Muitas pessoas contentam-se e procuram um político “menos pior” em busca de melhorias para o país e para si. Acham que esse alguém, votado para liderar, irá ajudá-los e, a partir daí, escolhem sua posição, “direita” ou “esquerda”. Porém, quando falamos das eleições de 2026, é importante estudarmos os dois últimos mandatos: o atual, de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de “esquerda”, e o de Jair Bolsonaro (PL), de direita.
No governo de Bolsonaro, tivemos mais de 700 mil mortes causadas pela COVID-19 (o segundo país em número de óbitos), desvios de dinheiro, como os de bilhões da Farmácia Popular e de creches, privatizações da Eletrobras, da BR Distribuidora, da Codessa, entre outras, nas quais o lucro foi de R$ 304,2 bilhões, cortes de verbas para a educação, crises ambientais e desmatamento crescentes.
Já no atual governo Lula, podemos observar um dos maiores índices de privatização da história do Brasil, o que chega a ser cômico, pois, em sua campanha de 2022, ele próprio prometeu acabar com as privatizações.
Aeroportos, rodovias (muitas rodovias), terminais portuários, metrô, COMPESA, hidrovias, até a tentativa de privatizar o Rio Tapajós, entrega de minerais críticos e de terras raras, bloqueio de R$ 1 bilhão nas universidades federais, Arcabouço Fiscal gerando cortes de mais de 12 bilhões… A maioria das privatizações contou com o apoio de Lula, por meio das Parcerias Público-Privadas (PPPs).
Dois governos tecnicamente diferentes, não? O governo Lula, com uma propaganda para a classe trabalhadora, inclusivo, de “esquerda”, popular e desenvolvimentista, enquanto o governo Bolsonaro, explicitamente de direita, conservador, militarista, religioso e privatizante. Todavia, quando vemos os dados e como agem, percebemos que, na verdade, não há diferença alguma; apenas a máscara sob a qual Lula se esconde.
A melhoria de vida da classe trabalhadora não acontece por meio de um presidente burguês milionário no poder ou nos Poderes da República. O Legislativo, o Executivo e o Judiciário são os instrumentos da burguesia para se proteger e se manter, garantindo que quem está “lá em cima” a favoreça.
“O governo do Estado moderno não é senão um comitê para gerir os negócios comuns de toda a classe burguesa.”
Manifesto do Partido Comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels, 1848.
Quando falamos de companheiros comunistas participarem de eleições, fazemos isso com um viés: não porque acreditamos que o socialismo possa ser alcançado por meio das urnas, mas sim porque a participação eleitoral é uma tática para fortalecer a organização política da classe trabalhadora. Esse deve ser o único objetivo da participação nas eleições. Caso alguém que se intitule “comunista” ache que consegue fazer algo a mais para a classe trabalhadora por meio do governo do Estado, está equivocado.
“A classe operária não pode simplesmente apoderar-se da máquina estatal já pronta e fazê-la funcionar para seus próprios fins.”
A Guerra Civil na França, de Karl Marx, 1871.
A única saída para nós, da classe trabalhadora, é a revolução socialista internacional, com a classe trabalhadora no poder, e não um Estado burguês. Lula pode propagandear a melhoria dos trabalhadores, mas eu te pergunto: como alguém que não pertence a essa classe, e sim à classe burguesa dominante, pode saber o que é melhor para nós?
Lula serve ao seu próprio interesse e, no mandato atual, vemos isso claramente. Bolsonaro e Lula são muito parecidos; a única diferença é que Lula finge ser de “esquerda” e governar para todos, enquanto Bolsonaro e seus aliados não escondem seu autoritarismo genocida e sujo.
Reforma ou revolução
Quando falamos das eleições de 2026, há candidatos que se dizem comunistas, como Jones Manoel (PSOL) e Samara Martins (UP). Jones, que faz aliança com o PSOL, partido de Boulos, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República no governo Lula, o mesmo que ajudou Lula na tentativa de privatização do Rio Tapajós. Acredito que, apenas com isso, já temos muito a dizer sobre seu caráter.
E Samara, que diz que acabará com a Polícia Militar, com o Enem, dobrará o salário mínimo, estatizará os meios de comunicação e nacionalizará a terra. Ótimas coisas, com certeza, mas a pergunta que fica é: como fará isso com as armas da burguesia e em um sistema capitalista? A resposta é: não fará!
Jones e Samara equivocam-se a partir do momento em que acreditam que, no sistema capitalista, é possível aplicar ideias pensadas para um sistema socialista. Eles realmente acreditam que, por meio do governo de Estado burguês, seja possível melhorar a situação da classe trabalhadora. Eles podem até não dizer isso em voz alta, mas é o que propagam.
Sim, são parte da classe trabalhadora e, como eu disse anteriormente, “a classe trabalhadora no poder”, porém, é a classe trabalhadora no poder na ditadura do proletariado e não em um sistema capitalista.
Como o texto acima de Marx: “A classe operária não pode simplesmente apoderar-se da máquina estatal já pronta e fazê-la funcionar para seus próprios fins”. Marx diz, baseado na experiência da Comuna de Paris, que não adianta ser classe trabalhadora, subir ao poder e achar que, por isso, o sistema agirá a favor dessa classe.
O capitalismo é um sistema centenário; não é possível ajustá-lo para favorecer a classe proletária. Marx, em “Miséria da Filosofia” (1847), em resposta a Proudhon, argumenta que o erro fundamental de seu pensamento está em querer conservar as relações econômicas do capitalismo e, ao mesmo tempo, eliminar as contradições que surgem delas. E, infelizmente, é exatamente isso que acontece com Jones Manoel e Samara Martins. Apesar de dizerem que são socialistas (assim como Proudhon se afirmava socialista), suas ações e a quem eles reivindicam (como Stalin) dizem o contrário.
Por isso, nas eleições de 2026, nós, do MPR (Movimento por um Partido Revolucionário), votaremos nulo! “Voto crítico ao Lula” é uma vergonha; crítico é quem não abaixa a cabeça ao reformismo, assim como Leon Trotsky não abaixou a cabeça para a burocratização da URSS e lutou até o dia de sua morte pela reconstrução da Quarta Internacional!
