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Home»Eleições 2026»Um programa operário e socialista para as eleições
Eleições 2026

Um programa operário e socialista para as eleições

Por: Marcos Margarido
21/08/2026Nenhum comentário7 Mins Read
Leon Trotsky
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Apresentamos o programa eleitoral do MPR para ser debatido pela vanguarda trabalhadora e juvenil. Não se trata de um programa para pedir votos, nem para levar algum candidato ao Congresso ou à presidência, mas de um programa para mudar o Brasil pela sua base estrutural, que só pode ser implementado pela luta revolucionária dos trabalhadores e seus aliados, rumo à revolução socialista.

Fim da escala 6×1, salário mínimo do DIEESE, escala móvel de salários e de horas de trabalho.

Jornadas exaustivas, escala 6×1, salários baixos, trabalho precário, salário mínimo de R$ 1.600. Isso não pode continuar! Exigimos o fim imediato da escala 6×1. Chega de enrolação do governo e do Congresso. Exigimos o salário mínimo do Dieese, de R$ 7.100. O desemprego corre solto, disfarçado de trabalho informal. Para que todos trabalhem e recebam um salário digno, é preciso dividir as horas de trabalho disponíveis e a riqueza produzida entre todos os trabalhadores. Isso só pode ser feito com um plano de escala móvel de salários e horas de trabalho.

Os serviços públicos têm que ser públicos de verdade. Fim das PPPs, expropriação de escolas e de hospitais privados.

O governo Lula entrega aos barões da educação, cujo único interesse é o enriquecimento, bilhões de reais do orçamento por meio de programas como o Pró-Uni. Na saúde não é diferente. A escassa verba do SUS é distribuída a hospitais particulares. Nenhum dinheiro público para a educação e saúde privadas! Ampliação do SUS para atender toda a população. Expropriação de escolas e hospitais privados. Planos nacionais de saúde e educação, sob a administração de conselhos eleitos pela classe trabalhadora.

Nem submissão, nem soberania de mentirinha. O imperialismo pode ser derrotado. Expropriação das multinacionais. 

O romance entre Trump e Lula acabou. Nada de química nem de amor à primeira vista. O imperialismo mostrou que seu objetivo é submeter os povos do mundo à sua vontade. Lula promete apenas uma “guerra de narrativas” contra Trump e premia os capitalistas brasileiros “prejudicados” pelas tarifas. Estabilidade no emprego para todos os trabalhadores afetados! Nada de acordos com o imperialismo. Não pagamento da dívida pública. Expropriação das multinacionais que tiram o sangue dos trabalhadores no Brasil e remetem seus lucros para o exterior.

Mulher não é mercadoria nem propriedade privada dos homens. Abaixo o feminicídio.

Vivemos uma epidemia de feminicídios. Em 2025, 1600 foram assassinadas. Mais de 60% eram negras. Em 2026, são 4 assassinatos por dia. A Lei Maria da Penha, uma medida que trouxe esperança às mulheres, não consegue mais cumprir seu objetivo. As mulheres trabalhadoras devem se proteger do machismo que assola o país por meio de sua auto-organização. Formação de comitês de mulheres em sociedades de amigos de bairro, sindicatos e demais associações.

Nem encarceramento e massacres pela polícia, nem escravização pelo narcotráfico. O futuro da juventude trabalhadora é o comunismo.

Quase 270 mil jovens de até 30 anos, 70% negros, estão presos no país. Das 6.500 pessoas que as PMs mataram em 2025, 60% eram jovens negros. Salários miseráveis oferecidos a eles jogam-nos nas garras do narcotráfico e das milícias. Rejeitamos as duas alternativas. A juventude negra precisa se organizar em comitês de autodefesa para resistir à escravização pelo narcotráfico e às investidas policiais. Nenhum jovem negro vítima da polícia, nem sob o comando do narcotráfico. O futuro da juventude é o comunismo.

Não à farra do sistema financeiro. Expropriação dos bancos e nacionalização do sistema financeiro.   

Os escândalos financeiros estouram diariamente. O Banco Master, as cobranças indevidas do INSS e os juros extorsivos arrancam bilhões da classe trabalhadora, enquanto os banqueiros vivem do bom e do melhor. Essa farra tem de acabar. Exigimos a abertura da caixa-preta do sistema financeiro e sua nacionalização, sob o controle da população, por meio de uma agência nacional composta por sindicatos e outras associações. Não mais banqueiros bilionários, cujo trabalho é apenas contar o dinheiro que recebem. Expropriação dos bancos e fintechs.

A produção de alimentos tem que estar nas mãos dos que trabalham para produzi-los. Expropriação do agronegócio. 

O agronegócio bateu recordes em 2025, com o PIB do setor representando 25% da economia nacional. Essa indústria não pode ficar nas mãos de “meia dúzia” de capitalistas enriquecidos com o trabalho alheio. Este sistema de alta produtividade e alta tecnologia deve ser arrancado das mãos desses senhores e direcionado à produção dos alimentos necessários às famílias trabalhadoras. Parte de sua receita deve ser destinada aos pequenos produtores e à agricultura familiar. Expropriação das empresas do agronegócio.

A crise climática afeta a todos, mas apenas os trabalhadores têm um programa para combatê-la.

Depois de tantas reuniões mundiais sobre a destruição do planeta pela decadência do capitalismo, a COP30, em Belém, deixou a máscara cair e mostrou que ninguém abre mão de seus lucros. Só os trabalhadores, aliados aos povos da floresta, podem defender a Amazônia e os indígenas contra o garimpo, as madeireiras e os grileiros. Só os trabalhadores, aliados aos pequenos agricultores, podem impedir a destruição dos biomas promovida pelo agronegócio.

A burguesia nacional não é nossa aliada. A soberania só pode ser conquistada pela luta da classe operária.

O governo Lula, o reformismo e até partidos autoproclamados socialistas pregam uma aliança entre os trabalhadores e a burguesia nacional contra os ataques do imperialismo, em nome da soberania nacional. Mas essas burguesias de países semicoloniais, como o Brasil, contentam-se com o papel de sócias menores do imperialismo e subordinam-se politicamente a ele. Apenas sob a direção da classe operária, contra a burguesia nacional aliada ao imperialismo, podemos conquistar a verdadeira soberania nacional.

A democracia de hoje é o direito de votar em quem vai nos chicotear.

Tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro governarão para os capitalistas, amparados pelo sistema “democrático” vigente. Nessa época de capitalismo decadente, a “democracia” tornou-se um entrave à melhoria da vida dos trabalhadores. Todos os nossos direitos vêm sendo retirados. Só nos resta votar em quem vai nos chicotear no próximo período. Precisamos de um sistema de democracia real que sirva à enorme maioria dos trabalhadores. Isso só pode ser conquistado se o poder da burguesia for transferido à classe trabalhadora, por meio de uma revolução socialista.         

Por um governo operário e dos trabalhadores da cidade e do campo.

O poder da classe trabalhadora só pode ser exercido por um governo próprio, para instaurar uma sociedade sem exploração, onde reine a verdadeira igualdade social. Isso não pode ser alcançado em eleições de cartas marcadas para a burguesia vencer, nem com as propostas de partidos reformistas, como o PSOL, de “humanizar” o capitalismo. Ele tem de ser destruído. Apenas um governo operário, apoiado nos trabalhadores da cidade e do campo, pode atingir esse objetivo.

Em defesa dos povos oprimidos pelo imperialismo. Pelo internacionalismo proletário.

Estamos ao lado do povo ucraniano contra a Rússia opressora. Lutamos com os palestinos contra o Estado de Israel agressor. Defendemos a luta dos povos venezuelano e cubano contra a ingerência dos EUA. Pegamos em armas com o povo iraniano contra Trump e Netanyahu. A vitória dos povos oprimidos é fundamental para avançar rumo à revolução socialista mundial. Mas não confundimos a unidade de ação com os dirigentes burgueses e pequeno-burgueses dessas lutas com uma aliança programática com esses setores. A luta anti-imperialista pressupõe a luta contra as direções burguesas dos países oprimidos.

eleições MPR programa operário socialismo
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