Em 2026, o trabalhador continua arrochado, precarizado, endividado. O mal-estar social que desafia o governo Lula é o resultado direto de uma política que gera vagas precárias com baixos salários e jornadas de trabalho extenuantes, em uma taxa de informalidade que se mantém na casa dos 40%, enquanto bilionários lucram com o aumento da desigualdade social.
Fim da escala 6 X 1: entre a urgência das ruas e a enrolação do Congresso e do governo
O fim da escala 6×1 não é apenas um debate sobre jornada de trabalho: é uma disputa pelo direito à vida, ao descanso e à saúde mental.
A luta dos trabalhadores, o movimento VAT e os sindicatos conseguiram impor a redução da jornada de trabalho na ordem do dia, mas na Câmara, sob a liderança de Hugo Motta (Republicanos), e nos relatórios de Leo Prates (Republicanos), vemos uma política de desidratar a proposta. Enquanto o governo tenta capitalizar eleitoralmente a pauta, a extrema-direita e o Centrão articulam emendas para empurrar o fim da escala para daqui a 10 anos e abrir exceções para esvaziar o direito à folga de dois dias. O governo cedeu e passou a negociar um período de transição, que pode chegar a 5 anos, para a redução gradual da jornada de trabalho.
O governo, deputados e senadores fazem promessas, mas a história demonstra que nenhuma conquista da classe trabalhadora veio sem luta. A confiança nas instituições burguesas é uma armadilha. A estratégia das direções do movimento de institucionalizar o debate, em vez de manter aceso o fogo das ruas, abriu espaço para a enrolação parlamentar, que pode comprometer o resultado final dessa luta.
O fim da escala 6×1 só será real por meio da mobilização viva e independente dos trabalhadores nas ruas. O movimento não pode parar na defesa de uma PEC desidratada. É preciso defender um programa pelo fim da escala 6×1 já, sem redução de salários! Escala Móvel de Salários! Escala Móvel de Horas de Trabalho!
Trabalhar menos para que todos trabalhem!
Apesar dos avanços tecnológicos e do aumento de produtividade, os trabalhadores continuam sobrecarregados. A proposta da escala móvel de horas de trabalho inverte essa lógica ao dividir o total do trabalho necessário para produzir o que a sociedade precisa entre todos os trabalhadores.
Ao se fazer isso, eliminam-se o desemprego e a uberização forçada, e a jornada de todos será reduzida, sem redução de salários. E devolve o tempo de vida à classe trabalhadora.
Mas os políticos só discutem o “prejuízo dos empresários” porque defendem os lucros dos capitalistas.
A redução da jornada não é uma concessão legal; é uma conquista que só se arrancará pela mobilização independente e pela greve, como ferramenta estratégica no horizonte da superação desse sistema capitalista.
De Karl Marx ao Programa de Transição
Karl Marx, em sua obra “O Capital”, explicou que a jornada de trabalho é um campo de batalha entre o capital e o trabalho. Marx demonstrou que a jornada de trabalho no capitalismo é dividida em duas partes: o trabalho necessário, ou seja, o tempo de trabalho em que o trabalhador produz o equivalente ao valor da sua força de trabalho (o salário para sobreviver), e o mais-trabalho ou trabalho não pago, que é o tempo de trabalho restante que o trabalhador produz na fábrica após já ter pago o seu custo e que vai para os bolsos do capitalista. É daqui que o capitalista extrai a mais-valia, a fonte de toda a acumulação de capital.
A escala 6×1 é uma expressão do trabalho não pago, no qual o patrão exaure a força do trabalhador para garantir a acumulação de riqueza. Defender o fim da escala 6×1 e a redução da jornada é defender a redução do trabalho não pago. É por isso que a burguesia e os políticos reagem, pois mexer na jornada de trabalho é mexer diretamente na taxa de exploração; no lucro dos capitalistas.
Matéria originalmente publicada no Jornal do MPR n. 1
