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Home»Internacional»O imperialismo pode ser derrotado!
Internacional

O imperialismo pode ser derrotado!

Por: CIR - Comitê Internacional pela Reconstrução da LIT
28/05/2026Nenhum comentário9 Mins Read
Fuga de Saigon em helicópterona embaixada dos EUA. (Foto: Wikimedia Commons)
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Todo apoio à resistência palestina e iraniana!

Diversos líderes que se autodenominam anti-imperialistas, do PSOL brasileiro, do castro-chavismo, de partidos comunistas em diferentes países, bem como reconhecidos “influenciadores”, tentam justificar a vergonhosa rendição do chavismo venezuelano ao imperialismo. Dizem que é preciso reconhecer o imenso poder de Trump, contra o qual pouco se pode fazer, e que o que Delcy Rodríguez faz (inclusive negar petróleo a Cuba e enviá-lo para Israel) é uma tática brilhante para ganhar tempo.

Ao mesmo tempo, a maioria das organizações de esquerda, incluindo várias que se definem como trotskistas, pinta um quadro de uma realidade mundial em que só existem lutas defensivas e nunca se cansam de falar sobre o perigo da extrema-direita, da qual Trump seria o maior exemplo, que cresce indefinidamente, que é muito difícil de confrontar, que justificaria tudo, desde amplas frentes eleitorais, com stalinistas e reformistas de todos os tipos, até votar nos candidatos dos governos de turno.

Como não poderia deixar de ser, essas posições da maioria das organizações e de líderes de esquerda influenciam um grande número de lutadores operários, estudantis e do movimento popular. É assim que, muitas vezes, quando levantamos a necessidade de uma revolução socialista para acabar com o capitalismo e construir uma nova sociedade, respondem: “Isso seria muito bom, mas é impossível, porque o imperialismo não só tem o maior arsenal do mundo, como também controla a tecnologia, então eles podem fazer o que quiserem“.

Se isso fosse verdade, nunca teria havido um triunfo revolucionário, porque aqueles que detêm o poder sempre controlaram armas e tecnologia em diferentes momentos da história, mas revoluções e guerras não se definem apenas pelo poder militar.

Derrota no Vietnã

Foi por isso que o imperialismo norte-americano, a maior potência militar do planeta, foi derrotado em 1975 no Vietnã, com uma capacidade militar qualitativamente inferior. A diferença era abissal; a China enviava armas a conta-gotas, e a escassez de armamentos era tão grave que algumas forças vietnamitas enfrentaram os poderosos fuzileiros navais com arcos e flechas e armadilhas com cobras venenosas no meio da selva.

Os vietnamitas sofreram um milhão de mortes, os EUA apenas cinquenta mil, e, mesmo assim, foram forçados a fugir. Os vídeos que mostram americanos correndo para pegar aviões que os tiraram do Vietnã são impactantes. Isso aconteceu porque a resistência heroica do povo vietnamita se uniu a um movimento antiguerra massivo nos EUA, liderado por famílias de soldados que exigiam o retorno de seus filhos e por estudantes que se recusavam a ser convocados. Esse movimento angariou o apoio de figuras proeminentes das artes e do esporte. A mais importante dessas figuras foi o campeão mundial de boxe Muhammad Ali, que se recusou a ir à guerra, dizendo que não tinha motivos para lutar contra um povo que nunca o havia prejudicado, visto que foi em seu próprio país que sofreu ataques por ser negro e pobre.

O Vietnã é o principal exemplo de como o poderio militar não define as guerras, mas não é o único. Já no século XXI, o imperialismo norte-americano foi derrotado novamente no Iraque e depois no Afeganistão, e as coisas não estão nada bem para ele agora.

Imperialismo versus Gaza e Irã

Há duas questões erradas na argumentação da grande maioria das organizações de esquerda em relação aos ataques à Palestina, ao Irã, à Venezuela, a Cuba e aos imigrantes.

A primeira é que eles veem isso como um ataque exclusivo de Trump, ou seja, da extrema-direita, e não do conjunto do imperialismo, e, com isso, dão crédito à campanha de que tudo mudará se o Partido Democrata vencer as eleições nos EUA. Isso se expressa em nível de diferentes países no apelo para derrotar a extrema-direita, dando apoio eleitoral a candidatos “progressistas”, como Lula, Boric ou o candidato de Petro.

Mas se trata aqui de uma ofensiva de recolonização por parte de todo o imperialismo. A maior prova disso é que tanto Biden quanto Trump deram apoio irrestrito ao ataque genocida de Israel contra Gaza; que o maior número de deportações de imigrantes até hoje ocorreu durante o governo de Obama e que, embora com formas e retórica diferentes, as tentativas de recolonização da Venezuela, de Cuba e do Irã vêm ocorrendo há algum tempo, tanto em governos republicanos quanto democratas.

O outro grande erro é pensar que os ataques atuais de Trump (incluindo a questão das tarifas) são um sinal da força imperialista. Pelo contrário, são uma tentativa desesperada de enfrentar as crises econômica, política e social nos EUA.

Essa política mostrou-se contraproducente, pois sua tripla crise se intensificou: os custos da guerra aprofundam a crise econômica, a economia popular é prejudicada pelas consequências da guerra, o que catalisa mobilizações massivas contra o governo. Trump não está bem posicionado para as próximas eleições, e a política de tarifas e o ataque ao Irã geraram conflitos com o imperialismo europeu.

A vitória de Trump na Venezuela não se deveu à força de um “superimperialismo”, mas sim à vergonhosa rendição e colaboração do chavismo. O mesmo se pode dizer de Cuba. O governo venezuelano colaborou explicitamente com seu mestre imperialista, interrompeu o envio de petróleo para Cuba e o enviou para Israel, sem falar da capitulação dos chamados governos progressistas que, na verdade, acataram o embargo de petróleo imposto por Trump.

Mas onde há resistência acontece o contrário. Durante dois anos e meio, ele forneceu apoio total — político, bélico e financeiro — ao genocídio israelense em Gaza, mas não alcançou seus objetivos. Pelo contrário, a heroica resistência palestina e as imensas demonstrações de solidariedade em todo o mundo e nos próprios EUA levaram a um isolamento internacional sem precedentes de Israel, forçando Trump a trocar seu projeto de um resort de luxo em Gaza por seu plano de paz fraudulento e obrigando Netanyahu a aceitar um cessar-fogo em troca da libertação dos reféns.

Após dois anos e meio de ataques contínuos, Israel não conseguiu tomar todo o território (relatórios indicam que não controla 40%) nem desarmar a resistência. Apesar das ameaças de Trump, o Hamas e as outras organizações não aceitaram o desarmamento e tudo indica que, apesar das perdas sofridas, se reagruparam. Cometeram genocídio; o sofrimento do povo de Gaza é terrível, mas o que Israel e os EUA ganharam foi o aprofundamento de suas crises. É por isso que, politicamente, eles estão sendo derrotados. Isso, como afirmamos no artigo “Antissionismo não é antissemitismo”, reforça a hipótese do historiador israelense Ilan Pappé de que estamos no início do fim do Estado sionista de Israel.

Repetimos: o resultado de uma guerra não se baseia unicamente no poderio militar, no número de baixas ou na destruição do adversário. Se assim fosse, o resultado já estaria predeterminado, antes mesmo do início da guerra, em favor de Israel e do imperialismo, contra a Palestina e o Irã.

O Vietnã provou isso, a Palestina está demonstrando, e o Irã está, mais uma vez, levantando a possibilidade muito real de uma derrota política e militar do imperialismo estadunidense, o que significaria uma grande vitória para trabalhadores, estudantes e combatentes anti-imperialistas em todo o mundo. Se concretizada, essa derrota do imperialismo fortalecerá as lutas contra todos os governos capitalistas, incluindo a dos trabalhadores, estudantes e mulheres iranianos contra a ditadura dos aiatolás.

Trump tentou replicar seu sucesso na Venezuela ao declarar guerra ao Irã, juntamente com Israel, em 28 de fevereiro. Ele tentou explorar a instabilidade da ditadura dos aiatolás, que havia reprimido brutalmente a insurreição iniciada em janeiro. O pretexto era interromper o programa de armas nucleares do Irã, e seu objetivo declarado era derrubar o regime, seja instalando um novo governo, seja subjugando-o aos seus interesses, como fizera na Venezuela. Havia claramente um objetivo econômico: apoderar-se da terceira maior reserva de petróleo do mundo; e um objetivo político: controlar o país mais poderoso da região e o aliado mais poderoso da Palestina. Ele esperava alcançar tudo isso em questão de dias e convocou os insurgentes de janeiro a se juntarem à luta contra o regime iraniano. Mas o povo iraniano não caiu nessa armadilha e priorizou a luta contra o ataque imperialista.

Já se passaram três meses de guerra e muitos analistas burgueses dizem que Trump está perdendo.
Nesse sentido, é interessante observar o que o inimigo diz. O jornalista mexicano Témoris Greco analisa um artigo de Robert Kagan, publicado em 10 de maio na revista The Atlantic, intitulado “Xeque-mate no Irã: Washington não pode reverter nem controlar as consequências de perder esta guerra”.

Robert Kagan é cofundador do Projeto para um Novo Século Americano, uma referência central para os neoconservadores (os falcões). Ele foi o arquiteto intelectual da guerra no Iraque e, atualmente, é pesquisador sênior da Brookings Institution, outro centro neoconservador.

Nesse artigo, Kagan afirma: “As derrotas no Vietnã e no Afeganistão foram custosas, mas não prejudicaram permanentemente a posição geral dos Estados Unidos no mundo, pois ocorreram longe das principais arenas da competição global”. Mas agora: “A derrota no atual confronto com o Irã será de natureza completamente diferente. Não poderá ser reparada nem ignorada. Não haverá retorno ao status quo anterior, nem uma vitória definitiva dos Estados Unidos que desfaça ou supere os danos causados. O Estreito de Ormuz não será reaberto como no passado”.

Após 37 dias de intensos bombardeios que destruíram grande parte da infraestrutura militar do Irã e eliminaram uma parcela significativa de sua liderança, o Irã não entrou em colapso nem fez concessões. O ponto de virada no conflito foi a resposta iraniana: o ataque israelense ao campo de gás de South Pars provocou um contra-ataque nas instalações de Ras Laffan, no Catar, prejudicando a capacidade global de produção de gás natural liquefeito por anos.

Trump interrompeu os bombardeios e declarou um cessar-fogo sem obter quaisquer concessões iranianas. (…) O governo Trump espera alcançar, bloqueando os portos iranianos, o que a força militar não conseguiu, mas um governo que não cedeu a cinco semanas de ataques implacáveis dificilmente se renderá apenas à pressão econômica.

Para sair dessa situação, esse ideólogo dos “falcões” aconselha: “Empreender uma guerra terrestre e naval em grande escala para derrubar o atual regime iraniano e, posteriormente, ocupar o Irã até que um novo governo possa assumir o poder“. Essa medida é contestada pela grande maioria dos líderes militares e já causou uma grave crise nas Forças Armadas dos EUA.

E o que Kagan omite é que as consequências da guerra para a economia dos trabalhadores e dos setores mais pobres dos EUA são uma das causas importantes que mobilizaram milhões no movimento “No King”.
Como afirmamos no título deste artigo, é possível derrotar o imperialismo. Isso implica que o triunfo da revolução socialista não é impossível, para o qual é necessário avançar na construção de uma liderança revolucionária mundial. Esses são temas que desenvolveremos em artigos futuros.

imperialismo Irã Palestina Vietnã
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