Por: Bernardo Cerdeira
Em 2026 teremos eleições. De novo está armado o circo eleitoral. Os trabalhadores e o povo vão escolher quem os explorará pelos próximos quatro anos. Para isso, a burguesia destina R$ 4,9 bilhões para financiar a campanha dos partidos políticos, que depois utilizarão os cargos executivos e legislativos para a corrupção, emendas parlamentares, etc. O Executivo, o Judiciário e o Congresso constituem um verdadeiro balcão de negócios para a burguesia. Daniel Vorcaro, o dono do banco Master, que o diga.
A eleição presidencial será disputada, como em 2018 e 2022, entre a coalizão encabeçada pelo PT e a família Bolsonaro. Essa polarização é de fachada: são duas candidaturas burguesas, agentes do imperialismo. Os trabalhadores não têm alternativa nessas eleições.
A família Bolsonaro e seu candidato, Flávio, têm posições bem conhecidas. São capachos do governo Trump e agentes confessos do imperialismo americano, e apoiaram as tarifas de Trump contra o Brasil e as punições dos EUA a funcionários do Estado brasileiro.
Durante a pandemia, Bolsonaro deixou o Brasil sem vacinas, foi o grande responsável por 700 mil mortes por Covid-19 no país e debochou do sofrimento das famílias. Sua política econômica foi marcada pelo neoliberalismo, pelas privatizações, pelos ataques ao funcionalismo público e aos trabalhadores, como a reforma previdenciária. Em sua carreira política e durante seu mandato presidencial, disseminou preconceitos e ataques contra mulheres, pessoas negras, indígenas e LGBTs. Finalmente, quando perdeu as eleições de 2022, conspirou para dar um golpe de Estado e só abandonou a ideia porque o imperialismo e as FFAA não apoiaram essa tentativa. Foi condenado e preso por isso. Agora tenta eleger seu filho para que este o anistie e siga com sua política reacionária. As candidaturas de Caiado, Romeu Zema e Renan Santos disputam com Flávio quem é mais à direita. São farinha do mesmo saco.

Lula: discurso progressista, mas, na prática, contra os trabalhadores
Diante da candidatura reacionária de Flávio, os partidos da esquerda reformista-burguesa (PT, PSOL, PC do B) e os partidos burgueses tradicionais (PDT, PSB, Rede e PV) constituíram uma Frente Ampla para apoiar Lula, cujo discurso “progressista” é apenas uma fachada para encobrir uma política semelhante à de Bolsonaro.
Lula fala que defende os trabalhadores e os pobres, mas pratica uma política neoliberal, igual à de Bolsonaro. Em seus três governos, fez todo o tipo de privatizações: desde o metrô de BH, os leilões dos campos do pré-sal, o sucateamento dos Correios até a nefasta tentativa de privatizar os rios da Amazônia. A lei das Parcerias Público-Privadas (PPPs) foi aprovada por Lula em seu primeiro governo. Aplica o arcabouço fiscal e os cortes orçamentários na saúde e na educação para continuar pagando a dívida pública aos banqueiros. Não tomou nenhuma iniciativa para revogar a Reforma Trabalhista da época de Temer, a Reforma da Previdência e a Lei das Terceirizações, nem enfrenta o Congresso para obrigá-lo a votar pelo fim da escala 6 x 1.
Lula diz que defende a soberania do Brasil, mas é balela. Não é possível defender o que não existe. Lula sabe que o Brasil não é um país soberano. É subordinado, política e economicamente, ao imperialismo estadunidense, e Lula não rompe com o imperialismo. Diante do tarifaço, não toma medidas de retaliação contra as empresas imperialistas. Ao contrário, quer negociar com Trump a exploração das terras raras brasileiras. Nem diante do genocídio de Gaza rompeu relações diplomáticas e econômicas com o Estado de Israel. Aceitou a agressão militar contra a Venezuela, o sequestro de Maduro e o bloqueio de Trump a Cuba. E sequer esboçou tomar o lado do Irã diante da agressão militar e da guerra dos EUA e de Israel contra esse país.
Lula afirma que defende as mulheres, mas o feminicídio bate recordes e o governo não combate essa epidemia de violência. O governo se esconde covardemente na questão do direito ao aborto. Diz que defende os direitos dos indígenas, mas todos os dias continuam o genocídio dos ianomâmis e de dezenas de povos indígenas, o garimpo ilegal e a destruição da floresta. Diz que luta contra a discriminação racial, mas as operações policiais e os massacres de jovens negros, como os do Complexo da Penha e da Baixada Santista, continuam, sem que o governo federal levante um dedo para detê-los. A população carcerária do Brasil, 70% da qual é negra, chegou a um milhão de presos sem que o governo tome medidas contra esse gravíssimo problema social.
Em resumo, Lula dirige um governo burguês, neoliberal, de direita e pró-imperialista, que controla o aparato do Estado capitalista e ataca os trabalhadores e o povo pobre. Entre duas candidaturas semelhantes, os trabalhadores não têm alternativa nesta eleição. Por isso, defendemos o voto nulo.
Os candidatos “independentes” são linha auxiliar do governo Lula
Quatro partidos de esquerda apresentam candidatos à presidência por fora da Frente Ampla: Samara Martins (UP), Edmilson Costa (PCB), Rui Costa Pimenta (PCO) e Hertz Dias (PSTU). Todos se dizem independentes, mas, na verdade, centram fogo em atacar a ultradireita e não denunciam o governo Lula.

É só ver a política atual do PSTU. Esse partido levanta, como palavra de ordem central de sua campanha, “Derrotar a ultradireita”, coincidentemente, o mesmo eixo da campanha do Lula. Não se coloca contra, não denuncia nem sequer menciona o governo Lula, gestor das políticas e dos negócios da burguesia e do imperialismo.
A segunda bandeira é “Brasil soberano e socialista”. Mas não dizem que o Brasil não é soberano e que, para chegar a sê-lo, é preciso romper com o imperialismo. Nem que, para ser um país socialista, seja preciso uma revolução operária e popular. Não por acaso, “Brasil soberano” é a mesma consigna do governo Lula.
Em terceiro lugar, levantam a palavra de ordem “Superar a conciliação”. Supõe-se que seria uma consigna contra a Frente Ampla, mas não a mencionam nem denunciam que essa Frente, em aliança com o Centrão, governa o país.
Por último, levantam a palavra de ordem: “Enfrentar as engrenagens do sistema”. Supõe-se que seria uma consigna contra o capitalismo, mas não diz que, para acabar com o sistema capitalista, é imprescindível que a classe trabalhadora faça uma revolução e tome o poder para avançar ao socialismo.
Em resumo, o PSTU tem uma política reformista, de linha auxiliar da Frente Ampla, para eleger Lula. Os outros partidos da esquerda “independente” seguem uma orientação semelhante ou pior.
Os trabalhadores realmente não têm alternativa nesta eleição.
A alternativa é a construção de um Partido Revolucionário
As eleições, no sistema capitalista, não vão resolver a situação da classe trabalhadora. Elas são a forma como a classe dos capitalistas exerce seu domínio, levando os trabalhadores e o povo pobre a eleger quem os explorará no próximo período.
O único meio de melhorar a situação imediata da classe trabalhadora e alcançar sua emancipação definitiva consiste em organizar a luta de classe dos operários contra a classe dos capitalistas.
Mas para ajudar os operários nessa luta diária que já realizam, desenvolver sua consciência de classe e dotar a classe de um programa com seu papel e suas tarefas históricas, é preciso um Partido Revolucionário, parte de uma organização internacional revolucionária. Essa é a verdadeira alternativa.
Nós, do MPR, estamos colocando todos os nossos esforços para construir esse partido. Convidamos você a se juntar a esta tarefa.
- Originalmente publicado como Editorial do Jornal do MPR n. 3
