Por trás da retórica belicista de Trump sobre a América Latina, esconde-se um imperialismo em crise. No Brasil, entre a entrega de recursos sob Lula e a vassalagem explícita dos Bolsonaros, fica evidente: a verdadeira soberania só virá pela luta dos trabalhadores.
Trump voltou a apontar suas armas retóricas e econômicas contra o sul do Rio Bravo. Sob a roupagem de projetos de segurança, como o chamado “Escudo das Américas”, o governo norte-americano tenta reavivar a velha Doutrina Monroe: transformar a América Latina em seu quintal, estancar a influência de potências rivais e garantir o controle sobre energia e matérias-primas.
A covardia da burguesia nacional é histórica; não oferecerá resistência, pois, desde a colônia, contenta-se com o papel de sócia menor do imperialismo.
A entrega sob Lula e a vassalagem bolsonarista
A submissão brasileira ao capital internacional se expressa nos dois campos burgueses em disputa que, embora usem retóricas diferentes, convergem na subserviência, o que impõe a emergência da luta anti-imperialista pelos trabalhadores.
Lula, apesar da pose de progressista, entrega as terras raras e os minerais críticos. Neste ano, a mineradora estadunidense USA Rare Earth (USAR) adquiriu o grupo Serra Verde por US$ 2,8 bilhões. A Serra Verde, que opera a mina Pela Ema em Minaçu (GO), é a única produtora ativa de argilas iônicas no Brasil e a única fonte de terras raras pesadas e de alto valor fora da Ásia. O negócio teve o envolvimento direto do governo dos EUA, que forneceu financiamento para assegurar o controle desses minerais críticos. A cumplicidade é tamanha que governo e oposição aprovaram juntos no Congresso a Lei de Minerais Críticos, que rejeitou a criação de uma estatal e garantiu incentivos com dinheiro público para a exploração privada, sem salvaguardas reais ao país.
Na extrema-direita, a subserviência sequer busca disfarce. Flávio Bolsonaro e sua família protagonizaram um episódio vergonhoso ao endossar o protecionismo de Trump, que impôs sobretaxas e barreiras alfandegárias aos produtos brasileiros. Agem abertamente como lobistas de uma potência estrangeira, dispostos a sacrificar os interesses nacionais em troca de meros acenos políticos de Washington.
A capitulação gradual ou a vassalagem explícita decorrem da mesma raiz: a incapacidade da burguesia brasileira de romper as amarras da dependência.
O “Tigre de Papel”: contradições e fragilidade do imperialismo americano
A truculência de Trump não expressa força incontestável, mas desespero tático. O imperialismo norte-americano opera sob contradições que evidenciam sua vulnerabilidade. A arrogância militar encontrou limites na resistência iraniana e na perda de hegemonia sobre pontos estratégicos do Golfo Pérsico, expondo o desgaste das aventuras bélicas dos EUA.
Após prometer o isolamento de Pequim e o fim da dependência manufatureira, Trump foi forçado a sentar à mesa e costurar acordos com o governo chinês. A retórica de “guerra total” ruiu diante da interdependência das cadeias globais e da impossibilidade de subjugar a segunda maior economia do mundo no grito.
Nos EUA, crise interna, inflação e desgaste popular minam a base de Trump e aumentam o descontentamento da maioria da população.
A verdadeira soberania só virá com a luta dos trabalhadores e da juventude
O imperialismo não é invencível. É possível derrotá-lo, mas a resposta à recolonização não virá de Lula, e muito menos de Flávio, que bate continência à bandeira americana.
A defesa da Amazônia, das terras raras e do território latino-americano está sendo desenhada nas lutas dos trabalhadores e da juventude do Brasil, do Chile, da Argentina, da Bolívia.
