O novo marco regulatório transfóbico do COI (Comitê Olímpico Internacional) discrimina Tiffany e as atletas trans.
O COI proibirá, a partir das Olimpíadas de Los Angeles de 2028, que atletas trans possam competir entre as mulheres nas diversas modalidades esportivas. Isso também vale para as competições profissionais organizadas pelas federações de cada país. O COI considera que, embora tenham passado pelo processo de transição de sexo, continuam tendo maior força, potência e resistência do que as mulheres cis. A Confederação Brasileira de Voleibol aplicou imediatamente a decisão do COI.
Por isso, a jogadora Tiffany Abreu, que joga vôlei feminino há 9 anos, não poderá mais competir profissionalmente por seu clube, o Osasco. Sua última competição foi o Campeonato Paulista de 2026, que terminou há uma semana, no qual o Osasco sagrou-se campeão e ela a melhor jogadora do torneio. Não poderemos vê-la jogar na Superliga Feminina de Vôlei, que começa hoje, 17 de outubro.
Isso é grave, porque a ciência ainda não concluiu que, no vôlei ou em outras competições, as mulheres trans têm vantagens sobre as demais mulheres. O COI, assim, não faz mais do que revelar seu caráter transfóbico.
O caráter mais nitidamente reacionário e transfóbico do COI é o fato de exigir que as confederações apliquem essa medida a todas as modalidades femininas. Tanto aquelas em que está cientificamente demonstrado que as mulheres têm rendimento equivalente ao dos homens — como o tiro de precisão, o tiro com arco, a vela e os esportes náuticos —, quanto nas que elas poderiam ter um rendimento superior ao dos homens, como na ultramaratona, na natação em águas abertas e na ginástica artística.
Repudiamos as novas medidas do COI e denunciamos seu caráter reacionário. Solidarizamo-nos com Tiffany e com as milhares de atletas trans de todo o mundo que recebem do COI um tratamento igual ou pior do que recebem na sociedade capitalista.
Ministério de Lula se esconde
Ao permanecer em silêncio total, o Ministério dos Esportes de Lula alinha-se à posição transfóbica, em vez de garantir que Tiffany possa encerrar sua gloriosa carreira no vôlei como a primeira mulher trans jogadora profissional de forma digna. LGBTfobia no Brasil é crime. Toda solidariedade à Tiffany.
