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Home»Nacional»Governo Lula privatiza rios da Amazônia
Nacional

Governo Lula privatiza rios da Amazônia

Por: Paulo Magno
11/02/2026Nenhum comentário5 Mins Read
Rio Tapajós, alvo da privatização pelo governo Lula
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Povos indígenas resistem!

2026 começa com os povos indígenas protagonizando uma grande luta na região do Baixo Tapajós, no Pará.

No estado do Pará, o início de 2025 foi marcado pela histórica luta dos professores e indígenas contra as alterações legais iniciadas pelo governador Hélder Barbalho (MDB)_ no sistema educacional público paraense. A luta foi um marco importante porque mobilizou a opinião pública contra o projeto de privatização da educação, que tinha como principal alvo a educação em áreas rurais e indígenas. O ataque tiraria dos indígenas o direito à educação pública presencial, substituindo-a por aulas remotas, o que, na realidade amazônica, seria praticamente inviável, para dizer o mínimo. Além disso, a mudança legal incluía um duro golpe na carreira dos professores, que se juntaram aos indígenas na ocupação da secretaria pública de educação e conseguiram impor uma grande derrota política ao governador Hélder, que revogou as mudanças.

Eis que 2026 começa com os indígenas protagonizando outra grande luta, dessa vez no oeste do Pará, na região do baixo Tapajós. Enfrentaram a gigante Cargill, empresa estadunidense de comércio e produção de alimentos, ocupando, em Santarém, o porto da maior empresa de capital fechado dos EUA. E por que ocupam? A pauta em discussão é a revogação da privatização do rio Tapajós, que o governo Lula implementou pelo decreto 12.600/2025. Esse decreto inclui os rios Tapajós, Tocantins e Madeira no Programa Nacional de Desestatização. Entrega a empresas privadas ações operacionais de infraestrutura nestes rios (dragagem, sinalização, etc.), com potencial de grande impacto ambiental, social e econômico na região. É, na prática, uma política feita sob medida para os latifundiários, garimpeiros e mineradoras que exploram o solo e os recursos naturais da Amazônia. Por meio do decreto e de outras medidas acessórias, o governo financia obras de infraestrutura com verbas do PAC para escoar o produto do saque econômico dos grandes grupos burgueses que operam na Amazônia.

Lula contra a Amazônia, a periferia brasileira

Que Lula tenha uma química forte com Trump, nem ele esconde. O que Lula esconde de muitos, mas que os indígenas de várias etnias insistem em mostrar em Santarém, é que seu governo é inimigo dos povos indígenas. O setor burguês do qual Lula é o máximo representante político não tem nada de diferente do bolsonarismo. Na prática, veem na Amazônia uma fonte de recursos e de força de trabalho barata, da qual pretendem extrair lucros por meio do desmatamento, do envenenamento do solo e da exploração econômica sem freios. A privatização de hidrovias e a exploração de petróleo da margem equatorial, com ou sem consulta pública, não trarão benefícios nem para os indígenas, nem para pescadores, quilombolas nem para os trabalhadores. Grandes grupos como a Cargill, Vale, Hydro, Votorantim e Exxon Mobil seguem sendo as principais beneficiárias dos projetos aprovados pelo governo Lula.

Essa exploração predatória moderna, que pretende transformar a Amazônia cada vez mais num imenso celeiro de soja, dendê, milho, cacau e numa imensa mina de ferro e alumínio, não é novidade na história do Brasil. Esta terra foi colonizada no século XX por gaúchos, paulistas, goianos, italianos e japoneses, que utilizaram força de trabalho barata nortista/nordestina em muitas atividades econômicas, principalmente no agronegócio. Se recuarmos mais no tempo, quando foi plataforma das explorações seringalistas para a Europa, ou mesmo antes, quando explorada pelos portugueses, vemos que a Amazônia é o elo mais frágil da economia capitalista brasileira; ou seja, a região caracteriza-se como uma colônia da colônia: mais atrasada, desindustrializada e subdesenvolvida. Aqui estão o pior IDH do Brasil e os piores índices de saneamento. As grandes hidrelétricas de Tucuruí e de Belo Monte, e as grandes minas de Carajás, não trouxeram prosperidade, mas o contrário. Pará tem a tarifa de energia elétrica mais cara do Brasil e a cesta básica entre as mais custosas, em um estado onde 70% da população vive com até dois salários mínimos, abaixo da média nacional, com índices de informalidade superiores.

A luta histórica por soberania na Amazônia

Do sonho do Eldorado amazônico, passando pela Fordlândia (uma cidade industrial abandonada pela Ford no oeste paraense), essa região, coberta por uma floresta construída por milhares de anos de manejo pelos indígenas e por uma arquitetura ecológica que transformou solos pobres em terra antropogênica, é o palco de uma intensa disputa entre burguesia e proletariado. A disputa é se o território e seus recursos servirão ao desenvolvimento dos mais pobres, dos trabalhadores urbanos e rurais que, com suas mãos, constroem as riquezas escoadas em balsas, ou se o capital internacional imporá a submissão dos povos nativos e do proletariado ao seu regime de exploração destrutiva, que Lula e a burguesia da Frente Ampla administram por meio de decretos e políticas de privatização/colonização.

Essa luta ficou bem evidente no governo Bolsonaro, mas não acabou no de Lula. O decreto precisa ser derrubado. Para isso, é necessária e importante a unificação do movimento sindical brasileiro à luta dos indígenas, como ocorreu na COP30 em 2025. Os trabalhadores e povos originários terão de superar as expectativas em mecanismos legais de consulta e exigir das suas direções a realização de atos unificados para a revogação total do decreto.

Não ao Decreto 12600/2025!

Não à privatização dos rios da Amazônia!

Cargill COP30 Decreto 12600/2025 Lula povos indígenas privatização rio tapajós
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