Trump.
  9. Este quadro ameaça conduzir o governo a uma derrota importante nas eleições de meio de mandato, a serem realizadas em novembro, o que o transformaria em um governo fraco, com minoria no Congresso, o que é chamado nos EUA de um “pato-manco”.
  10. Por tudo isso, a guerra contra o Irã ajuda a desviar a atenção dessa situação interna, além de estimular a indústria militar a repor uma enorme quantidade de armamentos (mísseis, bombas, drones) consumidos nos bombardeios ou destruídos pela ação do inimigo.
  11. Netanyahu vive uma situação interna similar em Israel: o país enfrenta problemas econômicos e haverá eleições este ano, que não pode perder, pois está sob a ameaça de um julgamento por corrupção. Além disso, Israel é um enclave militar cuja existência e sobrevivência dependem da manutenção de um estado de guerra permanente. Por outro lado, a existência de Israel é uma peça-chave para o domínio dos EUA no Oriente Médio e isso tem enorme importância para sua política externa.
  12. Esses foram os principais motivos que levaram os EUA e Israel a atacarem o Irã, e não o pretexto da proximidade da obtenção de armas nucleares por este país, o que, segundo vários especialistas, ainda está longe de acontecer, e muito menos porque o regime dos aiatolás estivesse pensando em atacar os EUA ou Israel nesse momento.
  13. Dito isso, apesar da enorme desigualdade de meios militares, o ataque imperialista foi respondido duramente pelas forças armadas iranianas, com mísseis e ataques de drones contra Israel e contra as bases norte-americanas no Oriente Médio, além de atacar países que abrigam bases dos EUA na região do Golfo Pérsico. O Irã também fechou o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do tráfego de petróleo mundial. Israel, por sua vez, atacou o Hezbollah e as regiões sul e leste do Líbano. O Hezbollah entrou na guerra ao lado do Irã e está enfrentando e bombardeando Israel.
  14. A guerra de Trump contra o Irã, portanto, está muito longe de ser o passeio que foi a agressão militar à Venezuela, resolvida pela capitulação do chavismo. A Revolução de 1979 que derrubou o governo do Xá Reza Pahlevi, um títere do imperialismo, transformou o Irã em um país independente do imperialismo. A contrarrevolução promovida pela casta teocrática xiita, apoiada pela maioria da burguesia, instituiu a sangrenta ditadura vigente até hoje, mas não conseguiu alterar o caráter do país.
  15. O setor burguês que controla o Estado iraniano é uma potência regional, preparou-se para enfrentar Israel, desenvolveu uma importante indústria bélica de mísseis e drones e também armou e treinou aliados como o Hezollah, o Hamas e os Houthis. As Forças Armadas iranianas, principalmente a Guarda Revolucionária, têm experiência de oito anos (1980-1988) de guerra contra o Iraque de Saddam Hussein e de décadas de enfrentamentos com Israel.
  16. É claro que, diante de um ataque combinado da maior potência militar do mundo, os EUA, e da quarta, Israel, é possível que a burguesia e o governo dos aiatolás sejam derrotados militarmente ou capitulem ao imperialismo. Mas até o momento em que escrevemos esta minuta, no vigésimo primeiro dia de guerra, o governo e as Forças Armadas iranianas têm se recusado a se render. A própria escolha do sucessor de Khamenei, seu filho, Mojtaba Khamenei, um “linha-dura” estreitamente ligado à Guarda Revolucionária, mostra a disposição de desafiar Trump.
  17. A guerra está provocando grandes contradições para o imperialismo. A repercussão mundial do conflito tende a aumentar exponencialmente com o prolongamento da guerra, que não tem término à vista. A economia mundial está sendo afetada pelo aumento dos preços do petróleo, potencializado pelo fechamento do Estreito de Ormuz. Nesses dias, o preço do barril de petróleo, que esteve por muito tempo em torno de 60 dólares, atingiu, por várias vezes, e até ultrapassou US$ 120 e tem se mantido acima de US$ 100. Isso significa um aumento da inflação de combustíveis em todos os países, inclusive nos EUA, com reflexos em todos os preços.
  18. A guerra afeta em especial os países do Oriente Médio: tanto os que mantêm bases militares dos EUA e sofreram retaliações do Irã, quanto os que sofrem repercussões econômicas e os que sofreram ataques de Israel, como é o caso do Líbano, que está sob uma ofensiva israelita contra o Hezbollah e a invasão de suas tropas no sul do país.
  19. O regime iraniano adotou a estratégia de bombardear com mísseis e drones as instalações de petróleo e gás dos países do Golfo Pérsico, aliados dos EUA que abrigam bases militares estadunidenses, como os Emirados Árabes Unidos, o Bahrein, o Kuwait, o Catar, Omã e a Arábia Saudita. Só a planta de Gás Natural Liquefeito de Ras Laffan, no Catar, perdeu 17% da sua capacidade de produção após um ataque do Irã. Esses países, que se transformaram nos últimos anos em centros de turismo, negócios, eventos esportivos e conexões aeroportuárias entre a Europa, os EUA e a Ásia, foram severamente prejudicados. Somente o setor turístico da região está perdendo cerca de US$ 600 milhões por dia.
  20. Outro país que pode ser afetado por uma guerra prolongada é o Iraque. O comércio bilateral entre os dois países somou 12 bilhões de dólares em 2024. Estima-se que o Irã forneça cerca de um quinto dos bens de consumo do Iraque e o país é governado por uma burguesia xiita muito ligada ao regime iraniano. O Irã é, além disso, o principal fornecedor de energia ao Iraque. O Estado iraquiano depende, em grande medida, da venda de petróleo, e o bloqueio do tráfego naval pelo Estreito de Ormuz afeta fortemente suas receitas.
  21. Depois de vinte e um dias de confrontos, em que a resposta do Irã aos bombardeios dos EUA e de Israel se manteve e as repercussões não só no Oriente Médio, mas também em nível mundial, Trump, que começou dizendo que a guerra poderia seguir por quatro ou cinco semanas, declarou que ela havia praticamente terminado. Evidentemente, esta declaração reflete a pressão devido ao aumento dos preços do petróleo e à instabilidade gerada no Oriente Médio e na economia mundial.
  22. Mas, ao fim desses vinte e um dias, a guerra não dá sinais de acabar no curto prazo. O governo Trump, que gastou US$ 11,3 bilhões na primeira semana do conflito, pediu mais US$ 200 bilhões ao Congresso dos EUA para manter o esforço de guerra.
  23. O problema é que, quanto mais a guerra se prolonga, mais as contradições internas dos EUA aumentam. As pesquisas mostram que apenas um em cada quatro estadunidenses apoia a guerra contra o Irã. Setores do movimento MAGA (Make America Great Again), a base política de Trump, já se manifestaram contra esse ataque relembrando a promessa de Trump de não conduzir os EUA a novas guerras. O diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo, Joe Kent, um militar condecorado, funcionário do governo e membro do MAGA, renunciou ao cargo por discordar da guerra.
Estamos ao lado do Irã contra os EUA e Israel! Pela derrota do imperialismo e de seus agentes!
  1. Nossa posição em relação à guerra, expressa na Declaração do CIR, pautou-se pela denúncia da agressão militar imperialista, pela defesa do Irã e pela unidade de ação militar com o governo iraniano contra o agressor. No entanto, isso não pressupõe qualquer apoio político à brutal ditadura dos aiatolás. Ao contrário, reivindicamos, mais do que nunca, nosso chamado a derrubar essa ditadura.
  2. Nossa posição segue os ensinamentos de Trotsky, que defendia que, em caso de enfrentamento entre a Inglaterra, democrática e imperialista, e o Brasil, país semicolonial governado pela ditadura de Getúlio Vargas, os revolucionários deveriam estar no campo militar do Brasil de Vargas. Ou que, no enfrentamento do Japão imperialista com o exército chinês nacionalista de Chiang Kai-shek, os revolucionários deveriam formar um bloco militar com este último.
  3. Nessa mesma linha, seguimos a tradição da LIT e a posição do PST argentino, dirigido por Moreno, que defendeu o lado da Argentina na Guerra das Malvinas, em unidade de ação militar com a ditadura de Galtieri contra a Inglaterra imperialista de Thatcher, sem deixar de denunciar politicamente a ditadura e preparando sua derrubada posterior.
  4. O recente processo revolucionário de massas no Irã contra a ditadura, que ocupou o polo mais avançado da luta de classes no mundo no começo deste ano, não acabou, já que as condições que o motivaram, a crise econômica e, principalmente, o ódio à brutal ditadura repressora, não desapareceram.
  5. A dimensão das mobilizações contra a ditadura em dezembro e janeiro deste ano evidencia-se pela quantidade de mortos pelo regime nos enfrentamentos: o governo admite cinco mil, ONGs falam em nove mil, mas possivelmente foram muito mais. Isso mostra que milhares de manifestantes estiveram dispostos a enfrentar a morte para derrubar a ditadura dos aiatolás. Outro elemento significativo é a morte, reconhecida pelo regime, de 600 policiais nas mãos dos manifestantes, que mostra o nível de enfrentamento violento e armado das mobilizações.
  6. Momentaneamente, as enormes e radicalizadas mobilizações e as greves contra a situação econômica e a ditadura dos aiatolás arrefeceram, tanto pela pressão natural de unidade contra o ataque imperialista quanto pela feroz repressão do regime.
  7. Por isso, defendemos que, para que todo o povo lute contra o imperialismo, é preciso ter liberdades democráticas no país, liberdade de organização para partidos e sindicatos, liberdade para os presos políticos e os detidos nos protestos e armamento generalizado da população para enfrentar uma possível invasão terrestre.
  8. Nossa política central no mundo hoje é a luta contra o imperialismo. Chamamos especialmente a classe trabalhadora e os povos de todo o mundo, em especial os trabalhadores estadunidenses, a se mobilizar contra a guerra desencadeada pelos Estados Unidos e por Israel e prestar solidariedade ativa ao Irã. Defendemos a vitória militar do Irã contra seus agressores.
  9. Este é um momento especialmente importante para denunciar o papel nefasto do imperialismo estadunidense, de seu agente, Israel, e de seus aliados submissos (Europa, Japão e outros). Também para denunciar a passividade cúmplice da China e da Rússia e o papel covarde dos governos ditos “progressistas” da América Latina, que não defendem efetivamente nem o Irã nem Cuba. Ao mesmo tempo, explicar à classe trabalhadora e aos oprimidos que essa guerra (assim como a da Ucrânia e a de Gaza) mostra como o sistema capitalista em decadência agrava brutalmente as crises econômica, social e ambiental e arrasta o mundo inteiro à barbárie.
  10. É preciso aproveitar a percepção negativa das massas sobre os ataques e o próprio papel dos Estados Unidos para denunciar o imperialismo. Por exemplo, uma pesquisa no Brasil da Genial/Quaest de 13 de março mostra que 48% dos entrevistados têm uma opinião desfavorável dos Estados Unidos e somente 38% têm um julgamento favorável. Isso em um país fortemente influenciado ideológica e culturalmente pelos EUA.
  11. O desfecho dessa guerra pode ter várias conclusões. Se o imperialismo estadunidense fosse obrigado a interromper o ataque sem obter a queda ou a capitulação do regime iraniano, seria uma tremenda derrota para Trump, pois provocou uma grande crise no Oriente Médio e no mundo, sem nenhuma conquista efetiva. Um cenário deste tipo poderia aumentar a desaprovação interna a seu governo e levar à derrota nas eleições.
  12. Não podemos descartar também que, diante dessa possibilidade, Trump se veja obrigado a intensificar ainda mais as ações militares e até mesmo a tentar derrubar o regime com o envio de tropas. Netanyahu e Trump falam da possibilidade de uma incursão por terra para ocupar e controlar a ilha de Kharg, por onde 90% do petróleo do Irã é exportado. Dois mil e quinhentos fuzileiros navais estão sendo deslocados para a região. Ao mesmo tempo, Israel fala em invadir para se apoderar das reservas de urânio enriquecido do país.
  13. Isso significa que haverá uma incursão terrestre? É difícil prever porque é uma decisão muito arriscada para o imperialismo. Uma invasão terrestre pode significar o atolamento das duas potências em um “pântano” difícil de sair, mas pode ser que Trump e Netanyahu sejam obrigados a uma “fuga para adiante” para não reconhecer o fracasso do ataque ao Irã. Em outras palavras, uma vez desencadeada, uma guerra tem uma dinâmica própria, de ação e reação, de intervenção de outros agentes, que muitas vezes foge ao controle de quem a iniciou. Por isso, não podemos descartar que Trump e Netanyahu decidam enviar tropas.
  14. Se, ao contrário, o regime iraniano capitula ou se rende, diante do poderio militar muito superior dos EUA e de Israel, provavelmente essa derrota aceleraria a crise do regime e a queda da ditadura. É impossível prever agora, no meio da batalha, qual dessas hipóteses vai se impor. O desfecho dessa guerra determinará, em grande medida, a situação da luta de classes mundial no futuro imediato.

Direção Nacional do MPR

20/03/2026

guerra do Irã imperialismo Irã Israel situação mundial Trump
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