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Home»Internacional»Trabalhadores dos EUA rejeitam Trump
Internacional

Trabalhadores dos EUA rejeitam Trump

Por: Marcos Margarido
05/11/2026Nenhum comentário6 Mins Read
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Trump sofreu uma derrota esmagadora nas eleições de meio de mandato nos EUA. Bastiões republicanos, antes considerados redutos eleitorais seguros, sofreram um tsunami. O Partido Democrata não elegia senadores no Kansas desde 1932, no Texas desde 1988 e na Carolina do Sul desde 1998. E a diversidade étnica, sexual e racial mostrou muita força.

Gina Hinojosa será a primeira governadora latina do Texas; Abdul El-Sayed, filho de imigrantes egípcios, é o primeiro senador muçulmano dos EUA, pelo Michigan; Keisha Lance Bottoms é a primeira mulher negra eleita governadora na história dos Estados Unidos, pela Georgia; New Hampshire elegeu Chris Pappas, o primeiro senador abertamente gay dos EUA; duas candidatas indígenas, Deb Haaland e Peggy Flanagan, foram eleitas governadora do Novo México e senadora por Minnesota, respectivamente. Todos democratas.

Embora a contagem de votos ainda não tenha terminado em algumas disputas para o Senado e em 68 cadeiras na Câmara dos Deputados, os democratas conquistaram uma maioria no Congresso muito mais confortável do que se previa. Mais uma vez, as pesquisas de opinião erraram. Até as 23 horas do dia 4, após a eleição em 3 de novembro, 54 senadores democratas estavam garantidos, contra 44 dos republicanos, e 239 deputados contra 147. Nessa eleição de meio de mandato, como é chamada, apenas uma parte das cadeiras estava em jogo. Nessas, os democratas elegeram sete senadores e 28 deputados, até agora.

Trump nocauteado

Trump passou a campanha eleitoral instando os eleitores a imaginarem que era o nome dele que aparecia nas cédulas. Fez discursos longos e sem sentido sobre projetos arquitetônicos em Washington, capital dos EUA, e, no Lincoln Memorial, declarou vitória na guerra contra as algas que cresciam no espelho d’água do monumento.

Os eleitores acreditaram que ele estava nas cédulas e, por isso, negaram seus votos aos republicanos. E tinham razão. A política econômica de Trump, como o aumento dos impostos sobre importações — o tarifaço —, causou um aumento de preços insuportável para a população trabalhadora, bem como os estragos da guerra contra o Irã. Além da derrota de fato, que o obrigou a retirar grande parte de sua frota na região e a manter apenas ataques com drones, o bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã, por onde 20% do petróleo mundial passava em navios cargueiros, levou a um aumento de até 50% nos preços dos combustíveis nos EUA. Com isso, mais aumentos nos preços dos alimentos.

Juntou-se a isso a campanha democrata contra a corrupção. Sabe-se que Trump apoia-se em seu mandato para enriquecimento próprio, como a associação com corretoras de criptomoedas (bitcoins), a venda de notícias exclusivas para perfis de sua rede de mensagens, a Social Truth, e a construção de hotéis de luxo e campos de golfe pelo mundo afora. A última afronta à população é a construção de um luxuoso salão de bailes na própria Casa Branca, um elefante branco financiado com dinheiro público, enquanto a população se esforça para fechar as contas no fim do mês.

Após a eleição, Trump disse que, se seu nome estivesse nas cédulas, os republicanos teriam uma vitória esmagadora. Parece que não aprendeu nada.

Mobilização popular derrota Trump

Os trabalhadores dos EUA estavam determinados a impor uma derrota a Trump. Lá, o voto não é obrigatório, e compete aos partidos mobilizar — e transportar — seus eleitores para os locais de votação. Por isso, a disposição dos eleitores dos dois principais partidos é muito importante. Em pesquisa da agência de notícias Reuters/Ipsos divulgada no final de outubro, 46% dos eleitores democratas se declaravam muito motivados a votar, em comparação com 30% dos republicanos. Ou seja, um prenúncio de derrota dos republicanos.

Outro fator é a votação antecipada, que é permitida lá. Até 2 de novembro, mais de 53 milhões de americanos haviam votado antes do dia oficial da eleição, batendo um recorde para eleições de meio de mandato. O número total de eleitores, estimado entre 120 e 125 milhões, é outro recorde.

A redução do número de eleitores republicanos e a afluência de eleitores sem partido às urnas mostram que foi um voto (e um não voto) de castigo contra Trump, não uma crença nas qualidades dos democratas. Nesse sentido, foi semelhante ao segundo turno no Brasil, quando milhões de eleitores resolveram ir às urnas para impedir a vitória de Bolsonaro, não por acreditarem em Lula.

A diferença é que o plebiscito contra Lula foi no primeiro turno, quando ele foi derrotado, e a contradição é que, para derrotar Flávio, tiveram que votar no Lula, que é o governo de turno. Nos Estados Unidos, o voto foi contra o governo. Mas também com uma contradição: para derrotar Trump, tiveram que votar nos democratas.

Afinal, o movimento inverso tinha acontecido há dois anos, na eleição para presidente, quando Trump derrotou a candidata democrata Kamala Harris. Depois do governo desastroso do democrata Joe Biden, em que se registrava crescimento econômico enquanto a população passava fome, o voto-castigo foi para seu partido.

Essa eleição — assim como no Brasil — é uma amostra de que as condições objetivas pelas quais os explorados passam têm mais peso do que a ideologia que a burguesia implanta em suas mentes. O “pobre de direita” e o “trabalhador empreendedor” são mitos propagados para dividir nossa classe.

O que os democratas farão no Congresso?

Enganam-se os que acham que os democratas utilizarão a maioria obtida nessas eleições para melhorar a vida dos trabalhadores. Em primeiro lugar, porque já estiveram no governo várias vezes, com 3 mandatos nos últimos 20 anos contra 3 dos republicanos; em segundo, porque Trump tem poder de veto e pode barrar leis aprovadas no Congresso; e, terceiro e mais importante, o Partido Democrata é tão capitalista e imperialista quanto o Republicano. Entre eles não há diferença de qualidade, apenas de quantidade, e bem pequena.

O que saberão fazer é desgastar Trump nestes dois últimos anos de mandato, um presidente com poder de ação reduzido, para aumentar suas chances nas eleições presidenciais de 2028. Continuarão a fazer denúncias de corrupção, poderão bloquear a aprovação do orçamento para o próximo ano, provocando o shutdown do governo, e abrirão processos de impeachment contra Trump.

Mas os ataques ao Irã continuarão enquanto Trump quiser, o que só lhe causará mais desgaste, bem como o tarifaço.

Como no Brasil, cuja população mostrou grande poder de mobilização eleitoral e agora terá que utilizá-lo para barrar os ataques de Lula, os trabalhadores norte-americanos terão que fazer o mesmo. Não há, na história moderna dos EUA, uma possibilidade diferente.

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