Trabalhadores e trabalhadoras dos Correios: a conta da crise não é nossa!
A direção dos Correios, com a bênção do governo Lula, quer jogar a crise nas nossas costas. Nós dizemos: NÃO! Pois a contraproposta econômica é uma afronta à dignidade dos trabalhadores.
Na rodada de negociação, ocorrida em 18 de agosto, a direção da ECT apresentou uma contraproposta econômica que beira o escárnio: um reajuste salarial de apenas 0,87%. Este valor representa meros 20% do INPC, o índice oficial que mede a inflação e o custo de vida das famílias brasileiras. Aceitar tal índice significa concordar com a corrosão deliberada do poder de compra de milhares de pais e mães de família que ainda mantêm os Correios de pé, mesmo sob condições adversas de infraestrutura e segurança.
Não aceitaremos reposição rebaixada. Exigimos aumento real nos salários!
Ao oferecer um índice quatro vezes menor do que a inflação, a direção da ECT viola o princípio da não redução salarial e da manutenção do valor real, configurando um confisco indireto de nossos rendimentos. A lógica da gestão petista nos Correios é celebrar o capital com pompa, enquanto impõe perdas acumuladas, sobrecarga e o fechamento de unidades em todo o território nacional, tal como fez a gestão bolsonarista.
Nossa reivindicação é inegociável: exigimos o índice oficial da inflação, somado a um aumento real nos salários e benefícios, além da garantia total da ECT na manutenção do nosso Plano de Saúde contra a coparticipação abusiva e contra a redução da rede credenciada.
A gestão petista de Rondon e o “Plano de Reestruturação” privatista de Lula
Vamos resumir o que é “Plano de Reestruturação”, na prática: programas de demissões intermináveis, para reduzir a folha de pagamento de salários e benefícios; precarização do plano de saúde; venda de imóveis estratégicos; fechamento de unidades de trabalho; aumento de rotas de entrega; retirada de quebra de caixa; perseguição sistemática às lideranças sindicais, etc… Tudo isso são ferramentas de uma gestão que trata o trabalhador como um custo a ser eliminado, e não como o patrimônio que ele representa. Resumindo: reestruturação é privatização!
O atual presidente da ECT, Emmanoel Rondon, indicado diretamente pelo Lula, lidera um projeto de desmonte sem paralelo na história recente da empresa. Sob sua batuta, os Correios abandonaram a função social para focar em uma eficiência financeira baseada no sucateamento.
Esta conduta fere até mesmo os princípios da tal eficiência administrativa, uma vez que o sucateamento de uma empresa pública estratégica visa apenas justificar concessões ao setor privado. Ao lado de Rondon, a Diretora de Gestão de Pessoas, Natália Mota, atua como braço executor de um pacote de ataques que ignora os riscos psicossociais ambientais da sobrecarga de trabalho. O governo Lula, como estado-maior dessa gestão, é o responsável político direto por cada centavo retirado do bolso do ecetista.
A consequência política dessa postura patronal é o acirramento do conflito e a provocação contra os trabalhadores e trabalhadoras. Se a diretoria da empresa e o governo Lula insistem em ignorar a nossa pauta, a base responderá com a paralisação nacional do fluxo postal. A responsabilidade por qualquer desabastecimento ou atraso logístico recai exclusivamente sobre aqueles que preferem o superávit financeiro à sobrevivência digna dos trabalhadores dos Correios.
Unidade de ação, SIM!
Mas estamos de olho na maioria dos dirigentes das Federações.
O Inform 007 da FENTECT, embora acerte ao denunciar a proposta ridícula da empresa, revela as profundas contradições de uma cúpula sindical que hesitou por tempo demais. A maioria dos dirigentes das Federações é vacilante. No passado, defenderam o ex-presidente Fabiano Silva e aceitaram docilmente a indicação de Rondon, feita por Lula. Apostaram em um diálogo conciliador com o governo e agora se veem obrigadas a exigir sua saída. Essa vacilação custou caro à categoria. A promessa de uma “importante reunião” e de uma “boa resposta” converteu-se em um plano de demissões e retirada de direitos que já está em curso em todos os setores.
Quando sindicalistas governistas priorizam a manutenção de alianças e apoios políticos eleitorais em prejuízo dos interesses da classe trabalhadora, violam os mandatos de representação que lhes foram dados. A unidade nacional da categoria é fundamental, mas não pode servir de escada para que negociem migalhas nos bastidores, ficando do lado do governo contra os trabalhadores. A resposta virá da base, de forma direta, sem as amarras da conciliação, que só favorece a diretoria da ECT e o governo de frente ampla de Lula e Alckmin.
Portanto, convocamos cada trabalhador e cada trabalhadora a organizar a resistência em seu setor de trabalho. A direção da ECT precisa sentir a força da nossa brava categoria. A mobilização deve ser autônoma, focada na preparação logística da greve e na conscientização de que apenas a ação direta pode forçar o recuo do governo Lula. Chega de esperar respostas de quem só sabe atacar; a nossa resposta será dada nas ruas e nas assembleias decisivas que se aproximam.

