Nas eleições burguesas, sempre surgem personagens que misturam a criminalidade e a subserviência aos patrões e grandes empresários, desde “padres” reacionários até estelionatários fazendo cosplay de coach. É uma mistura indigesta para qualquer trabalhador que ainda enxerga nas eleições uma tentativa de mudar sua vida (ou, pelo menos, amenizar o amargo do cotidiano). E, nessa eleição, não seria diferente. Entre o leque de candidaturas burguesas, vemos a do Renan Santos, do partido Missão (antigo MBL), que consegue aglutinar setores advindos do esgoto político de Brasília, mas com uma roupagem jovial.
MBL: uma horda reacionária a serviço do capital
O MBL – Movimento Brasil Livre foi fundado no final de 2014, em meio à crise política e econômica que o governo Dilma vivenciava, o que provocaria a queda da presidenta meses depois, em 2015. O MBL tomou força entre os setores mais reacionários e conservadores que, na época, diante da capitulação da esquerda, que se entregava ao petismo e agia com sectarismo em relação à classe trabalhadora, capitalizaram, de forma oportunista, o progressivo sentimento de rechaço aos governantes de plantão.
Esse agrupamento ganhou força nos últimos dez anos, adotando todo tipo de tática para sua autopromoção. Desde a série de provocações aos estudantes e professores universitários, com suas intervenções reacionárias baseadas em uma campanha de terror propagandístico, até o envolvimento em crimes, como a defesa da criação de um partido nazista no Brasil, o que quase levou à cassação do deputado Kim Kataguiri.
Embora haja um grande empenho do MBL em demonstrar uma atuação baseada no claque sob uma roupagem “antissistema”, esse agrupamento tem como objetivo a defesa da manutenção das coisas como estão: a garantia dos lucros da burguesia em detrimento dos direitos da classe trabalhadora.
Parlamentares do MBL/Missão: da defesa do “turismo sexual” à existência de um partido nazista no Brasil
O ex-deputado Arthur do Val foi cassado após a divulgação de um áudio, por ele mesmo feito, no qual se vangloriava da possibilidade de aproveitar-se da guerra promovida pela Rússia contra a Ucrânia e praticar “turismo sexual” com a criminosa frase “elas são fáceis porque são pobres”. Esse mesmo deputado, durante a aprovação da reforma previdenciária de Doria (governador de SP entre 2019 e 2022), proferiu xingamentos aos servidores, chamando-os de “bandos de vagabundos”. Até o padre Júlio Lancellotti foi alvo dos ataques do deputado, que o chamou de “cafetão da miséria”, como parte de uma campanha de calúnias contra o clérigo.
Outra figura que merece destaque é o deputado Kim Kataguiri, que é um dos fundadores do MBL e, depois, do Missão. Chegou a votar contra o fim da escala 6×1, colocou-se contra as ocupações de escolas em 2016 e defendeu a criminalização dos estudantes universitários que ocupavam reitorias de universidades federais contra o corte no orçamento. Mas o ponto máximo de sua “ilustre” carreira política ocorreu em 2022, no podcast Flow, quando o parlamentar defendeu a existência de um partido nazista no Brasil, enquanto condenava a Alemanha por criminalizar a existência de organizações racistas e fascistas no país. Infelizmente, tal declaração contou com o silêncio da deputada Tabata Amaral, que se utiliza do combate ao antissemitismo para defender a ideologia racista do sionismo, criminalizando as denúncias das atrocidades praticadas por Israel.
Renan Santos: cão-de-guarda da burguesia
Renan Santos, como um dos fundadores do MBL e do Missão, que hoje se candidata à presidência do Brasil, não fica para trás na ficha corrida de crimes contra os setores oprimidos e explorados da sociedade. O leque de atrocidades é vasto. Vejamos.
O Ministério Público Federal entrou com uma ação civil pública pedindo indenização de 500 mil reais por danos morais após o dirigente do MBL ter usado termos pejorativos e racistas contra manifestantes indígenas; foi condenado após se referir a uma intelectual negra, chamando-a de “jeca”, numa junção de ódio de raça e classe; assim como também, em vídeo recentemente divulgado, orgulha-se de “ser machista” (isso em um país onde o machismo, além de ideologia de superexploração das mulheres trabalhadoras, com casos crescentes a cada ano, também as mata). Outro acontecimento, no mínimo, de embrulhar o estômago, ocorreu após a divulgação de um vídeo de 2018 em que Renan Santos, em uma confraternização com seus amigos, disse: “Se não nos for permitido entrar, a Bárbara será estuprada”, recebendo, como resposta de seus aliados, uma enorme exaltação. A justificativa de Renan? Segundo o candidato, tudo não passava de uma “brincadeira”.
O discurso de Renan Santos mistura o populismo policialesco de Bukele em El Salvador, com sua promessa de “banho de sangue” contra o PCC e o CV, com o discurso neoliberal – e pitoresco – de Milei na Argentina e a defesa de cortes nas áreas sociais.
Sua defesa de “desfavelização”, apoiada em sua própria fala, de que isso teria como objetivo criar “bons hábitos”, nos leva a questionar seriamente a quem ele se refere. Seria aos habitantes da Faria Lima, que volta e meia ressurgem nos noticiários policiais com ações da Polícia Federal contra o milionário crime organizado das fintechs? Ou então, à defesa do tour de blonde que o candidato, junto a Arthur do Val, promoveu, estimulando o turismo sexual? Desses “bons hábitos”, passamos longe e dispensamos.
Renan Santos, em matéria divulgada pelo G1, ao se colocar globalmente contrário ao fim da escala 6×1, chegou a defender o fim da CLT e da Justiça do Trabalho, o que facilitaria e potencializaria ainda mais casos de trabalhos análogos à escravidão, empregos em situação de vulnerabilidade e calote nos salários dos trabalhadores.
Contra Lula, Bolsonaro e todos eles, inclusive Renan!
Embora o Missão se apresente contra Lula e Bolsonaro, seu desacordo é apenas na aparência, tendo acordo com a essência que liga Lula e Bolsonaro: a disposição em ser vassalo da burguesia nacional e internacional. A vassalagem contida no discurso das principais candidaturas burguesas, entre elas a de Renan, é a da disputa para saber quem melhor poderá servir aos interesses da burguesia, seja na mais escandalosa defesa do fim da CLT (Renan Santos e Bolsonaro), ou na criminosa defesa do arcabouço fiscal (Lula).
Nós, do MPR, quando nos colocamos contra Lula e Bolsonaro, diferentemente do Renan Santos, que disputa o lugar de gerente do capital, apontamos que a única saída da classe trabalhadora é buscar uma alternativa por fora das propostas da burguesia. Nenhum trabalhador conseguirá se libertar da exploração sem romper com quem o explora, e essa libertação somente virá por meio da revolução socialista que exproprie os meios de produção e da construção de uma sociedade na qual, de fato, a classe trabalhadora decida sobre seus próprios rumos. Essa sociedade é o que chamamos de socialismo.
Infelizmente, os trabalhadores não têm alternativa nessas eleições e, por isso, chamamos o voto nulo. Figuras como Renan Santos e sua horda reacionária que compõem o Missão precisam ser combatidos nas ruas pela própria classe trabalhadora, mas esse combate deve se estender a todas as candidaturas burguesas, que vão de Lula a Bolsonaro, que atacam os trabalhadores.
Chamamos o voto nulo e convidamos os trabalhadores e trabalhadoras a se somarem à construção de um partido revolucionário, pois compreendemos que, enquanto a classe trabalhadora não tiver uma ferramenta que a organize, continuaremos nessa falsa polarização entre sermos enforcados ou morrermos à bala.
