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Home»Nacional»Colapso do Banco Master: a anatomia de uma crise de Estado
Nacional

Colapso do Banco Master: a anatomia de uma crise de Estado

Por: José Eduardo Figueiredo Braunschweiger
04/02/2026Nenhum comentário11 Mins Read
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A liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025, expôs não só uma falência bancária, mas se tornou o maior escândalo financeiro e político do Brasil. O que começou como uma captação agressiva de recursos no varejo revelou-se um esquema sofisticado de fraude, lavagem de dinheiro e ramificações no poder público com graves consequências para os trabalhadores e servidores públicos.

O Banco Master baseou seu crescimento em uma estratégia de alto risco, para atrair pequenos investidores e prefeituras, oferecia CDBs com rentabilidades irreais, até 140% do CDI. O dinheiro captado, no entanto, não financiava operações saudáveis. Segundo a Operação Compliance Zero da Polícia Federal, o banco inflava seu balanço com ativos fictícios, como créditos de carbono, precatórios supervalorizados, títulos falsos.

A crise atingiu o governo quando o Banco Regional de Brasília (BRB) tentou adquirir uma carteira de R$ 12,2 bilhões do Master pouco antes da quebra. A investigação aponta que a operação visava injetar dinheiro público para salvar a instituição privada e “limpar” ativos podres. O caso levou ao afastamento da cúpula do BRB e gerou uma crise institucional que hoje atinge o Banco Central, o STF, o TCU, governos e políticos investigados por receberem propina para facilitar negócios. O racha institucional sugere que a liquidação foi retardada por meses, permitindo que o banco continuasse captando bilhões de brasileiros mesmo estando “quebrado”.

O prejuízo, estimado em R$ 55 bilhões, resultante da soma dos casos do Master e do Will Bank, foi socializado. O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) já desembolsou cerca de R$ 32,5 bilhões para ressarcir pequenos investidores. Para recompor este fundo, bancos como o BB e a Caixa terão que fazer aportes bilionários, o que reduz seus dividendos ao Tesouro Nacional e encarece os juros para a população. Diversos institutos de previdência estadual e municipal, como o do estado do Rio de Janeiro e cidades do interior paulista como Barueri, Paulínia, São José do Rio Preto, totalizando mais de 400 regimes de previdência municipal, investiram fundos de aposentadoria no Master. O rombo bilionário obriga prefeitos a retirar dinheiro de áreas essenciais, como saúde e educação, para cobrir o déficit atuarial e garantir o pagamento dos aposentados.

Um modelo de negócio e de fraude

O colapso do Banco Master não foi por falha de gestão, é o resultado de um modelo de negócio e de fraude. O caso abalou a confiança em bancos médios e levantou questionamentos sobre o papel das auditorias independentes e das agências de rating, que atestavam a saúde do banco meses antes da quebra. A liquidação da gestora Reag Investimentos em janeiro de 2026, envolvida no esquema, ampliou o pânico sobre fundos de investimento que detinham ativos do grupo.

O cenário atual evoluiu para uma crise de solvência do próprio sistema de proteção bancária, com reflexos diretos no bolso do cidadão e na estrutura do Estado. Assim, discute-se, entre outras, o aumento do custo de captação; fala-se em uma sobretaxa de até 50%, resultando em juros mais altos em empréstimos e financiamentos, pois os bancos repassam o custo operacional ao cliente final. Uma maior seletividade bancária, pois bancos menores e médios, com dificuldade para captar recursos, estão fugindo para os grandes bancos. Com menos bancos emprestando, a oferta de crédito diminui, o que pressiona as taxas para cima. O Banco Central discute liberar parte do depósito compulsório (dinheiro que os bancos deixam retido no BC) para salvar o FGC. Se isso ocorrer, há um risco inflacionário, o que pode forçar o Copom a manter a Taxa Selic em patamares elevados por mais tempo com graves consequências para a economia que todos já conhecemos.

As investigações da Operação Compliance Zero e os relatórios do COAF apontam que o capital drenado do banco teve como destino paraísos fiscais (offshores), enquanto outra parte foi convertida em bens de luxo no Brasil e no exterior (EUA e Europa). Mas, também, o dinheiro era usado para manter uma rede de contatos em eventos de altíssimo luxo, “comprando” acesso a círculos de decisão em Brasília e São Paulo que estabeleceu uma conexão com políticos e uma interdependência financeira que operava no Congresso Nacional com pagamento de propinas através de “doações eleitorais”, que financiou campanhas de diversos espectros políticos criando uma problema de governabilidade, infiltração em bancos públicos, como o BRB, e cooptação dos gestores dos fundos de previdência para investimento no Master em troca obras de interesse político e vantagens indevidas.

No fim das contas, a crise do Banco Master será paga pelos trabalhadores e servidores públicos, seja pela via da elevação dos juros e do comprometimento dos serviços, seja pelos fundos de pensão e previdência do funcionalismo público ou pelo Tesouro Nacional.

Financeirização: capital fictício e lavagem de dinheiro

O caso do Banco Master não é um ponto fora da curva, mas sim a expressão máxima da lógica da financeirização levada ao paroxismo. Assim como o colapso do Lehman Brothers em 2008, o caso Master revela a face perversa da financeirização. Enquanto os sócios ocultavam capitais em offshores e bens de luxo, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) foi drenado em R$ 32,5 bilhões. Essa conta é socializada, bancos públicos como BB e Caixa são os maiores contribuintes desse socorro, o que reduz dividendos ao Tesouro Nacional e eleva as taxas de juros para todo o cidadão. É o lucro privado transformado em dívida pública. Em ambos os casos, a riqueza gerada não tinha base na produção, era capital puramente fictício circulando em alta velocidade.

Na era da financeirização, a acumulação da capitalista e a busca pelo mais-valor se descolam da produção real das fábricas e migram para o que Marx chamou de capital fictício, devido aos juros e dividendos pagos pelos investimentos, maiores que a taxa de lucro média. O Banco Master não buscava o mais-valor por meio da exploração direta da força de trabalho em um processo produtivo tradicional. Ele buscava a valorização pela antecipação de direitos sobre a riqueza futura (precatórios, créditos de carbono, títulos de dívida). Quando esses direitos são inflados ou inventados (como os ativos falsos encontrados pela PF), o banco cria uma bolha de “valor” que não possui lastro na economia real. É o dinheiro gerando dinheiro sem passar pela mercadoria, uma ilusão de acumulação infinita que, quando estoura, drena a riqueza real da sociedade (via FGC e Previdência).

O capitalismo financeirizado exige taxas de retorno que a economia produtiva, com seu crescimento lento, não consegue fornecer. Isso empurra os agentes para a busca desenfreada do superlucro por meio da canibalização do Estado e da captura do fundo público para alimentar a roda da especulação financeira. Assim, na era da financeirização, a fronteira entre o investimento de risco, a especulação e o crime organizado é muito tênue, quase inexistente.

No caso do Master, para manter as taxas de superlucro prometidas aos investidores, tais como os 140% do CDI, o banco precisava de entradas constantes de dinheiro novo. Ocorre que, quando o mercado real não fornece liquidez suficiente para sustentar aquelas promessas, o sistema financeiro abre as portas para o dinheiro ilícito, seja do tráfico, da sonegação fiscal ou da corrupção política, utilizado na lavagem de dinheiro. O capitalismo sempre recorreu a negócios legais e ilegais, mas, no capitalismo financeirizado, lavar dinheiro e operar negócios ilícitos oferece uma margem de lucro que nenhuma atividade legal consegue igualar. Por outro lado, a financeirização criou ativos que só existem no papel, como os créditos de carbono falsos, que são esconderijos perfeitos para a lavagem de dinheiro.

A canibalização do Estado e a gestão da barbárie

O colapso do Banco Master é a prova material contemporânea da máxima de Marx e Engels: o Estado não passa de um balcão de negócios da burguesia. Sob o gerenciamento neoliberal, essa função é levada ao extremo, em que a máquina pública é operada para garantir a acumulação por meio da espoliação.

Na fase imperialista do capitalismo, a natureza e o caráter de classe do Estado evidenciam-se enquanto os ataques aos direitos sociais e às liberdades democráticas aumentam com o crescimento cada vez maior da bonapartização do regime político. Se o fim do período da livre concorrência e o estabelecimento do capitalismo monopolista levaram a burguesia a alterar sua atitude em relação ao Estado, essa mudança ganhou mais proeminência na configuração do Estado capitalista na tonalidade neoliberal dos últimos tempos, a fim de fazer frente às contradições e crises do capitalismo, notadamente à crise de 2008.

Na crise de 2008, os governos imperialistas de conjunto injetaram uma soma recorde de dólares, que ninguém conseguiu contabilizar com muita certeza por evidente falta de transparência dos governos. Existem cálculos que chegam a 13 trilhões de dólares, outros a 23,7 trilhões, ou seja, quase o dobro. De qualquer forma, sem dúvida alguma, foi a maior intervenção dos países imperialistas de todos os tempos, uma espécie de keynesianismo total no auge do neoliberalismo. Nunca houve, na história, algo semelhante à injeção de verbas públicas no sistema financeiro privado como naquele momento.

A inércia das instituições diante do colapso do Banco Master não é uma falha técnica, mas a expressão material da “gestão da barbárie” operada pelo Estado em sua função de comitê gestor da burguesia. Ao retardar a liquidação por meses, o Banco Central e as instâncias de controle permitiram que a fraude continuasse drenando bilhões da classe trabalhadora para salvaguardar o capital financeiro. Essa omissão deliberada facilitou a “canibalização do Estado”, exemplificada pela tentativa vergonhosa do BRB de injetar R$ 12 bilhões de recursos públicos para “limpar” ativos podres da instituição privada, transformando o aparelho estatal em um balcão de negócios escusos. Enquanto o capital fictício era inflado com títulos falsos, a conta do prejuízo de R$ 55 bilhões foi socializada: o saque aos fundos de previdência de mais de 400 municípios obriga prefeitos a retirar verbas de áreas vitais, como saúde e educação, para garantir o pagamento de aposentados. No fim, a estrutura neoliberal garante que bancos públicos como o BB e a Caixa aportem bilhões para recompor o FGC, repetindo a lógica da crise de 2008, em que o lucro privado é sistematicamente convertido em dívida pública às custas do suor do servidor e do trabalhador.

Como afirma Nahuel Moreno (1976), “o Estado é a instituição das instituições”, o que leva a que o Estado burguês governe por meio de instituições e as instituições burguesas governem por meio do Estado, a fim de garantir a dominação política, econômica-social e militar. No capitalismo neoliberal, o Estado é alargado, sendo essencial para a regulação e a salvaguarda do capital.

A inércia das instituições, no caso do Banco Master, revela uma paralisia sistêmica que permitiu a consolidação de uma das maiores fraudes financeiras do Brasil. O Banco Central é alvo de críticas e investigações pelo TCU por uma suposta omissão e lentidão, tendo retardado a liquidação por meses, mesmo após dezenas de alertas formais do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) sobre a insolvência e a captação agressiva da instituição. No Governo Federal e no Congresso Nacional, a crise expôs uma “teia de proteção” e um lobby poderoso que envolve desde ex-ministros até lideranças partidárias, financiando campanhas e comprando acesso a círculos de decisão para manter o esquema de ativos fictícios. O STF também está tragado pela crise, com decisões controversas do ministro Dias Toffoli que geraram suspeitas de interferência indevida e tensões com o Legislativo. Por fim, o colapso dos Regimes de Previdência (RPPS) de mais de 400 municípios e estados, como o Rio de Janeiro, demonstra a falha catastrófica de fiscalização, resultando em um rombo que obriga as instituições públicas a retirar verbas de áreas essenciais para garantir o pagamento de aposentados.

O colapso do Banco Master não é uma falha do sistema, é o seu produto mais acabado. Ele representa o estágio da acumulação por espoliação, no qual a busca pelo superlucro dispensa a produção de bens e foca no saque de ativos públicos e na criação de riqueza puramente imaginária. A crise atual prova que, na era da financeirização, o capital não precisa mais criar para lucrar; só precisa capturar o Estado, manipular a percepção de risco e, quando o castelo de cartas desaba, enviar a conta para quem nunca foi convidado para a festa.

📂 Fontes Consultadas

  1. Banco Central do Brasil (BCB): Atos de Liquidação Extrajudicial (Nº 01/2025).
  2. Polícia Federal (PF): Relatórios das Fases I e II da Operação Compliance Zero (2025-2026).
  3. Fundo Garantidor de Créditos (FGC): Comunicados de pagamento e balanços de solvência (Jan/Fev 2026).
  4. Supremo Tribunal Federal (STF): Inquérito 5026 e Petição 15219 (Rel. Min. Dias Toffoli).
  5. Tribunal de Contas da União (TCU): Auditorias sobre a supervisão bancária e o caso BRB (Rel. Min. Jhonatan de Jesus).
  6. Imprensa Especializada: Agência Brasil, Valor Econômico, InfoMoney e G1 (Coberturas de novembro de 2025 a fevereiro de 2026).
  7. Ministério da Previdência Social: Dados do Painel de Investimentos dos RPPS (2025-2026).
Banco Central Banco Master capital financeiro Compliance Zero estado neoliberal fraude
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