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Home»Nacional»O arrocho que assalta os trabalhadores
Nacional

O arrocho que assalta os trabalhadores

Por: Marcos Margarido
21/07/2026Nenhum comentário5 Mins Read
Capitalismo. (Fonte: https://scalar.usc.edu/works/marxmcdonalds/media/Kapitalismus.jpg)
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No dia 6 de maio, o IBGE publicou a PNAD relativa a 2025. Imediatamente, os meios de comunicação da burguesia estamparam manchetes afirmando que a renda mensal média da população brasileira foi de R$ 3.367, um recorde histórico. Um salário bem alto, levando-se em conta que o salário mínimo em 2025 era de R$ 1.518 (R$ 6,90 por hora). Essa notícia contrasta claramente com outra do mesmo período: o endividamento das famílias trabalhadoras. 

Mas ela tem uma pegadinha. No mesmo relatório da pesquisa, o IBGE afirma que “o rendimento médio mensal real domiciliar per capita também atingiu valor recorde em 2025, ao chegar a R$ 2.264”. Isto é, R$ 3.367 é o rendimento mensal médio individual, enquanto o salário médio de R$ 2.264 é o familiar; é o salário que sustenta uma família com filhos, se apenas uma pessoa trabalha. Se duas pessoas na família trabalham, o salário médio seria o dobro.

O grande problema é que nem isso uma grande parte dos brasileiros ganha. Segundo o censo do IBGE (2022), quase 35 milhões de trabalhadores recebiam 1 salário mínimo para sobreviver, e mais 33 milhões tentavam viver com 1 a 2 salários mínimos. Por outro lado, apenas 7,6% da população trabalhadora recebia mais de 5 salários mínimos. 

Outro grande problema é a desigualdade de rendimentos. Os 10% mais ricos da população tinham rendimento 13,8 vezes maior que os 40% mais pobres e detinham 40,3% da massa de rendimentos em 2025. Isso é mais do que os 70% da população mais pobre obtiveram e mostra que o aumento dos rendimentos médios e do valor total dos rendimentos em 2025, que bateram recordes, favoreceu mais os 10% mais ricos do que os 70% mais pobres. Isto é, houve concentração de rendas no período. Mas não só em 2025. Isso acontece todos os anos, de forma permanente, o que significa que os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. É o que Marx diz em seu livro O Capital: “A acumulação de riqueza num polo é, ao mesmo tempo, a acumulação de miséria, o suplício do trabalho, a escravidão, a ignorância, a brutalização e a degradação moral no polo oposto”.

A engrenagem da desigualdade: acumulação num polo, miséria no outro

Os rendimentos dos trabalhadores aumentaram, pois o salário mínimo cresceu mais do que a inflação e a uberização incluiu uma quantidade enorme de trabalhadores sem direitos no mercado de trabalho. Mas isso não explica o aumento da desigualdade.

Ela é consequência da concentração do capital nas mãos de poucos capitalistas. Para se ter uma ideia, as empresas distribuíram R$ 355,8 bilhões em dividendos e juros aos seus acionistas, enquanto a massa de rendimentos relativa ao trabalho foi de R$ 361,7 bilhões. Isto é, “meia dúzia” de acionistas recebeu quase tanto quanto 143 milhões de pessoas!

Mas a verdadeira desigualdade está no fato de que esses capitalistas detêm os meios de produção, como fábricas, minas e terras, e, por isso, exploram os trabalhadores, que têm apenas sua força de trabalho para vender. Quando conseguimos um emprego, sempre recebemos um salário menor do que a riqueza que produzimos, e só podemos trabalhar se aceitarmos essa situação. Essa é a maldição que recai sobre a classe trabalhadora. Nós mesmos, com nosso trabalho, fortalecemos a classe capitalista que nos explora.

Podemos ter uma ideia da exploração a que estamos submetidos ao comparar o salário mínimo oficial com o do DIEESE, calculado conforme a Constituição do país. Enquanto hoje o salário mínimo determinado pelo governo Lula é de R$ 1.600, o do DIEESE é de R$ 7.100! Essa é a maior ajuda que o governo Lula dá aos capitalistas do país, às custas do arrocho salarial.

Desenrola 2.0: financiando o lucro dos banqueiros com dinheiro público

É isso que explica o endividamento permanente das famílias trabalhadoras. Recebemos muito menos do que nosso trabalho produz e nossos baixos salários são insuficientes para manter uma família. Sem contar a inflação dos alimentos, que é o que mais pesa para as famílias de baixa renda. Em abril, o preço do leite longa-vida aumentou quase 14%, e a inflação dos alimentos em março foi de 2,14%. Metade da inflação prevista para todo o ano.

Uma pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostrou que 80,4% das famílias brasileiras estavam endividadas em março. Como isso tira votos em ano eleitoral, o governo Lula anunciou o lançamento do programa Desenrola 2.0 para a renegociação de dívidas com bancos. O primeiro Desenrola ocorreu no fim de 2023, mas, após apenas 18 meses, a porcentagem de endividados não só voltou ao nível anterior, como também o ultrapassou. Mas nenhuma palavra sobre aumento salarial. Isto é, daqui a poucos meses, o endividamento voltará a bater à porta dos trabalhadores.

Segundo o governo, serão renegociados cerca de R$ 100 bilhões em dívidas de 27 milhões de brasileiros. Mas será o próprio povo que financiará essa dívida, por meio de “dinheiro esquecido nos bancos”, do FGTS dos endividados, do Fundo Garantidor de Operações, para o qual o governo depositará R$ 15 bilhões, isto é, dinheiro público.

O que fazer? Que os capitalistas paguem pela crise

Lutamos pela aplicação do salário mínimo do DIEESE e pela anulação de todas as dívidas da classe trabalhadora. Os bancos e empresas devem arcar com o custo, depois de roubarem muito mais dinheiro do povo com a cobrança de juros de 440% anuais nas dívidas do cartão de crédito.

Mas isso não é suficiente. Precisamos acabar com a maldição da classe trabalhadora, o trabalho assalariado. Por isso, lutamos pelo fim da exploração de 143 milhões de trabalhadores exercida por essa meia dúzia de capitalistas. Lutamos por uma sociedade sem classes, lutamos pelo comunismo.

Matéria originalmente publicada no Jornal do MPR n. 1.

arrocho comunismo desenrola Lula Marx trabalhadores
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