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Home»Eleições 2026»Lula em Belém e a tragédia da esquerda reformista
Eleições 2026

Lula em Belém e a tragédia da esquerda reformista

03/10/2026Nenhum comentário6 Mins Read
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A uma semana das eleições, Belém do Pará recebeu a visita do candidato Lula. A viagem, não prevista inicialmente na campanha do presidenciável, foi financiada por Helder Barbalho e seu grupo político. O objetivo foi influenciar o cenário incerto da eleição para governo do estado, entre Hana Ghassan (MDB) e Dr. Daniel (Podemos).

Lula é Hana, Hana é Helder!

No dia 28/09, enquanto Lula, Hana e Helder se encontravam reservadamente em um hospital privado que recebe recursos do SUS, em Belém, o entardecer na Praça da República, no centro da cidade, era tomado por centenas de apoiadores do petista. Alguns deles gritavam: “A Hana não é Lula!”, referindo-se à governadora.

Tanta contrariedade tem razão de ser, já que o clã Barbalho é amplamente conhecido na região. Latifundiária há gerações, a família acumula denúncias que vão da grilagem de terras à perseguição de movimentos sociais, sindicais e indígenas, além de carregar um longo histórico de acusações de corrupção.

Ao anoitecer, o presidente apareceu no comício vestido simbolicamente de azul, com Hana Ghassan (MDB) ao seu lado, com as mãos dadas para cima. Em sua fala, Lula defendeu: “Pelo amor de Deus! Vamos votar casado! Vamos votar casado! … É muito importante que vocês saibam que essa mulher… É o que tem de melhor para governar o Estado do Pará e dar continuidade às obras do governo Helder”. Ao terminar seu discurso, sentenciou: “Aqui é 15 da Hana e 13 do Lula!”.

Se ainda havia dúvida naquele mar de gente vermelha postada em frente ao famoso Theatro da Paz, o próprio presidente respondeu expressamente à questão: Lula é Hana e Hana é Helder!

Lula é Helder e Chicão! Lula é Jader e todos são Temer!

Além do apoio à governadora e do total desprezo à candidatura do PSOL, Lula entrou também na polêmica sobre as vagas ao Senado. Defendeu que “o presidente do PT e o presidente do MDB devem se sentar e avaliar a situação”, indicando que um deles deveria abrir mão para concentrar votos nos nomes com maiores chances de derrotar o candidato bolsonarista. Só que, àquela altura, já era de conhecimento geral que Helder liderava as pesquisas isoladamente. A disputa acirrada pela segunda vaga era entre Éder Mauro (PL) e Chicão (União Brasil).

Assim, o recado também foi claro: Celso Sabino (ex-União Brasil e atual PDT), candidato ao Senado apoiado pelo PT, deveria retirar sua candidatura para viabilizar a eleição de outro aliado de Helder. O recuo foi anunciado pelo diretório estadual do PT dois dias após o comício.

Contudo, o que mais chamou a atenção no discurso de Lula foi sua homenagem ao patriarca da dinastia: Jader Barbalho. Lula disse: “A verdade nua e crua é que, quando eu ganhei as eleições para presidente, eu ganhei um amigo. Um amigo chamado Jader Barbalho pai, que esteve do meu lado nos momentos mais difíceis, defendendo-me no Senado. E eu tive o prazer de ver que a consanguinidade de Jader Barbalho, que muitas vezes não era compreendida por gente do meu partido, produziu dois frutos extraordinários, o Helder e o Jader Filho, que estão fazendo orgulho ao estado do Pará e ao Brasil pela nobreza da competência política que eles fazem aqui.”

Jader Barbalho é filho do ex-deputado estadual Laércio Barbalho, empresário e fundador do jornal Diário do Pará. Embora viesse de uma linhagem política, foi Jader quem consolidou o clã. Há décadas, a família ocupa cargos proeminentes em diversas esferas do poder, como no Senado, na Câmara dos Deputados e em ministérios de diferentes governos, como o de Jader Filho, que assumiu o Ministério das Cidades no governo Lula. O controle também se estende ao Palácio do Governo do Estado e à Prefeitura de Belém, comandada pelo primo de Helder Barbalho, Igor Normando.

O nepotismo político é tamanho que, quando governador, Helder indicou a própria esposa para o cargo vitalício de conselheira do Tribunal de Contas, cuja atribuição seria fiscalizar as contas do Estado — isto é, do seu marido. A indicação foi aprovada pela Assembleia Legislativa sem nenhuma oposição relevante, inclusive por parte de parlamentares do PT e do PSOL. O curioso é que, até há pouco tempo, Helder Barbalho era ministro da Integração Nacional no governo de Michel Temer (2016-2018), classificado por esta “esquerda” como “golpista” pelo impeachment de Dilma Rousseff. Contudo, o fato parece ter caído no completo esquecimento, já que PT e MDB estão em forte aliança, como nunca vista antes no Pará.

Ninguém solta a mão de ninguém!

Como dito no comício, Lula é o maior líder popular que este país já teve. No entanto, sua liderança se coloca a serviço do capital. Não por acaso, em seu discurso, o presidente defendeu abertamente a explosão do Pedral de Lourenço — uma exigência do agronegócio exportador —, bem como a exploração petrolífera na Margem Equatorial. Ambos os projetos representam um profundo ataque não apenas ao meio ambiente, mas também às populações que habitam esses territórios.

Contudo, os capitalistas nunca colocam todos os ovos na mesma cesta — e é por isso que figuras como Flávio Bolsonaro surgem como alternativa. A diferença entre eles não reside no projeto econômico, mas na retórica. Lula consegue convencer parcelas expressivas da classe trabalhadora de que atua em defesa dos pobres e oprimidos, quando a realidade aponta para o oposto. Seu real objetivo é manter a base social convicta de que basta o voto de domingo para que os problemas se resolvam. Dito de outro modo: busca desmobilizar as lutas e as organizações de base e, assim, pavimentar o caminho para a frustração. É exatamente por essa razão que o bolsonarismo não foi derrotado, e dificilmente será enquanto o petismo contiver o ímpeto das massas.

De qualquer modo, este comício foi histórico. Se antes restavam dúvidas, agora ficou explícito que Lula, Jader, Helder, Chicão, Hana, Dirceu Ten Caten, Carlos Bordalo, Igor Normando e Michel Temer caminham de mãos dadas na defesa de um mesmo projeto econômico e político. Todos eles se colocam ao lado das mineradoras, do grande agronegócio e das multinacionais, em oposição aos interesses dos povos indígenas, quilombolas e da classe trabalhadora. A alternativa para superar esse pântano não é fácil, mas é a única viável: construir um partido revolucionário!

O Movimento por um Partido Revolucionário (MPR) coloca-se nesta difícil, mas necessária tarefa estratégica. Só com uma revolução socialista é que os interesses econômicos e sociais da classe trabalhadora poderão ser de fato garantidos!

eleições 2026 Hana Ghassan Helder Barbalho Lula
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