Basta de cumplicidade com a colonização!
Após dois anos do genocídio em curso de Israel contra Gaza, entrou em vigor, em 10 de outubro de 2025, o “Acordo de Paz”, intermediado pelo governo Trump, que, na prática, é um plano de colonização que recebeu o apoio de todos os setores imperialistas e da maioria dos governos do mundo, incluindo o de Lula, de quase todos os regimes árabes e inclusive da Autoridade Palestina.
O MPR, Movimento por um partido revolucionário, desenvolve esse tema em uma declaração que você pode conhecer neste site.
Queremos abordar aqui a conivência do governo Lula com o genocídio que não acabou e a necessidade de seguirmos na luta pelo fim das relações com o Estado de Israel.
Logo após a assinatura do acordo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, viajou para Israel, em 13 de outubro, e ainda a bordo da aeronave presidencial, Trump declarou: A guerra acabou.
No mesmo dia 13 de outubro, o presidente Lula participou da abertura do Fórum Mundial da Alimentação 2025, na Itália, onde declarou que estava feliz, porque “finalmente parece que se encontrou uma saída para o conflito entre Israel e Palestina”. Lula disse ainda que o Brasil mantém laços históricos com Israel e que eventuais tensões políticas se restringem ao governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. “O Brasil não tem problema com Israel. O Brasil tem problema com o Netanyahu. Quando ele não for mais governo, não haverá nenhum problema entre Brasil e Israel, que sempre tiveram uma relação muito boa”.
Apesar dos discursos dos presidentes celebrarem um cenário de paz, a população de Gaza enfrenta outra realidade. Mal se completava uma semana do acordo assinado, em 17/10, os militares israelenses dispararam contra um veículo no norte de Gaza, matando pelo menos nove pessoas, incluindo quatro crianças. Em 18/10, as autoridades palestinas denunciaram que as Forças de Defesa de Israel violaram o acordo de cessar-fogo 47 vezes. Em 19/10 foi registrado um novo ataque de Israel em Gaza. Segundo a Defesa Civil de Gaza, pelo menos 45 palestinos morreram.
Mas os ataques realizados em Gaza são apenas uma parte do descumprimento do acordo. Apenas duas travessias foram abertas para a passagem de ajuda humanitária e o Programa Mundial de Alimentos afirmou que 900 caminhões entraram na região desde 10 de outubro, sendo que seriam necessários 600 caminhões diários.
Os governos brasileiros têm uma cumplicidade histórica com o Estado sionista de Israel. Em 1947, na primeira Sessão Especial da Assembleia Geral das Nações Unidas, presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha, foi recomendada a partilha da Palestina sob administração internacional. O Brasil foi um dos 33 países que votaram por essa partilha. A ONU, com a cumplicidade brasileira, apoiava o projeto colonial e a limpeza étnica que decorre dele.
Nesse sentido, Lula tem razão, Brasil e Israel sempre tiveram uma ótima relação. Em 2024, o país era o quinto maior fornecedor de petróleo e o 12º maior parceiro comercial do Estado sionista. Se, por um lado, a pressão popular zerou a exportação do petróleo brasileiro, por outro, o país segue com recorde de importação de armamentos de Israel.
Desde a fundação do Estado sionista, Israel se estabelece como um dos estados mais militarizados do mundo e vem expandindo sua indústria assessorando a polícia, as forças armadas e agências de inteligência e segurança nacional em todo o mundo, por meio de empresas como a ISDS (International Security, Defence Systems). No Brasil a ISDS é historicamente reconhecida pelo treinamento do Bope, no RJ.
No ano passado, o exército brasileiro decidiu comprar 36 viaturas blindadas de combate, conhecidas como obuseiros. Em São Paulo, o governo Tarcísio investiu cerca de R$ 37 milhões em equipamentos, armas e softwares com fabricação em Israel. Em agosto deste ano, o governo de Santa Catarina anunciou a aquisição de 350 novos fuzis israelenses para a Polícia Civil.
As armas e o treinamento militar israelense são usados nas grandes cidades na política de extermínio ao povo pobre e negro das periferias, como assistimos essa semana nos complexos do Alemão e da Penha, zona norte do RJ.
Precisamos exigir que Lula rompa de vez as relações diplomáticas, econômicas e militares com o Estado genocida de Israel!
PELA CONTINUIDADE DA SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL!
VIVA A RESISTÊNCIA PALESTINA! PELO FIM DO ESTADO DE ISRAEL!
