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ABAIXO A DITADURA ASSASSINA DOS AIATOLÁS!

VIVA A RESISTÊNCIA ARMADA DAS MASSAS INSURRETAS!

Por: MPR – Movimento por um Partido Revolucionário

Em 28 de dezembro de 2025, iniciaram-se mobilizações no Irã. No início, foram protagonizadas pelos comerciantes da capital, Teerã, afetados pela grave crise econômica. No entanto, a partir da violenta repressão a essas mobilizações, elas mudaram de caráter. Estenderam-se para a maioria da população em todo o país, com importante participação das mulheres, ao mesmo tempo em que passaram a ter como principal reivindicação a queda da ditadura teocrática encabeçada pelo “Líder Supremo”, o aiatolá Ali Khamenei, que está no poder há 37 anos.

A ditadura teocrática dos aiatolás ameaçada

Não é a primeira vez que a ditadura dos aiatolás se enfrenta com importantes mobilizações. Mas, desta vez, devido ao seu caráter massivo, à sua extensão nacional, à sua combinação com as greves dos trabalhadores petroleiros (o principal setor econômico do país) e no contexto de uma crise econômica brutal, essas mobilizações estão deixando o regime profundamente enfraquecido e ameaçado. Isso explica por que a ditadura, desesperadamente, passou a reprimir o movimento com uma brutalidade maior do que a usada em ocasiões anteriores, a tal ponto que o principal método de repressão utilizado são “franco-atiradores”, o que já provocou um número imenso de mortos e feridos.

O governo reconhece 3.000 mortos, mas outras fontes mencionam entre 12.000 e 40.000 mortos, além de um número incalculável de feridos. Esses números são difíceis de apurar, visto que o governo cortou todas as linhas telefônicas e bloqueou a internet.

A resposta das massas

A violenta repressão às mobilizações das massas não atingiu o objetivo esperado pela ditadura: acabar com os protestos. Pelo contrário, estes não só se espalharam por todo o país, como também se transformaram, de pacíficos, em mobilizações violentas e armadas, como se pode constatar pela quantidade de prédios públicos incendiados e pelos 600 agentes da repressão mortos nos confrontos.

Essa resposta das massas iranianas não nos surpreende. Os trabalhadores, estudantes, mulheres e o povo do Irã têm uma tradição de luta e organização de mais de 100 anos, que não pôde ser extinta com prisões, nem com torturas, nem com os assassinatos executados pela monarquia e seus sucessores.

Uma tradição que teve seu ponto alto na revolução de 1979, comparada corretamente à grande revolução de fevereiro de 1917 na Rússia. Foi uma revolução que derrubou a monarquia do Xá Reza Pahlevi, imposta pelos EUA, resultando em duas conquistas democráticas: a derrota da monarquia e a independência em relação ao imperialismo norte-americano.

Os protagonistas da Revolução de 1979 são, aparentemente, os mesmos das mobilizações atuais: a classe operária e o povo, com várias organizações de esquerda de peso. Mas não sabemos o nível de organização que alcançaram hoje. Por exemplo, se a revolução atual reviveu a experiência da anterior com os comitês armados de fábrica, que passaram a exercer o controle operário sobre a produção de petróleo.

Porém, após a queda da monarquia, não foi a classe operária que tomou o poder, mas a burguesia, por meio dos religiosos, que, embora mantivessem a independência do imperialismo, dedicaram-se a perseguir aqueles que haviam feito a revolução e queriam aprofundá-la, impondo, dessa forma, um regime mais repressor que o anterior.

A resposta da contrarrevolução

Os EUA sempre tiveram um grande interesse em dominar o Irã. Em primeiro lugar, porque esse país tem uma das maiores reservas de petróleo do mundo, atrás apenas da Venezuela e da Arábia Saudita. Em segundo lugar, porque, desde 1948, precisam do Irã, com o Egito e a Turquia, para atuar como protetores de Israel, o enclave imperial dessa importante região.

Esse interesse sempre foi tão grande que os EUA orquestraram dois golpes de estado para controlar o país. E, logo após a revolução de 1979, realizaram todo tipo de ataques, a ponto de orquestrar uma das guerras mais sangrentas do século XX (a guerra Irã-Iraque), com aproximadamente um milhão de mortos, além de sucessivos ataques e sanções, sob o pretexto de que o Irã estaria desenvolvendo armas nucleares.

Por isso, não foi surpresa que, logo no início dos protestos, Trump anunciou que invadiria o país caso houvesse mortes, acrescentando que “a ajuda já está a caminho”. No entanto, ele mudou radicalmente de política posteriormente. Ao perceber a crescente força da resistência armada, concluiu que ela era o principal problema que precisava enfrentar e, a partir de então, com a maioria dos governos capitalistas do mundo, adotou um silêncio cúmplice em relação aos aiatolás e aos milhares de manifestantes assassinados por eles.

No Brasil, o presidente Lula não foi exceção. Assim como todos os governos do mundo, silencia-se sobre os milhares de ativistas assassinados.

Desde o início das mobilizações, o governo Lula não fez uma única declaração (até 27/01) sobre o que está acontecendo no Irã, um país com estreitas relações econômicas e políticas com o atual governo brasileiro.

No dia 13 de janeiro, o Itamaraty (o Ministério das Relações Exteriores) divulgou um comunicado que não só não repudia os assassinatos como também afirma: “O Governo brasileiro acompanha com preocupação a evolução das manifestações”.

E o que têm a dizer as correntes petistas e stalinistas (PSOL, PC do B, PCB, PCBR)? Seguindo fielmente Lula, mantêm, geralmente, um silêncio cúmplice em relação aos assassinatos e, em alguns casos, expressam solidariedade à ditadura assassina dos aiatolás.

As tarefas da revolução

Enquanto escrevemos esta declaração, as mobilizações diminuíram consideravelmente. Algumas pessoas descrevem a situação atual como uma “calma tensa”, com muito poucas pessoas nas ruas, a internet e os telefones bloqueados, e boa parte dos comércios fechados, levantando dúvidas sobre o que está acontecendo. As massas foram derrotadas pela repressão ou, pelo contrário, as mobilizações deram origem a uma revolução, igual ou até superior à de 1979? Em outras palavras: uma nova revolução iraniana está acabando ou, pelo contrário, está apenas começando?

Para responder a essa pergunta, precisaríamos estar presentes neste processo revolucionário, o que não acontece. Por isso, só o tempo poderá nos dar uma resposta. Mas mesmo assim, não podemos deixar de apontar quais são, em nossa opinião, as tarefas que se colocariam para a classe operária iraniana, caso estejamos diante do início de uma revolução, para nós a situação provável:

1) Defender a mais ampla unidade de ação para derrubar a ditadura;

2) Retomando a tradição da revolução anterior, organizar os trabalhadores de forma independente por locais de trabalho;

3) Construir, se ainda não existir, e fortalecer, se existir, uma direção operária e revolucionária para garantir, por um lado, o enfrentamento à ditadura, sem vacilações, e, por outro, a continuidade da revolução rumo a um governo operário e popular;

4) Apelar aos governos, especialmente aqueles que se dizem “democráticos”, como o governo Lula no Brasil, para que, em repúdio aos assassinatos, rompam relações políticas e econômicas com o Irã;

5) Chamar os sindicatos, organizações sociais, partidos de esquerda e/ou democráticos a retomarem as mobilizações internacionalistas em defesa da Palestina, agora em repúdio à repressão no Irã.

Glória aos mártires da revolução!

Abaixo a ditadura dos aiatolás!

Por um governo operário e popular!