No feriado de 04/06 (quinta-feira), a sede do Movimento de Luta dos Trabalhadores Independentes (MLTI), em Manaus (AM), sofreu mais um ataque político. Além de bens materiais depredados, como portas, grades de janelas, mesas, cafeteira e até uma bandeira do Brasil, que foi rasgada, também foram furtados materiais de formação e arquivos históricos do Movimento, como recortes de jornais, DVDs e relíquias do Memorial Maria Helena, acervo que sintetiza parte da história das ocupações populares de Manaus e cidades próximas, além da história dos mártires das lutas populares.
O ativista histórico e coordenador do MLTI, Júlio Ferraz, que já denunciou perseguições e ameaças anteriores na região, avalia que os criminosos — provavelmente milicianos — que promoveram esta ação estavam em busca de algum documento, talvez relacionado ao caso de Luiz Omar, jovem de 15 anos que desapareceu misteriosamente e teve seu corpo encontrado meses depois, com indícios de tortura e execução, para atingir as lideranças do movimento.
O MLTI é um movimento social de luta por moradia e por direitos humanos. No dia 27/05, fizeram uma manifestação em frente ao Parque das Tribos, na inauguração do Minha Casa e Minha Vida pelo Governo Lula, para reivindicar o cumprimento da entrega de 145 apartamentos pendentes do programa pelo governo, além de cobrar do governo Roberto Cidade (União Brasil) respostas para o caso Luiz Omar e exigir que fosse remetido à Justiça Federal, entre outras pautas.
Em razão da omissão do Estado e do ex-governador Wilson Lima (União Brasil), o MLTI desenvolveu uma investigação paralela para entender o que havia ocorrido com Luiz Omar, cujos assassinos e mandantes seguem impunes. A visibilidade deste caso e sua ampla denúncia nas redes sociais parecem ter incomodado muita gente da elite amazonense.
São necessários toda a solidariedade e todo o apoio ao MLTI. Nenhuma confiança no governo do estado, na Secretaria de Segurança Pública e na Polícia Militar! O que aconteceu com Luiz Omar?
