No primeiro e no segundo turnos1
A campanha eleitoral já está em pleno andamento, ocupando a imprensa e as pesquisas. Flávio Bolsonaro, o candidato ungido pelo pai, Jair, atualmente preso por tentar articular um golpe, subiu nas pesquisas e pode ganhar as eleições2 e decretar anistia para o pai e para os demais condenados.
Cresce a pressão dos partidos de “esquerda” para que todos apoiem Lula, para barrar a ameaça do “neofascismo”, da ultradireita e do golpismo. Querem ganhar a eleição ainda no primeiro turno, evitando a união dos candidatos de direita em torno de Flávio no segundo turno.
Não há dúvida de que Flávio é um candidato reacionário, pró-imperialista, capacho de Trump e defensor de políticas neoliberais. Mas será que Lula é uma alternativa menos pior? Para nós, do MPR, não há dúvidas. A experiência do governo Bolsonaro e dos cinco governos do PT mostra que ambos são inimigos dos trabalhadores.
Nestas eleições, não há alternativa para os trabalhadores
Bolsonaro é um capacho de Trump, mas Lula não fica atrás. Procura estabelecer a melhor relação com ele, inclusive entregando-lhe as terras raras do país. Então, seja quem for o eleito, o Brasil continuará sendo explorado pelo imperialismo, porque a disputa entre Lula e Bolsonaro é sobre quem é mais subserviente ao assassino Trump.
E, não importa quem vencer, o Brasil continuará mantendo relações com o Estado genocida de Israel.
Além disso, o desemprego, os baixos salários, as demissões, a falta de moradia e a violência continuarão a fazer vítimas entre milhões de trabalhadores, explorados e oprimidos, independentemente do vencedor.
Lula e Bolsonaro já demonstraram que manterão a política de privatização das estatais. E veremos cada vez mais feminicídios, estupros e assassinatos de pessoas trans, cujos índices cresceram assustadoramente em ambos os governos.
Nem Lula nem Flávio impedirão o genocídio dos povos indígenas. O mesmo se aplica a todas as questões que afetam diretamente a vida dos trabalhadores, especialmente negros, mulheres e jovens.
Qual seria a diferença, então, entre um governo Lula e um governo Bolsonaro? A diferença será que Bolsonaro atacará os trabalhadores com retórica de direita, enquanto Lula os atacará com retórica “progressista”.
Os trabalhadores e o povo devem votar contra Flávio e Lula, tanto no primeiro quanto no segundo turno
O sistema de dois turnos utilizado no Brasil é um mecanismo para impedir que um candidato mais à esquerda assuma a presidência, caso vença no primeiro turno.
No segundo turno, os partidos mais à direita podem se unir para derrotar o candidato vencedor do primeiro turno. Isso deve acontecer nas próximas eleições. A direita está dividida e vai apresentar – além de Flávio Bolsonaro – Ronaldo Caiado e, possivelmente, Romeu Zema.
Algo semelhante está acontecendo com a “esquerda”. A maioria da esquerda acredita que existam dois setores burgueses: o reacionário e o progressista. A ala reacionária seria a chamada “extrema-direita”, liderada pelos Bolsonaros, e a ala “progressista” seria a liderada por Lula.
Os partidos de esquerda afirmam que o setor de direita expressa o neofascismo e que tentará um golpe se ganhar a eleição. Mas a experiência mostra que Bolsonaro conspirou para dar um golpe porque perdeu a eleição, não porque a ganhou. Além disso, mesmo se esse setor fosse fascista (é reacionário, mas não fascista), somente a mobilização popular armada poderia derrotá-lo.
Os setores da esquerda que, em 2022, não apoiaram Lula no primeiro turno e apresentaram seus próprios candidatos passaram a apoiá-lo no segundo turno, que é o que realmente decide. Dessa forma, sua independência política em relação ao governo e à burguesia durou apenas até o fim do primeiro turno.
Se repetirem essa política em 2026, essas organizações farão um grande favor a Lula, pois conseguirão que um setor inteiro da população, atualmente contrário ao governo, o apoie no segundo turno.
O MPR é coerente com sua condenação aos dois candidatos burgueses. Por isso, chamaremos a votar contra Bolsonaro e Lula tanto no primeiro quanto no segundo turno.
Queremos saber: o que farão, no segundo turno de 2026, os partidos que apresentam candidatos próprios, como o PSTU e a UP? É preciso que definam sua posição desde já: vão chamar a votar contra Lula e Bolsonaro ou vão terminar apoiando Lula?
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