José Welmowicki, nosso querido Zezoca, faleceu aos 73 anos. Fazia questão de dizer que era filho de pais judeus, talvez para mostrar que suas denúncias implacáveis contra o Estado sionista de Israel não tinham nada a ver com o antissemitismo, com a discriminação dos judeus. Sempre defendeu a causa palestina e o fim do Estado genocida de Israel.
Em sua juventude, Zezoca encontrou no trotskismo o verdadeiro comunismo. Em 1976, entrou para a Liga Operária (LO), que iniciava sua construção no Brasil a partir das bases programáticas estabelecidas por Nahuel Moreno. O objetivo era organizar a classe operária rumo à revolução e à tomada do poder.
Na LO e, depois, na Convergência Socialista (CS), lutou contra a ditadura militar. Foi preso por 4 meses em 1978 e indiciado pela Lei de Segurança Nacional. Em 2013, foi reconhecido como perseguido político e anistiado.
Ajudou a fundar o PSTU — que foi a continuidade da CS — em 1994. Reconhecido por todos os militantes como um de seus principais dirigentes, ajudou na formação política de centenas deles, com cursos, artigos, palestras e o livro “Cidadania ou Classe?” (2004), sobre o movimento operário da década de 1980.
Participou, em 1982, da fundação da Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (LIT-QI), que reunia os partidos da corrente “morenista”. Neste longo período de 5 décadas, Zezoca dedicou-se, por mais de 30 anos, à atividade internacionalista como integrante do Comitê Executivo Internacional da LIT-QI e do Conselho Editorial da revista Marxismo Vivo.
Seus últimos anos foram os de uma luta dupla. Contra o câncer que o invadia e contra a degeneração da direção do PSTU e da LIT. O enfraquecimento físico não o impediu de participar e de fortalecer o setor que lutou para manter as bases revolucionárias das organizações que ajudou a fundar.
Zezoca não viveu o suficiente para conhecer o desfecho dessa luta. Estava consciente de que a burocratização da direção do PSTU e da LIT não permitiria que se mantivessem no caminho da revolução, mas lutou conosco até o fim.
Zezoca estaria muito orgulhoso da formação do MPR. E nós estamos ainda mais orgulhosos por saber que, se ainda vivo, estaria na linha de frente da construção do MPR. Por sua luta, contribuição e exemplo, é um dos nossos fundadores.
Zezoca, presente!
