Por uma política antiburocrática para a CSP-Conlutas
A tragédia do sistema capitalista
O capitalismo vive sua maior crise da História, que ameaça a vida da classe trabalhadora e a sobrevivência da humanidade, com efeitos em todo o planeta.
A crise ambiental só se acentua com o aquecimento global em seu auge. 2023 a 2025 foram os três anos mais quentes da História.
Hoje temos mais migrantes do que depois da Segunda Guerra Mundial: mais de 123 milhões até o final de 2024.
A Guerra da Ucrânia-Rússia faz 4 anos no dia 24 de fevereiro de 2026, com mais de 1 milhão de mortos e feridos em ambos os lados.
A guerra de Israel contra a Palestina foi um genocídio – com resistência do povo palestino – de mais de 67 mil mortes. E teve mobilizações na Europa, nos EUA e na Ásia, que deixaram o Estado de Israel odiado como nunca na história.
Na África, várias regiões têm guerras e conflitos armados: Sudão, República Democrática do Congo, Somália, etc., com mais de 2 milhões de mortos entre 1989 e 2024.
Ricos cada vez mais ricos e pobres cada vez mais pobres
O 1% mais rico do mundo detém 45% da riqueza mundial em 2024, enquanto os 50% mais pobres detêm apenas 2%. Em 2024, 28% da população (2,3 bilhões) tinha insegurança alimentar moderada ou grave.
Recolonização
A contraofensiva recolonizadora do imperialismo aumenta para sair da sua crise profunda e do seu declínio econômico e político. Um exemplo foi a invasão imperialista da Venezuela, seguida do acordo Trump-Delcy.
Mobilizações da Juventude
A chamada “geração Z”, entre 14 e 31 anos, que cresceu com as redes sociais, desestabilizou governos em países como Nepal, Madagascar, Marrocos, Quênia, Indonésia e Peru.
Capitalismo e os diversos governos
Sejam os governos ditos de esquerda ou progressistas, ou os de direita e de ultradireita, todos governam para o sistema capitalista.
Mesmo com diferenças entre eles, todos servem ao capital. Mas a grande maioria do movimento sindical e popular, da esquerda reformista e parlamentar, apoia ou capitula aos governos chamados de progressistas, mesmo às ditaduras contra os trabalhadores, como na Venezuela, no Irã e na China capitalista.
Isso porque não veem mais a sociedade com sua divisão fundamental: a divisão entre as classes sociais. Para estes setores, a grande divisão seria entre blocos geopolíticos, entre progressistas e reacionários, defendendo a “burguesia progressista” ou o “mal menor”.
Para nós o centro da conjuntura mundial é a luta de classes, a ofensiva do capitalismo em crise e a resistência dos explorados e oprimidos. Já o setor majoritário analisa os conflitos a partir da disputa interimperialista entre EUA e China.
A CSP-Conlutas no meio do caminho
A CSP-Conlutas se diz Oposição de Esquerda e faz críticas ao governo, mas está presa na armadilha do PT/PSOL/PCdoB, de que a luta principal não é a de classes, mas contra a ultradireita. Os eixos foram centrados em combater Bolsonaro, seus aliados e o Congresso, poupando, ou deixando em segundo plano, o governo Lula com seus ataques e reformas contra os trabalhadores.
Governo Lula a serviço do capital
Relações internacionais
Lula foi convidado a integrar o “Conselho de Paz” proposto pelos EUA para a reconstrução de Gaza. Disse que aceita participar, desde que a Palestina colabore também e que o foco seja apenas Gaza. Um absurdo.
Não fez nenhuma declaração contra o massacre da ditadura dos Aiatolás contra o processo revolucionário no Irã. Pelo contrário, o Itamaraty disse que estava preocupado com as manifestações contra o governo.
Lula foi o maior expoente do Mercosul no acordo com a União Europeia, que só privilegia o agronegócio em detrimento da indústria, principalmente do setor de ferramentas, que não terá como competir e que levará a mais desemprego.
Programa Neoliberal
O Governo Lula aplica uma política e um programa econômico neoliberais, apoiados pelo Congresso Nacional e baseados na mesma austeridade do governo Bolsonaro.
Criou e usa o teto de gastos (Arcabouço Fiscal) para cortar verbas da saúde, educação, assistência social, e para pagar os juros da dívida pública.
O governo Lula mantém a taxa Selic nas alturas (herdou a taxa de 13,75% e agora é ainda maior), sendo que a simples elevação em 1% causa um aumento da dívida pública em R$ 55 bilhões.
Na campanha de 2018, o PT prometeu isentar o Imposto de Renda de quem ganhava até 5 salários mínimos. Passados 8 anos, incluindo os 3 anos do novo mandato, Lula, sem fazer absolutamente nada a respeito, reduziu os 5 salários de isenção (R$ 8105) para R$ 5 mil. Enquanto isso, o governo mantém a isenção de impostos de várias empresas com valores entre R$ 500 e 800 bilhões por ano.
Já o salário mínimo é de R$ 1.621,00, enquanto o Dieese calcula que deveria ser de R$ 7.106,83.
Em 2024, Lula também apresentou um pacote de maldades, chamado de Ajuste Fiscal, que dificultava o acesso a vários benefícios sociais de pessoas idosas, deficientes físicos e famílias que convivem com extrema vulnerabilidade. O principal ataque seria no BPC, Benefício de Prestação Continuada. Houve várias mobilizações e o projeto não foi aprovado como o Governo pretendia.
Em 2025, foram resgatadas 2.700 pessoas do trabalho em condições análogas à escravidão. E não foram mais por falta de fiscais. Já o ministro do Trabalho, Luiz Marinho (PT), suspendeu a inclusão de nomes na “lista suja” da escravidão, como a JBS (Seara), Santa Colomba Agropecuária e a APAEB (Bahia).
A concentração de terra nas mãos dos grandes latifundiários continua predominando no campo brasileiro. No final de 2025, havia cerca de 145 mil famílias acampadas à espera de terra, com a Reforma Agrária parada.
Segundo dados de 2023 e 2024, o atual déficit habitacional no país é de 5,9 milhões de moradias.
Desigualdades sociais
Concentração de riquezas
No Brasil, 1% da população detém 63% da riqueza do país, uma das maiores disparidades do mundo. A metade mais pobre da população brasileira (106 milhões de pessoas) recebe apenas 9,3% da renda. E a classe trabalhadora paga muito mais impostos do que os super-ricos. A reforma tributária aprovada pelo Governo e pelo Congresso Nacional concentrou os impostos sobre o consumo; os bilionários não foram taxados e continuam enriquecendo, e os pobres pagarão a conta.
Greves e resistência
Em 2025, várias categorias fizeram fortes greves (536 apenas no 1º semestre, uma alta de 16% em relação a 2024). Muitas delas foram diretamente contra o governo: docentes de universidades federais (Andes); técnicos-administrativos federais (FASUBRA); servidores do INSS (FENASPS); médicos peritos do INSS; auditores fiscais da Receita Federal; Petrobrás; Correios, etc. Algumas categorias retomaram greves após muitos anos, e outras com greves que chegaram a mais de 100 dias.
Violência machista, feminicídios e genocídio contra o povo negro.
Os anos de 2024 e 2025 registraram recordes de feminicídios, com uma média de 4 mulheres mortas por dia. 61% das vítimas são mulheres negras da classe trabalhadora.
Quanto ao genocídio do povo negro, especialmente da juventude, todos os governos seguem a política nefasta de “guerras às drogas”, uma política de guerra aos negros e pobres. No Brasil, a PM da Bahia (cujo governo é do PT há quase 20 anos) ocupa o primeiro lugar em mortes de trabalhadores, negros e negras.
O governo Lula e o Congresso Nacional aprovaram, em 2006, a chamada lei das drogas, que fez explodir o encarceramento de jovens, em sua maioria negros e negras.
Privatizações
Os setores mais privatizados são os de água e saneamento, eletricidade, transportes, saúde e educação nos diversos governos.
Em São Paulo, o governo Tarcísio, do Republicanos, privatizou a SABESP, várias linhas da ferrovia e ameaça a privatização do Metrô estatal. No Piauí, a privatização da estatal de água (AGESPISA), foi feita pelo governo Rafael Fonteles, do PT/PCdoB/PV. Em Pernambuco, quem privatizou a estatal de saneamento, COMPESA, foi a aliada de Lula, Raquel Lira, do PSD, com apoio do BNDES.
Lula assinou a privatização do metrô de BH em março de 2023. E na lista de desestatização estão empresas como o Metrô de Recife e a Trensurb (Metrô do RS).
O projeto de Parcerias Público-Privadas (PPP) que facilita a terceirização e a precarização do trabalho foi do Governo Lula em 2004.
A farsa da COP30
A COP 30 foi uma farsa bancada com dinheiro público. Até a mineradora Vale do Rio Doce era uma das patrocinadoras do evento.
Os povos indígenas e os das florestas, quilombolas e ribeirinhos fizeram protestos contra o Marco Temporal e a privatização dos rios Tapajós, Tocantins e Madeira e o Projeto nefasto da Hidrogrão.
Os governos do PT foram responsáveis por crimes ambientais enormes, como as hidrelétricas do Rio Madeira, Belo Monte e o novo Código Florestal. Agora, começaram a exploração de petróleo na Foz do Amazonas, mostrando que, até nisso, Bolsonaro, Lula e todos os governos são farinhas do mesmo saco.
Vamos à luta!
Diante desses ataques, a avaliação do governo nas pesquisas segue muito abaixo dos primeiros governos do PT. A ultradireita também vive momentos de indefinição, com a prisão de Bolsonaro e a reação fraquíssima de sua base eleitoral.
É preciso, portanto, recolocar a CSP-Conlutas no caminho da independência de classe, ser oposição para valer contra Lula, a direita e a patronal, e chamar a classe trabalhadora à luta para derrotar os ataques, desbloqueando a contenção das Centrais e o movimento dos pelegos, na perspectiva do socialismo!
Participe conosco nos debates do 6º Congresso da CSP-Conlutas!
Baixe o panfleto do MPR e do MRS para o Congresso da CSP-Conlutas.
