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Home»Tribuna Livre»Polêmica eleitoral»Resposta à proposta de tática eleitoral do Altino
Polêmica eleitoral

Resposta à proposta de tática eleitoral do Altino

Por: Carlos Oliveira, Gabriel Almeida, João Paulo e Marcos Margarido
25/05/2026Nenhum comentário10 Mins Read
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O debate eleitoral no MPR ganha importância, pois reafirma o caráter do nosso projeto de um novo partido revolucionário no Brasil diante da falência da esquerda. Seremos aqueles que se apresentarão como uma real alternativa operária, popular, socialista e revolucionária que, sem pelos na língua, disputaremos a consciência do proletariado para a derrubada do sistema capitalista e para uma revolução socialista.

Entre nós, cresce um consenso de que os setores com os quais dialogaremos durante as eleições serão não só a vanguarda, mas, essencialmente, as massas. Mas, mesmo tendo esse consenso, há entre nós diferentes táticas eleitorais, e neste texto desenvolveremos uma resposta ao camarada Altino, que defendeu o voto crítico no PSTU no texto “Tática eleitoral: quais são as nossas tarefas nas eleições burguesas?”, publicado no Tribuna Livre.

Para nós, essa política é um grave erro, de programa, de tática e de estratégia.

Vejamos: 

O erro de Altino na questão do Programa

Altino afirma que: “E acho que a melhor opção seria chamar voto crítico no Hertz Presidente e avaliar, nos estados, se vale a pena votar em algum candidato a governador do PSTU ou não. E por quê? A candidatura do PSTU para presidente apresenta um programa que levanta as principais bandeiras que defendemos.“

Será isso correto? O próprio Altino se desmente em sua afirmação, pois, em seguida, diz que o PSTU está “preso[s] ao medo da volta da direita, ultradireita, seguindo a lógica da sociedade dividida em blocos eleitorais e não mais em classes“.

É possível uma organização que não enxerga mais a sociedade dividida em classes sociais, mas em blocos eleitorais, levantar as principais bandeiras que defendemos? Nossa posição de votar nulo no primeiro e segundo turnos é baseada em uma questão de princípios, a de não apoiar qualquer bloco burguês. O Altino está certo ao afirmar que o PSTU rompe esse princípio. Exatamente por isso, não é possível que nossas principais bandeiras sejam as mesmas que as desse partido.

Vejamos: o Altino afirma que, nas eleições, defenderemos que “As eleições burguesas não são o caminho para a classe trabalhadora tomar o poder”, “o sufrágio universal é uma armadilha para manter a dominação”, “A história demonstra que nenhum partido operário revolucionário jamais conseguiu tomar o poder e expropriar a burguesia por meio das eleições”. As principais bandeiras do PSTU serão essas?

O PSTU defenderá que, em vez de votar no mal menor no segundo turno, temos que dizer que a classe operária precisa se preparar para a tomada do poder e que isso inclui uma revolução violenta e a expropriação da burguesia?

Para “amenizar” esta contradição evidente, o Altino diz que há a possibilidade do PSTU chamar o voto nulo no segundo turno. Não há nada no horizonte que nos leve a essa conclusão. Ao contrário, no congresso da CSP-Conlutas, por exemplo, o Hertz, sua principal figura pública eleitoral, disse que o governo Lula é ruim, mas o de Bolsonaro é muito pior. 

Na verdade, há anos o PSTU transformou a “luta contra as opressões” em sua principal bandeira, em sua política central, baseado no conceito revisionista de que a luta de classes e a luta contra as opressões têm a mesma hierarquia perante a revolução social, como está expresso nas “Teses sobre as opressões”, aprovadas pela LIT.

Nós concordamos com as bandeiras contra as opressões, mas não são nossas bandeiras principais. Por isso, se nos basearmos nas justificativas do Altino de que é possível dar um apoio “muito crítico” ao PSTU, porque ele “levanta as principais bandeiras que defendemos”, nossa resposta é que não é possível, pois não há nenhuma proximidade programática entre nós e eles.

O erro na tática defendida por Altino

Altino afirma que o “debate sobre voto nulo, ou voto crítico, no PSTU no primeiro turno faz sentido. Mas as duas táticas se dão no marco de uma política geral para as massas, não para a vanguarda, de voto contra as alternativas burguesas e seus aliados reformistas”, e que “com a linha correta para as massas, para melhor disputar a vanguarda e construir o partido revolucionário, o melhor é termos uma tática fina que faça sentido do início ao fim”, mas chega à conclusão desastrosa de “voto crítico no PSTU”. Desastrosa por dois motivos: primeiro, porque o PSTU é um partido com forte peso de burocratas, com um percentual alto de liberados em relação aos militantes, o que significa que a vanguarda concentrada no PSTU é insignificante e tem uma periferia cada vez menor. Reflexo disso foi o resultado da pesquisa eleitoral DataFolha, em que o candidato do PCO pontua 1%, enquanto o candidato do PSTU pontua 0%, algo inédito. A tática que Altino propõe levará descrédito à nossa organização; passaremos todo o primeiro turno (que é o período mais longo das eleições) defendendo voto no PSTU, relegando nossa política de voto nulo no segundo turno, um verdadeiro desastre! 

Nós, do movimento por um partido revolucionário, estamos em um período de construção de um partido que se propõe a ser diferente de todos os que já existem. Para isso, nossa atuação política tem que estar de acordo com nosso programa, visando à revolução socialista e à ditadura do proletariado. Nenhuma outra organização atualmente faz esse chamado usando esses termos (nem PSTU, PCB e UP); é como se o reformismo e o conformismo caminhassem lado a lado até nos grupos que se dizem radicais. 

As eleições burguesas, que ocorrem a cada dois anos, não nos servem, pois se trata apenas de um jogo de cartas marcadas; porém, é uma oportunidade importante de dialogar com as massas e fortalecer o processo de construção da nossa organização. Uma parte da população brasileira despreza as eleições, mostrando total desilusão com os candidatos e partidos que a disputam. A maior parte pratica o voto-castigo, tanto entre eleitores de Lula quanto entre os de Bolsonaro. São estes dois grupos de eleitores, a imensa maioria de trabalhadores, que queremos atingir, mostrando que não vale a pena votar em um para castigar o outro, porque o chicote é o mesmo. Grande parte deles está cansada da disputa Lula x Bolsonaro e os enxerga como farinha do mesmo saco. O voto nulo, tanto no 1º turno quanto no 2º, expressando as motivações de maneira incisiva, explicando o porquê de que nenhum dos candidatos que estão aí nos serve, é a única decisão correta nesta eleição.

Precisamos nos posicionar contra esse regime burguês, denunciando-o. Chamar o voto crítico em um candidato cujo partido tem cometido desvios relevantes em seu programa, dito “revolucionário”, não vai por esse caminho, além de não condizer com nossa posição pública, quando afirmamos que o PSTU não se apresenta mais enquanto alternativa revolucionária. Precisamos utilizar a eleição para dialogar com a classe, não apenas com a periferia limitada do PSTU e de outros partidos ditos de esquerda radical. O diálogo com as massas descrentes da eleição se dá a partir de uma denúncia contundente contra o bolsonarismo e o lulismo, apresentando, com dados concretos, a similaridade entre eles e informando a classe sobre os ataques do governo Lula, muitos deles tão ruins, ou até piores, que aqueles no governo de Bolsonaro.

O voto no PSTU não ajuda no combate ao regime

O Altino polemizou com o artigo “Primeiro turno em debate. Por que votar nulo no 1º e no 2º turnos?”, que expressou a opinião de que o jornal número 0 secundarizou o combate ao regime. Para ele, o artigo de pouco mais de meia página, assinado pelo camarada Martin, foi suficiente, não reconhecendo a importância de incluir, na palavra de ordem do jornal, a denúncia ao regime.

Mas acreditamos que ele tenha acordo quanto à prioridade de denúncia ao regime na nossa campanha eleitoral. Lamentavelmente, ele opina que se deva dar voto crítico ao PSTU, um partido que há muito abandonou a estratégia revolucionária. Por que Altino está errado?

Diante do desgaste das instituições democráticas burguesas para os trabalhadores, a campanha pelo voto nulo é a melhor tática. Ela servirá para aproveitar a rejeição que vai dominar a eleição de 2026, seja por meio do abstencionismo (no sentido amplo do termo), seja por meio do voto-castigo a um e outro candidato, seja por meio das lutas econômicas e sociais que atravessam e atravessarão o período à frente. O desgaste da candidatura de Flávio Bolsonaro pelo escândalo do Master é mais um capítulo da crise política, que já passou por Ciro Nogueira, pelo STF, pelo esquema financeiro envolvendo o PT da Bahia e outras instituições e organizações. Todos os poderes, e até a imprensa e uma igreja protestante, estão enlameados no escândalo que expõe, de forma didática, os mecanismos de dominação política e econômica da burguesia em sua democracia. 

O papel dos revolucionários é demonstrar que essa democracia serve apenas aos interesses do banco Master e dos demais capitalistas. O voto nulo será a tática ideal para denunciar essa democracia e o sistema capitalista, em meio às lutas operárias, greves, ocupações e manifestações. Como parte fundamental dessa denúncia, o MPR, diferentemente de todas as organizações, poderá demonstrar como Lula passou quatro anos dirigindo um regime político hostil aos trabalhadores, uma ditadura disfarçada de democracia, que enriquece um punhado de empresários e latifundiários para manter uma imensa maioria de trabalhadores explorada e submissa.

A tática que faz sentido do início ao fim e que pode cumprir essa tarefa é a do voto nulo, no primeiro e segundo turnos. 

Construir o MPR na campanha pelo voto nulo!

O mal-estar social no Brasil vem aumentando e, em meio a greves e mobilizações estudantis, cresce a crise do Master, que já afeta o STF, o Congresso, o PT, Flávio Bolsonaro e outras organizações e instituições. As eleições burguesas, com as candidaturas principais igualmente rejeitadas, tentarão transformar essa insatisfação, canalizá-la novamente para o terreno da democracia, retirar o caráter de rejeição das candidaturas e do abstencionismo, para tentar recuperar politicamente a democracia. A tarefa dos revolucionários é denunciar implacavelmente o governo atual e a democracia burguesa. Dessa democracia de Vorcaro, Lula, Bolsonaro, Alexandre de Moraes, Jacques Wagner e Ciro Nogueira, nada temos a ganhar. A democracia dos ricos é uma ditadura para os trabalhadores. Por meio dela avançam as privatizações, a entrega dos recursos naturais, a jornada de trabalho extenuante, a violência da polícia, das milícias e dos latifundiários, o feminicídio, o desemprego e a fome.

Os trabalhadores precisam derrotar o capitalismo e, para isso, criar e fortalecer organismos populares nos bairros, fábricas e locais de trabalho, que, ao contrário dessa democracia burguesa, garantam emprego, alimento, terra, saúde e educação. O MPR é a única corrente preparada para essa campanha, contra aqueles que apenas alimentam uma oposição comportada nos marcos da democracia atual. A experiência recente do MPR não deixa dúvidas: somente seus militantes e apoiadores têm consciência da necessidade de superar o capitalismo por meio de uma revolução, apoiada na mobilização criada e organizada no seio do proletariado, por meio da democracia operária, contra todas as alternativas da burguesia e do reformismo. 

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