Em abril de 2025, ao lado do então presidente dos Correios, Fabiano Silva, Lula compareceu à inauguração do Centro de Distribuição do Mercado Livre, em Cajamar (SP). Na ocasião, acompanhado de executivos da maior concorrente dos Correios, o presidente Lula participou do anúncio de um investimento de R$ 34 bilhões para 2025 e da promessa de abrir milhares de postos de trabalho. Enquanto o capital privado era celebrado com pompa, a crise estrutural e financeira dos Correios se aprofundava dia após dia — e a direção da empresa, com a bênção do governo Lula, nada fazia para estancá-la.
Em setembro do mesmo ano, tomava posse o novo presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, funcionário de carreira do Banco do Brasil, escolhido a dedo por Lula para comandar a estatal. Rondon assumiu a vaga deixada pelo incompetente Fabiano Silva, advogado ligado ao grupo Prerrogativas — o coletivo que atuou ativamente na defesa jurídica e política de Lula, entoando bandeiras na campanha “Lula Livre”. A troca de um indicado por outro, no entanto, não representou nenhuma mudança de rumo: apenas reafirmou o controle político-partidário do PT sobre os Correios.
No início do mês seguinte, a diretoria da Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios (FENTECT) informava ter tido uma “importante reunião” com o presidente escolhido por Lula, que receberia todos os sindicatos em Brasília no dia 28/10 daquele ano, para uma apresentação formal e para discutir os caminhos de fortalecimento da empresa. “Essa será uma oportunidade crucial para avançarmos nas pautas da categoria“, afirmou a diretoria da FENTECT. Mas a promessa de diálogo escondia o que viria a seguir.
Duas semanas antes, Rondon já anunciava, em entrevista coletiva, um plano bilionário junto ao sistema financeiro e os primeiros ataques aos trabalhadores dos Correios — ataques que, até hoje, não cessaram. O que se desenhou foi um projeto deliberado de precarização, conduzido com mãos pesadas de cima para baixo, com o apoio silencioso e conivente do governo Lula.
Passados alguns meses daquela “importante reunião”, a situação dos trabalhadores e trabalhadoras dos Correios só piorou: plano de demissões, retirada de direitos, sucateamento, sobrecarga de trabalho, venda de imóveis, fechamento de unidades e um longo etc., que se arrasta sem a “boa resposta” anunciada pela diretoria da FENTECT.
Greve frente aos ataques
Agora, a maioria da FENTECT — a mesma que defendeu a indicação feita por Lula — é obrigada a gritar “Fora Emmanoel Rondon” e “Fora Natália Mota”, a Diretora de Gestão de Pessoas dos Correios, pupila do Rondon na operação do pacote de ataques, que assumiu o cargo em novembro de 2025, com mandato previsto até agosto de 2027. A cobrança, ainda que tardia, revela o tamanho do desastre: aqueles que apostaram nos nomes indicados por Lula agora veem a estatal ser destruída por dentro e por fora.
Nesta terça-feira (18 de agosto), a diretoria da FENTECT publicou o Informe 007 da Campanha Salarial da categoria, denunciando que o escolhido de Lula apresentou um “reajuste salarial muito abaixo da inflação, de menos de 1% (0,87%), o que significa apenas 20% do INPC“. O documento informa ainda que se trata, “na prática, de uma afronta diante das perdas acumuladas, da sobrecarga, da falta de pessoal e do processo de reestruturação que vem atingindo unidades, funções, adicionais e condições de trabalho em todo o país“. Uma afronta que o governo Lula, Estado-maior da gestão da ECT, insiste em ignorar.
O mesmo Informativo anuncia um calendário de mobilizações da categoria, com assembleias nacionais unificadas no dia 25 de agosto, para aprovar o indicativo de greve nacional unificada no dia 10 de setembro. É a resposta, minimamente, necessária para quem se recusa a pagar a conta de uma gestão que beneficia o capital financeiro às custas do precioso suor dos trabalhadores.
Vivemos um momento político importante no país. Vários exemplos de luta ocorreram e seguem ocorrendo nos últimos meses, como a recente luta dos trabalhadores da CPTM, em São Paulo. É preciso ficar de olho, exigir e denunciar para que a lógica das campanhas eleitorais burguesas não se sobreponha aos direitos históricos e imediatos da classe trabalhadora. A greve dos trabalhadores e trabalhadoras dos Correios é parte dessa brava resistência da nossa classe e deve ser tratada como tal.
Nesse sentido, é tarefa das direções dos sindicatos e das centrais sindicais — como a CSP-Conlutas, a CUT, a CTB e a Intersindical, entre outras — dar todo o tipo de apoio (político, logístico e financeiro) necessário aos sindicatos de trabalhadores e trabalhadoras dos Correios nos estados e regiões, fortalecendo esse importante calendário de lutas, até a vitória!
