Tiago Barbosa, trabalhador da CBTU Recife, morreu na madrugada do dia 11 de junho de 2026, vítima de uma descarga elétrica de mais de 30 mil volts, enquanto realizava manutenção da rede aérea do metrô do Recife. Tiago estava trabalhando próximo à estação de Tejipió. O MPR externa seu pesar e toda a solidariedade aos familiares e aos trabalhadores do Metrorec. A morte de Tiago não pode ser encarada como uma fatalidade ou como mais um acidente de trabalho, mas sim como consequência do sucateamento e do plano de privatização que o governo Lula quer aplicar.
O sindicato do Metrô de Pernambuco (Sindmetro-PE) denunciou que esse foi o primeiro caso de acidente letal com trabalhadores em serviço e complementou que faz anos que denuncia o desmonte e a precarização do trabalho. Em nota, afirma: “Há anos, o SINDMETRO/PE denuncia, em reuniões, ofícios, audiências públicas, manifestações e comunicados oficiais, o progressivo abandono do sistema metroferroviário do Recife. Há anos alertamos para a deterioração da infraestrutura, a insuficiência de investimentos, a precarização das condições operacionais, o envelhecimento dos equipamentos e os riscos crescentes aos quais trabalhadores e usuários vêm sendo submetidos“.
É importante destacar que Tiago morreu em mais um serviço de emergência, para retomar rapidamente a operação. O governo federal e o governo estadual tentam se esquivar, ao negar que o acidente tenha a ver com o sucateamento.
O Metrô do Recife é administrado pelo governo federal por meio da CBTU. O governo Lula manteve o metrô do Recife no plano de desestatização, ou seja, um nome bonito para privatização. Esse plano envolve, no primeiro momento, entregar a gestão ao estado de Pernambuco e, em seguida, realizar a concessão à iniciativa privada. O governo Lula destinará, após a privatização, cerca de R$ 3,5 bilhões à iniciativa privada, enquanto o cenário atual é de total abandono e descaso com os trabalhadores que utilizam o transporte público. A interrupção dos serviços é comum; em 2025, um vagão chegou a pegar fogo.
Nós, do MPR, somos contrários à privatização do governo Lula. Os R$ 3,5 bilhões destinados à privatização deveriam ser investidos na recuperação do metrô. A privatização aprofundará a situação; as concessões servem para enriquecer um punhado de empresas e não melhoram a qualidade do serviço.
Exigimos a apuração e punição dos culpados por essa trágica morte, o fim da privatização e investimentos para a recuperação do Metrorec.
Em defesa dos trabalhadores e dos passageiros.
Por um transporte público, gratuito e de qualidade!
Tiago presente!
